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Mariana Monteiro indignada com pais que impedem filhos de assistir a palestras sobre igualdade

Mariana Monteiro apela ao "somatório de muitas pequenas transformações"

Com mais de uma década dedicada a projetos educativos para crianças, Mariana Monteiro mostrou-se preocupada com o facto de alguns encarregados de educação começarem a proibir alunos de assistir às suas palestras.

A atriz Mariana Monteiro foi uma das convidadas do mais recente episódio do podcast “Educa-te”, conduzido por Rodrigo Castro onde, numa conversa dedicada à educação emocional e às pequenas ações que podem mudar o mundo, a artista refletiu sobre o impacto da sua longa carreira na forma como lida com os sentimentos, assumindo que a representação a ensinou a quebrar barreiras.

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Ser atriz é precisamente ser vulnerável. Ou seja, a minha profissão é exercer essa qualidade o tempo todo“, começou por explicar Mariana Monteiro e, ainda confessou que a arte de calçar os sapatos de outras personagens foi fundamental para o seu desenvolvimento pessoal. “A minha profissão tem sido aquilo que mais me tem feito (…) desde que comecei a representar aos 16 comecei a ser muito mais vulnerável do que antes, antes escondia e reprimia muito mais“, relatou, sublinhando a importância de se trabalhar as emoções de forma “super livre e honesta”.

Assumindo-se como “uma pessoa extremamente sensível”, característica que considera essencial para o seu ofício, Mariana Monteiro admitiu que a sua hipersensibilidade exige cuidados redobrados com a saúde mental, especialmente perante as notícias do mundo. “Às vezes também não lido muito bem com o estar muito informada, mas tento estar de maneira a que também não me afeta demasiado a minha saúde mental“, confidenciou.

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Apesar de se sentir impotente face aos grandes conflitos mundiais, a atriz recusa baixar os braços e foca-se no impacto das decisões diárias: “A mudança é o somatório de muitas pequenas transformações (…) Não acredito que tenhamos o poder individual de transformar o mundo todo, mas acho que sim, nós somos responsáveis por com as nossas ações, contribuir para pequenas mudanças“.

O seu compromisso com a sociedade reflete-se fortemente no projeto infantojuvenil focado na igualdade de género, que nasceu em 2015 no seguimento do seu trabalho com as Nações Unidas e que deu origem a livros como “Mariana no Mundo Igual” e, embora o balanço da última década seja largamente positivo, a artista relatou um episódio recente que a deixou alarmada. “Estávamos numa escola em que pela primeira vez tinham sido proibidos de estar presente alguns alunos“, contou, referindo-se ao bloqueio imposto por alguns encarregados de educação. “Fiquei super indignada e confesso que aquilo mexeu um pouco comigo (…) parece que de repente estamos a querer converter as pessoas a uma coisa que não é pelo bem comum. Quer dizer, nós só estamos a falar de uma coisa que é para que todos e todas estejamos de facto numa sociedade mais justa“.

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Perante este recuo nas mentalidades, Mariana Monteiro deixou um alerta fundamental: “Parece que já foram conquistadas uma série de direitos (…) de repente deparei-me com essa consciência de que nada é garantido“.

A atriz concluiu o seu raciocínio com um apelo à união da sociedade, pedindo o fim da polarização extrema. “Acho mesmo que nós temos que deixar de fazer assim nós e os outros, nós e eles, porque senão a nossa sociedade só tem tendência para se dividir mais e mais“, rematou.

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