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Papa Leão XIV desafia líderes mundiais a colocar a dignidade humana acima do poder

Papa Leão XIV denuncia projetos políticos que usam falsa liberdade: "Corrupção na raiz"

Na celebração do centenário das relações diplomáticas com a Santa Sé, o líder da Igreja Católica defendeu a via do diálogo diplomático mesmo com interlocutores difíceis.

O Papa Leão XIV alertou este sábado, 22 de agosto, durante a sua chegada oficial à República de São Marinho, para os perigos da “idolatria que corrompe na sua raiz aqueles projetos políticos e económicos que se apresentam em nome da liberdade, mas que, na realidade, são escravos dos ídolos e do poder“. O chefe da Igreja Católica aterrou às 8h45 locais (7h45 em Lisboa), a bordo de um helicóptero do Vaticano, sendo acolhido pelos capitães regentes Alice Mina e Vladimiro Selva.

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No Palácio Público da capital, o líder religioso inspirou-se no lema histórico do Estado anfitrião para sublinhar que “não há verdadeira liberdade civil sem liberdade pessoal“, vincando que a sua promoção exige a salvaguarda dos “espaços da consciência“.

O Santo Padre apontou o país como um exemplo prático para a governação global: “Pode ser um laboratório de boa política onde, sem revogar a laicidade do Estado, se pode recorrer aos princípios da doutrina social católica: a busca do bem comum, o destino universal dos bens, a harmonia entre subsidiariedade e solidariedade, a justiça social“.

O monarca do Vaticano destacou a escala territorial da nação como uma vantagem para aproximar os governantes da população e reforçar a democracia.

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Nesse âmbito, Leão XIV estabeleceu a dignidade humana como meta prioritária da ação cívica: “Uma comunidade como a vossa, ao mesmo tempo rica em valores tradicionais e atualizada no plano tecnológico, pode perseguir eficazmente esse objetivo através de um cuidado que se traduz na proteção de toda a vida, em cada uma das suas fases, desde a conceção até à morte natural“.

Citando a encíclica «Magnifica humanitas», o Papa defendeu que o diálogo deve prevalecer sobre “comunicações impulsivas, retóricas agressivas e lógicas de poder“, mesmo quando envolve interlocutores “mais ‘incómodos‘”.

A intervenção enalteceu ainda a hospitalidade prestada aos refugiados ucranianos e a defesa do direito internacional humanitário. A viagem marca o centenário das relações diplomáticas entre a Santa Sé e São Marinho (1926-2026), seguindo o roteiro com uma passagem pela Basílica de São Marinho e uma deslocação posterior a Rimini.

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