Audiências na ultima semana 1998: Que programas venciam? Vê a análise!
Ficção portuguesa e novela brasileira lideram o ranking, enquanto a RTP1 assegura presença com futebol, sátira política e comédia clássica...

Na última semana de outubro de 1998, a televisão portuguesa confirmou a hegemonia da SIC no horário nobre.
O ranking dos programas mais vistos, medido em audiência média e share, mostra o canal de Carnaxide a ocupar as oito primeiras posições, com a série Médico de Família a liderar com 23,0% de audiência e 67,4% de share. Logo a seguir surge a novela brasileira Torre de Babel, com 22,9% e 62,5%, num resultado que ilustra a força da ficção, tanto nacional como importada, num momento em que a SIC consolidava a sua posição dominante face à RTP1 e à ainda emergente TVI.
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Médico de Família, estreada nesse ano e produzida pela Endemol, centrava-se na vida de Diogo Melo, médico viúvo interpretado por Fernando Luís, que conciliava o trabalho num centro de saúde com a educação dos três filhos. Rita Blanco dava corpo à tia Teresa, presença constante na casa, enquanto Maria João Abreu e Henrique Mendes completavam o núcleo familiar. A série, inspirada num original espanhol, misturava situações do quotidiano com humor e drama, e rapidamente se impôs como um dos grandes êxitos da ficção portuguesa. O seu desempenho nesta semana, à frente de uma novela da Globo, confirmava a aposta da SIC na produção própria de longa duração.
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Torre de Babel, da autoria de Silvio de Abreu e emitida originalmente pela Globo entre maio de 1998 e janeiro de 1999, tinha estreado em Portugal na SIC em julho. A trama girava em torno de José Clementino (Tony Ramos), um ex-presidiário obcecado pela vingança contra o empresário César Toledo (Tarcísio Meira), responsável pela sua condenação. A história incluía a explosão de um shopping center e um elenco que reunia Glória Menezes, Cláudia Raia, Adriana Esteves e outros nomes de peso. Em Portugal, a novela ocupava de forma consistente o segundo lugar do ranking, atraindo um público fiel à ficção brasileira que a SIC vinha a explorar com sucesso desde a sua fundação.
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A terceira posição pertencia a Polícias à Solta, comédia da SIC que acompanhava as peripécias de agentes da autoridade, com Almeno Gonçalves, Ana Bustorff e Carlos Sebastião nos papéis principais. O formato, estreado em setembro de 1998, capitalizava o humor ligeiro e situava-se confortavelmente acima dos 19% de audiência. Seguia-se Ponto de Encontro, o programa de reencontros familiares apresentado por Henrique Mendes, que desde 1994 reunia pessoas separadas por circunstâncias da vida e mantinha uma audiência sólida de quase 19%. O Jornal da Noite da SIC aparecia em quinto, com 18,7%, a demonstrar que a informação do canal privado competia diretamente com a ficção no prime-time.
Mais abaixo no ranking, a RTP1 garantia presença sobretudo através do futebol. O jogo HJK Helsínquia/Benfica (a equipa portuguesa perdeu por duas bolas a zero), transmitido em direto, registou 15,5% de audiência e 46,3% de share, enquanto o confronto Boavista/Benfica chegou aos 13,5%. Estes resultados ilustram o peso que o desporto, em particular os jogos do Benfica em competições europeias, continuava a ter na grelha do canal público. Entre os programas de entretenimento da RTP1, As Lições do Tonecas ocupava a 16.ª posição, com 13,2% de audiência. A sitcom, adaptação televisiva dos sketches radiofónicos de José Oliveira Cosme, tinha estreado em 1996 com Luís Aleluia no papel do aluno traquinas e Morais e Castro no do professor. Cada episódio explorava um tema em contexto de sala de aula, muitas vezes com convidados, e mantinha um público fiel apesar da concorrência da SIC.
Contra Informação, o programa de sátira política com marionetas da RTP1, surgia em 19.º lugar, com 12,3% de audiência e 34,8% de share. Inspirado em formatos como o britânico Spitting Image e o francês Guignols de l’info, o programa tinha estreado em 1996 e usava bonecos de látex para caricaturar figuras da vida política e social portuguesa. Em 1998, com António Guterres à frente do Governo, as marionetas já se tinham tornado um referencial do humor político na televisão pública, embora a sua audiência se situasse claramente abaixo dos grandes êxitos da SIC.
Outros programas da SIC preenchiam o resto do top 20, desde Moda Paris e Cantigas de Maldizer até Mundo VIP, o magazine de jet-set apresentado por Felipa Garnel e Paulo Pires, passando pelo concurso Roda dos Milhões, conduzido por Jorge Gabriel. Este último, associado aos sorteios da Santa Casa, combinava jogos, música ao vivo e prémios em dinheiro, e consolidava a presença da SIC nas noites de segunda-feira. O domínio do canal privado era absoluto: dos vinte programas mais vistos, quinze pertenciam à SIC, e os restantes cinco à RTP1, quase todos ligados ao futebol ou a formatos de humor já consolidados.
Esta fotografia de final de outubro de 1998 revela um mercado televisivo em que a ficção nacional e brasileira e os formatos de entretenimento ligeiro da SIC ditavam as regras do horário nobre, enquanto a RTP1 dependia do desporto e de programas de marca própria para se manter competitiva.
