O lado oculto da moda e as pressões da fama voltaram a estar em destaque no programa V+ Fama.
O painel abordou os recentes desenvolvimentos em torno do caso do assassinato de Carlos Castro, motivados pelo podcast do jornal Observador, e contou com um testemunho na primeira pessoa.
O modelo Ivan Costa Silva, jornalista e agenciado da Face Models há 15 anos, a mesma agência que representava Renato Seabra , marcou presença para falar das abordagens que cruzam o caminho de quem procura o sucesso. Durante a entrevista conduzida por Adriano Silva Martins, o modelo surpreendeu ao revelar um contacto do próprio cronista social: “Cerca de 6 meses antes do crime, ou seja, ainda nem o Carlos conhecia o Renato, eu cruzei-me com ele num evento, num desfile”.
Leia também: Vítima de roubo de identidade, Manuel Luís Goucha deixa alerta
Ivan explicou como tudo aconteceu após fazer um casting na agência Elite em Lisboa: “Preparava-me para ir para casa, para Estarreja, e estava no centro comercial Vasco da Gama e recebi um telefonema, um número que eu não conhecia, e era o Carlos Castro a dizer que gostaria de combinar um café comigo”.
Apesar de não condenar o antigo cronista ou a escolha de Renato Seabra, o modelo preferiu afastar-se na altura: “Eu de facto tinha que apanhar o comboio para Aveiro, e, entretanto, aquilo ficou ali e tudo bem, se nos encontrássemos falávamos, mas decidi não seguir por esse caminho dito mais fácil”.
Leia também: Desafio Final – Liliana arrasa Catarina Quintas: “É mais fácil atacar atrás de um telemóvel”
Confrontado sobre a frequência destas ilusões criadas a jovens modelos, Ivan Costa Silva não hesitou: “Estas propostas existem na moda e é fácil perceber o porquê, porque o Renato Seabra tinha um sonho de ser modelo e de ser famoso, eu também já o tive. Nós somos alvos fáceis porque queremos chegar lá, e muitas vezes somos miúdos e imaturos e não sabemos o perigo que pode estar ali à espera”.
Para ilustrar o perigo, o manequim partilhou uma experiência perturbadora com outra pessoa do meio, numa altura em que tinha 18 anos: “Queria-me ajudar na altura a chegar a um trabalho que eu tinha ficado pelo caminho… Só te peço uma coisa em troca: gostaria de te fazer uma massagem, uma massagem típica asiática”. A resposta do então jovem modelo, apoiado pela família, foi clara: “Eu disse-lhe: tudo bem, só que a minha mãe vem comigo. E ele: não, não, não. E pronto, ficou em águas de bacalhau”.
Ao olhar para o passado, o convidado do V+ Fama refletiu sobre o peso destas ofertas: “Estas promessas mexem com o cérebro de um jovem de 18 anos, e se não tiver apoio, se for imaturo, pode se tornar muito complicado”. Ivan Costa Silva também lembrou o estigma que o crime trouxe à Face Models e à própria Fátima Lopes, garantindo que o assunto continua a gerar comentários na loja da sua mãe, que há 15 anos ouve avisos sobre os perigos da moda.