Pedro Chagas Freitas elogia intervenção do IRA e ataca neutralidade: “Extremista é quem assiste à crueldade”
"Lutam por quem não tem voz": Pedro Chagas Freitas declara admiração profunda pelo IRA
Pedro Chagas Freitas recordou uma experiência pessoal em canis e enalteceu a coragem dos membros que atuam na linha da frente.
Pedro Chagas Freitas recorreu às suas plataformas digitais para expressar publicamente o seu apoio e admiração pelo Intervenção Resgate Animal (IRA). O autor assinou um texto focado na coragem dos operacionais da organização, destacando o impacto do salvamento de animais na preservação dos valores mais nobres da sociedade.
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“Quero que a malta do IRA saiga que os adoro profundamente. Quero que vejam que vejo neles aquilo que acontece quando o medo se transforma em amor. Não é um amor fofo, de almofadas em forma de coração; é um amor de guerra, com os joelhos no chão, a alma nas unhas. É um amor que sangra, que morde. Um amor até aos ossos“, começou por escrever o autor, enaltecendo a entrega física e emocional das equipas. “Não estão a salvar cães e gatos; estão a impedir que nos tornemos numa espécie inútil. Fazem-no com uma coragem que é ternura e não deixa de ser raiva“, acrescentou.
O escritor aproveitou o momento para recordar uma vivência do seu próprio passado, sublinhando a dureza associada ao voluntariado em espaços de recolha de animais. “Já andei, mais do que uma vez, de balde na mão, a lavar um canil onde o cheiro era tão espesso que parecia uma substância. Tentei não chorar. Ali, entre excrementos, patas feridas e olhos cheios de silêncio, percebi que salvar animais é um trabalho inglório, frustrante, sempre insuficiente“, relatou, reconhecendo que a dor da perda é uma constante. “O que fazemos nunca chega. Limpamos um canto enquanto outro apodrece. Salvamos um, morrem vinte. Ainda assim, voltamos. Parar seria pior“, frisou.
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A atuação prática do grupo foi um dos pontos mais elogiados pelo escritor, que criticou duramente a passividade e os julgamentos de quem opta pela inação face aos maus-tratos. “O IRA actua quando os outros comentam; dá cabo das portas quando os outros batem palmas a petições. Quando alguém os critica com a habitual condescendência burguesa do ‘ah, mas são extremistas’, eu penso: extremista é quem assiste à crueldade e diz que não é consigo. Extremista é quem se protege com neutralidade”, apontou.
Pedro Chagas Freitas concluiu a sua reflexão confessando o seu receio pessoal perante os perigos enfrentados nas missões de resgate e agradecendo o altruísmo das equipas. “Eu tenho medo, tenho tanto medo de tantas coisas; nunca soube transformá-lo assim. Eles souberam. Fizeram do medo uma arma, do trauma um farol, da compaixão um martelo. Vão, noite dentro, salvar o que pode ser salvo. Seja onde for, seja contra quem for. Ao salvarem os animais, estão também a salvar um pouco do planeta – a parte do planeta que ainda merece ser salva: a nossa humanidade. Não conheço nenhum; agradeço a todos. Lutam por quem não tem voz. Ao fazerem isso, devolvem-nos a nossa“, rematou.
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