‘Roda da Sorte’ estabiliza atrás de O Preço Certo (e nunca deverá vencer o Fernando Mendes)
Em dez emissões, o concurso de Cristina Ferreira faz uma média de 5,4% e 533 mil espectadores. A sexta-feira fechou em 5,3%, longe dos 6,7% do primeiro dia e a quase dois pontos da RTP1

A TVI pediu à Roda da Sorte que disputasse o acesso ao horário nobre. Dez emissões depois, o concurso de Cristina Ferreira cumpre metade do recado.
A emissão de sexta-feira, 2 de outubro, entrou às 19h03, durou 51 minutos e fechou com 5,3% de rating, 13,9% de share e um alcance de 9,4%, o equivalente a 525,1 mil espectadores, segundo a MediaMonitor/CAEM para o universo nacional. No mesmo bloco, O Preço Certo, na RTP1 desde as 19h05, fez 7,0% de rating, 18,2% de share e 691,7 mil pessoas. O diário de Casados à Primeira Vista VII, na SIC, ficou em 4,4% e 434,4 mil. A ordem do horário é, por isso, a mesma de quase toda a série: RTP1 na frente, TVI no meio, SIC atrás.
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O número de sexta-feira só se percebe na série. A estreia, a 21 de setembro, foi a única emissão em que Cristina Ferreira ganhou o slot. Fez 6,7% de rating, 17,0% de share e 663,7 mil espectadores, e passou Fernando Mendes por duas décimas, 6,5% e 642,6 mil, na contagem então divulgada. A liderança durou pouco mesmo nesse dia: a curva da TVI começou a ceder à RTP1 a partir das 19h38. No dia seguinte o efeito de novidade esgotou-se. A segunda emissão caiu para 5,4% e 531 mil. A terceira segurou os 5,4%. A partir daí o programa desceu até ao mínimo da temporada, 4,6% e 452,3 mil na sexta-feira de 25 de setembro, e tocou o pior share na segunda-feira seguinte, 12,1% com 4,9% de rating.
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A segunda semana travou a queda, sem inverter o horário. De 28 de setembro a 2 de outubro a Roda da Sorte fez 4,9%, 5,4%, 5,6%, 5,5% e 5,3%. O melhor dia depois da estreia foi 30 de setembro, com 5,6% e 560,4 mil. A média das dez emissões fica em 5,4% de rating, 13,8% de share e cerca de 533 mil espectadores. São menos 1,4 pontos e menos 139 mil pessoas do que no primeiro dia, e menos 3,1 pontos de share. O máximo oficial da tabela, 6,7%, e o mínimo, 4,6%, são exactamente a estreia e a sexta-feira de 25 de setembro.
A curva de sexta-feira repete o desenho que já se via na estreia, agora com a RTP1 mais longe. A TVI arranca na casa dos 4,5% a 5% e sobe devagar até perto dos 6%. A RTP1 parte do mesmo patamar e acelera na segunda metade, aproximando-se dos 9% no fecho. O intervalo medido antes da emissão, às 18h53, rendeu 4,2%. Não há, nestes dez programas, um segundo dia em que a linha laranja tenha ficado acima da azul durante a hora.
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Chamar-lhe falhanço depende do critério. Se a bitola for a estreia, e a promessa de tirar as 19 horas a O Preço Certo, o formato não entregou: liderou uma vez, por margem estreita, e nunca mais. Se a bitola for um concurso de acesso com meio milhão de espectadores estáveis, o retrato é outro.
A Roda da Sorte não colapsou. Assentou num corredor de 5,3% a 5,6% na segunda semana, ganha ao diário da SIC e perde, com clareza, para um formato que Fernando Mendes ocupa há anos e que na segunda-feira de 28 de setembro chegou a 8,2% e 20,1% de share. O problema não é a queda livre. É a ausência de segunda vitória.
Para a TVI, o custo está no que o horário devia fazer. As 19 horas existem para empurrar o noticiário e o prime time. Um share de 13,9%, contra 18,2% da RTP1, entrega essa herança em desvantagem. Cristina Ferreira continua a ser o rosto que a estação pôs à frente de um clássico internacional, a Roda da Fortuna, e a estreia provou que o nome ainda abre a noite.
O que os nove programas seguintes mostram é que o nome, sozinho, não segura o slot quando o jogo deixa de ser novidade e O Preço Certo volta ao seu ritmo. A temporada não está perdida dez emissões são cedo para o epitáfio, mas já não está na trajectória da estreia. Está na trajectória de um terceiro lugar consolidado.