Morreu Mário Marta que participou no Festival da Canção
A notícia do óbito foi confirmada pela produtora Broda Music e lamentada pelo Ministério da Cultura de Cabo Verde.
O mundo da música lusófona está de luto com a partida do cantor cabo-verdiano Mário Marta, que faleceu esta quinta-feira, 16 de abril, aos 53 anos.
O óbito ocorreu em Portugal, curiosamente no Dia Mundial da Voz, e a notícia foi confirmada no dia seguinte pela sua produtora, a Broda Music, através de uma nota que expressa profunda tristeza e consternação.
A família do artista também se pronunciou sobre o doloroso momento, destacando Mário Marta como um profissional de grande sensibilidade e dedicação à música cabo-verdiana. Na mensagem partilhada, os familiares sublinharam que o cantor conquistou o respeito do público dentro e fora do país, classificando a sua partida prematura como uma perda irreparável para a música e para a cultura nacional.
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As reações institucionais não se fizeram esperar, com o Ministério da Cultura de Cabo Verde a emitir um comunicado de pesar onde exalta o talento do artista. A tutela recordou Mário Marta como uma voz marcante que uniu as raízes culturais com sensibilidade e autenticidade, descrevendo-o como um intérprete singular, dotado de uma presença em palco intensa e de uma voz carregada de emoção e identidade. Também a Sociedade Cabo-verdiana de Música lamentou a perda, frisando a sua humildade, generosidade e a forte ligação às mornas e coladeiras que o eternizarão na memória do público e da diáspora.
Nascido a 30 de agosto de 1972 na Guiné-Bissau, filho de pai guineense e mãe cabo-verdiana, Mário Marta cresceu em São Vicente rodeado de fortes influências musicais. Desde cedo conviveu com grandes nomes, como a sua tia Eunice Marta, o tio Tonecas Marta, Titina, Paulino Vieira e a lendária Cesária Évora, com quem chegou a cantar em criança na casa dos tios na cidade do Mindelo. Após viver na Guiné-Bissau e em Angola, acabou por se fixar em Portugal, onde construiu um percurso notável ao longo de mais de vinte anos.
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A sua jornada começou nos bastidores, fazendo coros em estúdio para inúmeros músicos africanos e portugueses. Integrou o primeiro grupo de gospel em Portugal, os SHOUT!, fundado por Sara Tavares, e colaborou com gigantes como Rui Veloso, Mariza, Carminho, Tito Paris e Lura. Mais tarde, tornou-se artista da Broda Music e backing vocal de Djodje, acompanhando-o em estúdio e em digressões mundiais.
O salto para uma carreira a solo aconteceu em 2019 com os singles Kriol e Aguenta, uma colaboração com Lura que foi premiada nos International Portuguese Music Awards. Em 2021, lançou o aclamado EP Ser de Luz, que lhe valeu múltiplas nomeações e prémios nos Cabo Verde Music Awards. O talento inegável levou-o a atuar em eventos de renome como o Morna Fest e o Atlantic Music Expo, mantendo sempre a essência da música tradicional do seu país.
Recentemente, neste ano de 2026, Mário Marta pisou o palco do Festival da Canção em Portugal para interpretar o tema Pertencer, da autoria de Djodje. Embora não tenha passado à final, a sua ligação ao certame já era antiga, tendo participado como elemento do coro nas edições de 2006 e 2008. Com uma voz inconfundível, o artista despede-se deixando uma obra ritmada pelos sons genuínos de Cabo Verde e de África, que continuarão a encantar o mundo.