José Mourinho jogou pelo seguro, Farioli não arriscou — e o clássico morreu na tática
Dois gigantes, muitas cautelas e um empate que serviu aos dois, mas empolgou ninguém. “Satisfeitos com pouco”, diz Mário Carneiro.
No rescaldo do clássico, o jornalista Mário Carneiro não poupou nas palavras: José Mourinho “tentou minimizar as perdas” e o empate acabou por deixar ambos os treinadores satisfeitos, embora o jogo tenha ficado aquém do esperado.
“Há sempre um favorito”, sublinha Carneiro no Canal NOW, lembrando que o fator casa pesa, e, no Dragão, “com 40 mil adeptos do Porto e apenas 2.500 do Benfica”, não havia como negar essa vantagem. Mesmo assim, o jornalista reconhece que o técnico portista não conseguiu transformar esse apoio em domínio dentro de campo.
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“Esperava-se que o Porto assumisse as rédeas do jogo”, explica. José Mourinho, diz Carneiro, “acreditava que o Porto podia desmontar-se” se se lançasse demasiado no ataque, uma armadilha que Farioli evitou com inteligência. O treinador do Benfica “não se lançou ao ataque de forma a desguarnecer a defesa” e preferiu manter o controlo, mesmo sem brilhar.
O resultado final agradou a ambos: “Mourinho ficou satisfeito com o resultado. Mas Farioli também ficou.” O empate manteve o Porto na luta e o Benfica confortável na frente, “Farioli achou que quatro pontos eram melhores do que arriscar e jogar pelos sete.”
Mas Mário Carneiro deixa uma nota de ironia no ar. “Quando for no Marquês, ninguém se vai lembrar deste jogo.” Só que, avisa, “se o Benfica não for ao Marquês, e o Porto também não, vão lembrar-se bem: foi o jogo da falta de coragem.”
No fundo, resume o jornalista, Mourinho “satisfez-se com pouco” e o impacto foi “o resultado possível, mas não o ideal”.