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Morreu Luís Represas, o músico que deu voz a ‘Tarzan’ e ‘O Rei Leão 2’ e levou Portugal a Cuba em 1993

O cantor e compositor, que partiu aos 69 anos, foi condecorado com a Comenda da Ordem de Mérito pelo Presidente Jorge Sampaio em 2005.

Morreu hoje, 22 de julho de 2026, Luís Represas, um dos nomes maiores da música portuguesa.

O cantor e compositor, que partiu aos 69 anos, deixa para trás mais de quatro décadas de uma carreira singular, iniciada nos Trovante e consolidada a solo, que marcou a música popular portuguesa com uma sensibilidade e lirismo inconfundíveis. Represas, nascido em Lisboa a 24 de novembro de 1956, é uma figura incontornável do panorama cultural do país.

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O interesse pela música surgiu cedo. Aos 13 anos, já tinha a sua primeira guitarra. Em 1976, foi um dos cofundadores dos Trovante, uma banda que se tornou rapidamente uma referência da música portuguesa pós-25 de Abril. Luís Represas manteve-se como vocalista do grupo até à sua dissolução em 1992, pisando palcos memoráveis como os Coliseus de 1984 e 1986, e o Campo Pequeno em 1988.

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Em 1992, com o fim dos Trovante, Luís Represas lançou-se numa carreira a solo que o levaria além-fronteiras. Um ano depois, em 1993, viajou até Havana, Cuba, em busca de novas sonoridades. Lá, trabalhou com o baixista português Nani Teixeira e com figuras da música cubana como Pablo Milanés e Miguel Nuñez. Dessa experiência nasceu o álbum ‘Represas’, gravado em português e castelhano, de onde saiu o famoso dueto com Pablo Milanés, ‘Feiticeira’, um dos temas mais reconhecidos da sua carreira.

A discografia a solo de Represas não parou de crescer e de colecionar sucessos. Álbuns como ‘Cumplicidades’ (1995), que contou com Bernardo Sassetti e Davy Spillane, e ‘A Hora do Lobo’ (1998) são exemplos disso. O seu ‘Ao Vivo no CCB’ (1996), gravado após quatro noites esgotadas no Centro Cultural de Belém, alcançou a dupla platina. Em 1999, o músico deu voz, na versão portuguesa, a temas de Phil Collins para o filme ‘Tarzan’ da Disney, e mais tarde, para ‘O Rei Leão 2’.

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O seu lado cívico também se fez sentir. Em 2000, a convite do então Presidente Jorge Sampaio, Luís Represas viajou até Timor-Leste, levando consigo o tema ‘Timor’, que se tornou um hino à independência do território. Anos mais tarde, Xanana Gusmão convidou-o para as celebrações do primeiro aniversário do referendo. Em 2005, o Dr. Jorge Sampaio condecorou-o com a Comenda da Ordem de Mérito.

Outros álbuns de destaque incluem ‘Fora de Mão’ (2003) e ‘Olhos nos Olhos’ (2008), este último gravado inteiramente em Cuba, com participações de Simone, Pablo Milanés e Liuba Maria Hevia. Em 2011, surpreendeu ao reunir-se com João Gil para um novo disco de originais, ‘Luís Represas e João Gil’. Três anos depois, em 2014, lançou ‘Cores’. O seu mais recente trabalho, ‘Boa Hora’ (2018), foi distinguido com o Prémio Pedro Osório.

Na sua vida pessoal, Luís Represas casou-se três vezes. Do seu segundo casamento nasceram João Nicolau, em 1992, e Carolina, em 1995. Do terceiro casamento, com Margarida Pinto Correia, uma união de 15 anos que terminou em 2013, teve Nuno, nascido em 1999, e José Alberto, em 2003.

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