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O futuro da economia e da IA: Michael Saylor contraria previsões de abundância total de Elon Musk

"Sempre criamos o ativo troféu": Michael Saylor defende a permanência do dinheiro na era da inteligência artificial

Vários líderes tecnológicos do Vale do Silício concordam com o impacto transformador da tecnologia, mas divergem quanto às consequências económicas para a sociedade.

A discussão em redor do impacto da inteligência artificial no futuro da economia e da sociedade continua a dividir os grandes nomes do setor tecnológico e empresarial. Elon Musk tem defendido publicamente a ideia de que o avanço da tecnologia conduzirá a uma era de abundância em que o trabalho passará a ser opcional e o dinheiro perderá a sua utilidade tradicional perante a implementação de uma renda universal elevada. No entanto, Michael Saylor, fundador da empresa de software Strategy, manifestou divergências relativamente a este cenário.

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Em entrevista ao podcast “Diary of a CEO”, o executivo abordou as previsões do líder da Tesla e salientou que a gratuitidade de bens essenciais não eliminará a procura por estatuto e exclusividade. “Nem todo o mundo ganha uma casa em Hampton. Nem todo o mundo tem o seu próprio jato particular. Eles não têm o seu próprio iate particular“, observou Michael Saylor ao ser questionado sobre as perspetivas de Elon Musk.

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Apesar de reconhecer que a inteligência artificial pode reduzir drasticamente o custo das necessidades básicas da população, o empresário argumentou que os recursos continuarão a ser canalizados para elementos escassos que conferem prestígio social. “Se eu der saúde universal para si, as pessoas vão querer saúde particular. Se eu der uma casa para todo o mundo, alguém vai querer uma casa duas vezes maior (…) Todos sempre terão um motivo para querer mais porque somos animais orientados a status. Essa é a forma cínica de ver as coisas“, declarou.

Para fundamentar a sua perspetiva, Michael Saylor recorreu a exemplos históricos do progresso tecnológico, lembrando que muitas comodidades atuais eram inacessíveis no passado. “Henrique VII não tinha coroas dentárias. Ele não tinha raios-X (…) Nós temos cuidados médicos modernos. A taxa de mortalidade infantil despencou. A vida é mais segura. Água limpa, ar limpo, comida limpa – e a tecnologia deu-nos tudo isso“, enumerou o empresário, acrescentando contudo que este avanço apenas redefiniu o conceito de luxo: “O que aconteceu com a explosão da afluência? Um enorme direito utilitário (…) Todo o mundo ganha um carro, mas quantas pessoas ganham um Porsche? O que acontece com a humanidade é que sempre inventamos o carro de luxo – criamos o ativo troféu“.

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A área da restauração e do consumo alimentar foi também apontada pelo executivo como reflexo desta procura contínua por distinção. “Em Nova Iorque, você vê isso em todo o lado – por que vamos a restaurantes e pagamos 300 dólares [cerca de 275 euros] para comer, se você pode alimentar-se com 3 dólares [cerca de 2,75 euros] por dia?“, questionou no decorrer do programa.

A perspetiva de uma transformação radical impulsionada pela inteligência artificial é partilhada por outros líderes do setor tecnológico, ainda que com nuances sobre as suas repercussões sociais.

Demis Hassabis, chairman da Google DeepMind, projetou recentemente a chegada de uma nova fase de avanços científicos e de saúde nos próximos dez a quinze anos, antevendo uma renovada época de descobertas que permitirá à humanidade explorar novos horizontes espaciais. Por outro lado, o investidor Vinod Khosla frisou que a automação e o aumento de produtividade trarão desafios laborais significativos, defendendo que os governos deverão implementar soluções como a renda básica universal para assegurar a estabilidade económica perante a reorganização do mercado de trabalho.

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