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Pedro Chagas Freitas faz vénia a Alexandre Quintas: O homem que encontrou as crianças abandonadas pela mãe!

Pedro Chagas Freitas dedica texto a Alexandre Quintas: "Só as boas pessoas deviam ser famosas"

O conhecido escritor recorreu às suas redes sociais para celebrar o gesto do padeiro que resgatou os dois menores franceses, deixando uma profunda reflexão sobre o estado da humanidade.

O gesto heróico de Alexandre Quintas, o padeiro que resgatou duas crianças francesas abandonadas numa estrada em Alcácer do Sal, continua a colher os maiores elogios e homenagens por todo o país. Depois de ser distinguido publicamente pela comunicação social, o cidadão recebeu um tributo escrito por parte de Pedro Chagas Freitas. Através da sua conta oficial no Instagram, o escritor partilhou a imagem do salvador e dedicou-lhe uma carta aberta repleta de respeito e admiração.

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O autor começou por destacar o desapego e a generosidade de Alexandre Quintas, focando-se numa declaração marcante do padeiro. “Meu caro Alexandre Quintas, ‘Era capaz de adoptar os dois meninos.’ Esta sua frase fez-me querer abraçá-lo. Não a vejo como sentimentalismo de algibeira; vejo-a como o mais antigo dos instintos: proteger. Há homens e mulheres que passam a vida inteira sem alguma vez pronunciar uma frase tão humana“, elogiou, justificando a decisão de divulgar o rosto do técnico de panificação: “Coloquei aqui a sua imagem porque quero que a bondade seja conhecida. Acredito que só as boas pessoas deviam ser famosas“.

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Na ótica de Pedro Chagas Freitas, a ação de Alexandre espelha o verdadeiro conceito de heroísmo, longe dos clichés da ficção. “Muitos pensam que os maiores heróis do mundo usam capa e máscara. Quero que saibam que não; quero que saibam que é assim que são os que fazem a diferença: pessoas como nós, ou como nós deveríamos ser. Juro que tento, juro. Agradeço-lhe. Na salvação das duas crianças, salvou mais do que isso. Salvou uma espécie de construção da humanidade; ajudou a reconstruir aquilo que vemos como super-poder. Não é coisa pouca, acredite“, vincou o escritor.

O texto serviu também para o romancista traçar um retrato duro sobre o egoísmo e o isolamento que caracterizam as rotinas contemporâneas, opondo-se ao exemplo de cidadania dado em Alcácer do Sal. “Estamos todos cansados, Alexandre. Estamos todos perdidos vezes demais. Grande parte de nós não sabe muito bem para que serve. Estamos afogados no individual, no prazer privado, na gestão eficiente do próprio sofrimento, não sabemos olhar uns para os outros. Há tantos adultos isolados, emocionalmente esgotados, incapazes de carregar seja quem for além de si próprios, derrotados. O senhor mudou isso, acredite“, contrapôs.

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Para o cronista, o salvamento assume uma dimensão filosófica sobre o papel de cada cidadão na comunidade. “Numa estrada portuguesa, um homem comum interrompeu o movimento normal do dia para cuidar de duas crianças desconhecidas. A humanidade salva-se assim, sempre assim: quando pessoas concretas decidem que o sofrimento do outro lhes pertence temporariamente. Acho que a ideia básica de civilização é essa: a vontade de oferecer abrigo“, defendeu, deixando uma crítica implícita aos padrões de mediatismo atuais: “Meu caro Alexandre, escrevo-lhe para o celebrar. Espero que muitos o celebrem. Duvido. A sociedade prefere celebrar milionários brutamontes ou influenciadores com ideias da idade da pedra“.

A fechar a missiva, o profissional das letras reiterou a importância pedagógica do ato de Alexandre Quintas para a sociedade civil. “Escrevo-lhe para o celebrar. Naquele dia, numa estrada, o senhor ensinou-nos aquilo que nos define enquanto pessoas: salvarmos uns aos outros. Suspeito que é para isso que servimos. Com respeito absoluto, e com uma vénia, Pedro“, concluiu.

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