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Caso Lindsay Clancy: Iva Domingues reflete sobre a tragédia que chocou o mundo

Psicose pós-parto e negligência médica: Iva Domingues analisa o caso Lindsay Clancy

O processo judicial nos Estados Unidos motivou uma tomada de posição da comunicadora sobre a urgência de acompanhamento psicológico no pós-parto.

Iva Domingues recorreu às plataformas digitais para partilhar uma reflexão sobre o julgamento de Lindsay Clancy, o caso que chocou a opinião pública norte-americana e internacional. A enfermeira é acusada de matar os três filhos pequenos, num processo judicial em que a defesa não contesta a autoria dos factos, mas sustenta a inimputabilidade criminal devido a um quadro severo de psicose pós-parto e medicação inadequada, decorrendo paralelamente processos por negligência médica contra os serviços de saúde.

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A apresentadora admitiu estar a acompanhar detalhadamente as sessões em tribunal: “Não sei se há muitos portugueses a acompanhar obsessivamente o caso de Lindsay Clancy, mas eu tenho estado completamente presa a este julgamento. Tenho acompanhado as sessões, dia após dia e, quanto mais ouço, mais difícil me parece chegar a uma conclusão simples“.

Ao avaliar o rumo do processo, a apresentadora assumiu o dilema que os depoimentos lhe provocam: “Há uma coisa, no entanto, que sei: não consigo não ter dúvidas. E não são poucas“.

O trabalho desenvolvido pelo advogado de defesa, Kevin Reddington, mereceu o aplauso de Iva Domingues, que salientou a abordagem sensível à saúde mental da arguida: “Não apenas pela competência e pela forma minuciosa como construiu a defesa de Lindsay, mas pela maneira como o fez: com uma compaixão, uma sensibilidade, uma empatia e uma assertividade extraordinárias“.

A apresentadora destacou a importância de compreender todo o historial clínico que antecedeu o desfecho trágico: “Fez-nos olhar para tudo o que veio antes. A deterioração da saúde mental, os pedidos de ajuda, os tratamentos, os sinais que existiam e aquilo que, algures no caminho, ninguém conseguiu juntar“.

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Perante as falhas apontadas no acompanhamento médico, a apresentadora sublinhou a necessidade de dar visibilidade ao sofrimento silencioso de muitas mães: “É impossível acompanhar este julgamento e não pensar na saúde mental das mulheres, e no tanto que há para fazer e discutir, sobretudo no pós-parto. No que acontece quando uma mulher diz que não está bem, procura ajuda, é vista por profissionais diferentes, mas cada um vê apenas uma parte. E ninguém consegue ver a mulher inteira, enquanto ela se vai partindo ao meio“.

Apesar da gravidade dos atos, a comunicadora insistiu que a avaliação do caso exige um olhar atento aos antecedentes: “Três crianças morreram. Nada pode apagar essa tragédia. Mas também não consigo olhar para tudo o que foi apresentado em tribunal e acreditar que a história começa naquela noite. Não começa. É por isso que tenho dúvidas“.

A terminar a publicação, Iva Domingues deixou um apelo à reflexão coletiva sobre a assistência no pós-parto: “Não sei qual será o veredicto. Sei que este julgamento me deixou com uma pergunta que vai muito para além de Lindsay: quantas mulheres estarão a pedir ajuda neste momento, sem que ninguém consiga ver a mulher inteira?“.

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