Patrick Clancy: Pai das crianças mortas por Lindsay Clancy fala pela primeira vez
Após o julgamento nulo de Lindsay Clancy, ex-marido aborda o drama familiar e condena o escrutínio público
Numa entrevista concedida ao programa «60 Minutes», o progenitor recordou o momento em que encontrou os três rapazes e meninas sem vida e desabafou sobre a psicose pós-parto que destruiu a família.
Num testemunho emotivo transmitido pela cadeia de televisão norte-americana CBS no programa «60 Minutes», Patrick Clancy decidiu falar abertamente sobre o episódio devastador que ditou a morte dos seus três filhos em 2023. Na sua primeira intervenção televisiva após a tragédia, o pai das crianças recordou o sofrimento da perda irreparável, os graves distúrbios psiquiátricos que afetavam a ex-mulher, Lindsay Clancy, e o peso do escrutínio público que recaiu sobre si após o crime.
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O caso chocou a opinião pública internacional e rapidamente deu origem a teorias e julgamentos paralelos nas plataformas digitais, onde muitos apontaram falhas ao antigo companheiro na assistência à enfermeira. Patrick rejeitou com firmeza essas insinuações, frisando o impacto nefasto de tais discursos.
“Isto é profundamente prejudicial ao legado dos meus filhos. É uma enorme distração relativamente ao que realmente importa aqui, que é a saúde mental perinatal. E causou danos reais a pessoas reais, a mim e a outras pessoas“, afirmou, confessando a dor sentida com os ataques: “É possível que algumas pessoas, depois de verem mentira após mentira após mentira, comecem a acreditar, e é com isso que ficamos“.
Os sinais de alarme começaram a manifestar-se no outono de 2022, pouco tempo depois do nascimento do elemento mais novo do agregado.
Lindsay passou a sofrer de forte privação de sono e níveis severos de ansiedade, numa fase em que ambos desconheciam a gravidade dos quadros clínicos pós-parto. “Acho que a doença mental tem essa capacidade de ser tragicamente enganosa. Tenho a certeza de que há coisas que não vi“, admitiu Patrick.
O quadro agravou-se na passagem de ano, levando ao internamento de emergência da mulher numa unidade hospitalar em Massachusetts. Contudo, apenas 17 dias após receber alta médica, a mãe aproveitou uma curta ausência do marido para estrangular Cora, de 5 anos, Dawson, de 3, e Callan, de 8 meses, atirando-se em seguida de uma janela, ato que a deixou paraplégica.
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O cenário com que se deparou ao regressar a casa ficou gravado na memória de Patrick para sempre. “Lembro-me de pensar ‘deem-me um. Deem-me um filho e vou criá-lo da melhor maneira possível, dar-lhe-ei a melhor vida que puder. Contar-lhe-ei sobre os irmãos’“, confessou. O bebé Callan ainda chegou a apresentar sinais vitais após a reanimação, mas o óbito acabou por ser declarado horas mais tarde na unidade de cuidados intensivos.
Apesar da dimensão da tragédia, Patrick recusa categoricamente os rótulos de “mãe assassina” atribuídos à antiga companheira, salientando que a responsabilidade pertence exclusivamente à doença mental severa que se apoderou dela.
“Acho que fiz o melhor que pude com o que tinha na época. E convivo com o resultado. Convivo com isto todos os dias“, explicou, assumindo que a sua própria vida parou por completo e que ponderou colocar termo à existência: “Acredito que foi a doença mental dela que causou isto… Não achava que viveria para ver o meu 35.º aniversário. E estava completamente bem com isso“.
Na tentativa de reconstruir o quotidiano longe do escrutínio, mudou-se para Nova Iorque em busca de tranquilidade, cidade onde conheceu a sua atual parceira, Rachel Danis. Presente durante a conversa com os jornalistas, a companheira destacou o seu papel de apoio: “Sei que não posso consertar tudo – não posso trazer os filhos dele de volta. Mas se puder honrá-los e permitir que o Pat viva o seu luto, mas também continuar a honrá-los no presente… Acho que é tudo o que posso fazer“.
No plano judicial, o processo conheceu uma reviravolta recente quando o juiz declarou o julgamento nulo a 4 de setembro, face à incapacidade do júri em alcançar a unanimidade exigida por lei.
Dos doze jurados presentes, onze defenderam a absolvição sustentando a tese de psicose pós-parto, perante a discordância isolada de um único jurado que manteve o voto de condenação. As autoridades judiciais deverão anunciar ainda durante este mês se Lindsay Clancy será submetida a um novo julgamento criminal, mantendo-se a arguida internada sob custódia num hospital psiquiátrico.