Marina Mota celebra mais de 50 anos de carreira: “Tenho mais anos de trabalho do que de vida”:
Com uma humildade desarmante, a atriz recusa o rótulo de vedeta apesar de meio século de sucessos. Marina lembrou os tempos em que era proibida de ter carteira profissional por ser menor antes do 25 de Abril e como se tornou uma estrela infantil nos bairros de Lisboa.
Marina Mota foi a convidada especial de Diana Chaves e João Baião na SIC, onde revisitou os marcos de uma carreira impressionante que já ultrapassa meio século.
A conversa trouxe à tona uma coincidência deliciosa: a atriz e o apresentador cruzaram-se, ainda crianças, no mesmo concurso de talentos, o Festival da Canção Infantil organizado pela Casa da Imprensa.
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A atriz recordou com humor a monotonia das eliminatórias daquele tempo, onde a originalidade era escassa, mas o talento abundante: “O João também participou nesse festival (…) Éramos 50 miúdos a cantar a mesma música. Que seca”.
Apesar de ter sido a escolhida para representar o Distrito de Lisboa, Marina Mota fez questão de repor a verdade histórica sobre o vencedor final, demonstrando o seu fair play habitual: “Mas quem ganhou, eu digo sempre isto, porque eu sou muito honesta, quem ganhou depois o festival (…) foram os meninos de Faro”. Só mais tarde, já adultos e colegas de profissão, é que ambos perceberam que tinham partilhado aquele palco na infância.
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A rampa de lançamento oficial deu-se, contudo, aos 10 anos, quando venceu o concurso de mercado da Primavera. Na altura, conhecida como a “Miúda de Alcântara”, seguindo a tradição bairrista de nomes como Fernando Farinha, o “Miúdo da Bica”, Marina ganhou o direito a gravar o seu primeiro disco em 1973. No entanto, a burocracia do Estado Novo impediu-a de receber o outro prémio: “O prémio era a carteira profissional, obviamente que eu não podia ter, porque foi antes do 25 de Abril (…) porque era menor”.
A atriz lembrou ainda a sua primeira digressão internacional aos Estados Unidos, com apenas 11 anos, onde cantou num auditório em São Francisco, na Califórnia.
Hoje, com 63 anos de idade e 53 de carreira oficial, Marina Mota mantém uma humildade desconcertante, afirmando a Diana Chaves: “Eu continuo a não ser artista“. A veterana explicou que a sua transição para a representação foi um mero acaso do destino no Parque Maier, onde aterrou inicialmente apenas como fadista: “Fui para o Parque Maier exatamente como atração nacional para cantar fado (…) Depois, nessa revista é que acharam que eu tinha alguma piadinha (…) e mandaram-me dizer umas coisas, e assim comecei a representar”.