Xana Carvalho foi a mais recente convidada de Daniel Oliveira no ‘Alta Definição’, da SIC, e abriu o livro sobre a sua infância. A cantora começou por explicar que se vê como “a cantora, a filha, conjunto de todas essas pessoas”, incluindo “a menina também”.
“Existem os sonhos dessa menina, alguma insegurança, a alegria também. A Xana pequenina ainda mora dentro de mim, sem dúvida”, contou Xana Carvalho.
Tornar o Dioguinho a tua fonte preferida no Google
Quando Daniel Oliveira lhe perguntou pela primeira memória, a artista recuou no tempo até Santo António dos Cavaleiros. “Lembro-me da escola, dos meus amigos da rua. Morava num bairro com uns prédios enormes. E nós íamos todos brincar para a rua. Essa talvez seja das melhores memórias que eu tenho da minha infância, sem dúvida”, recordou.
Leia também: Diego prevê o futuro amoroso de três casais da TVI no «Em Família»: Há surpresas?
Apesar dos momentos felizes, Xana Carvalho descreveu-se como “uma miúda muito sensível”, que se tornou introvertida devido a “certas situações que iam acontecendo”. Admitiu que não foi uma infância triste, mas “um pouco marcante”, onde via “coisas que não deveria ver, que uma criança não deveria ver entre os pais”.
“Muitas discussões, situações até um pouco mais agressivas”, enumerou, explicando que isso a levou a “ficar mais tempo calada, porque às vezes o falar podia-me colocar em situações menos confortáveis ou menos seguras”. O medo instalou-se. “Podiam acontecer situações em que podia começar a chorar porque alguém iria gritar, porque alguém iria dizer que não havia motivo para estar assim, mas existia”, garantiu.
Leia também: Audiências totais de 17 julho: TVI ganhou, mas por pouco
A cantora revelou que passou a infância a controlar as suas ações e palavras “para não criar um ambiente pesado ou deixar alguém chateado”. “Para mim, naquela altura, aquilo era a minha vida. Era assim que se vivia. Eu aprendi a sobreviver nesse ambiente em que se dissesse o que sentia ou era menosprezada ou talvez podia cair no ridículo”, atirou.
Um episódio marcante aconteceu logo na primeira classe. Xana Carvalho entrou na escola com cinco anos. “Em casa havia assim muitos gritos e algumas discussões entre os meus pais. Naquela altura, situações que me deixavam sempre com medo. E quando eu fui para a escola, a primeira coisa que aconteceu, talvez na primeira semana de escola, uma criança de cinco anos era normal distrair-se. E a professora deu-me um estalo e eu pensei, ‘okay, aqui também não é seguro'”, confidenciou.
O impacto foi profundo. “Eu passei os quatro anos da primária a chorar todos os dias para ir para a escola, que eu não queria ir para a escola”, lembrou. Sentia que a vida era “ambientes de risco”, onde não podia expressar a sua vontade. “Havia sempre alguém que dizia, ‘mas tens que ir, estás a fingir, tens que ir como todas as outras crianças’. Mas eu sentia medo, porque na escola para mim não era um ambiente seguro”, desabafou.
Essa necessidade de controlo e de “ler bem o ambiente” para prever o dia a dia, especialmente o humor do pai, ainda a acompanha. “Ainda hoje eu acho que esse medo ainda vive dentro de mim. É uma coisa que eu tento combater, mas ainda mora, sabes? Em que às vezes torna-se difícil eu expor o meu ponto de vista ou se calhar até mesmo contrariar alguma situação”, explicou. O medo está sempre presente, um “género: ‘não deves dizer, a pessoa pode não reagir bem'”.
“Acaba quase que ser uma característica, sabes? O medo está sempre aqui. Lógico que não me inibe de fazer as coisas, não me castra, mas está cá”, admitiu.
Perante a pergunta de Daniel Oliveira sobre a existência de amor nesse contexto, Xana Carvalho foi direta: “Nos braços da mãe, no colo da mãe. Eu tentava sempre procurar os momentos certos para procurar o amor. Quando o meu pai estava bem disposto, estava tranquilo, eu conseguia aproximar-me um pouco mais dele. Com os amigos, com os pais dos amigos, na família, nos tios, nas tias, nos primos. Mas essencialmente era a mãe. A mãe tentava, dentro também da realidade dela, também era complicada, nós conseguíamos amarmo-nos uma à outra”.