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Felca trama-se ao expor guião de vídeo com instruções para “chorar aqui” e “cena a vomitar”

O influenciador de 28 anos apagou as imagens após as críticas, mas os detalhes do documento que dita as suas emoções já circulam na internet.

Felca está no centro de uma polémica nas redes sociais depois de ter mostrado, na segunda-feira, dia 2, partes do guião do vídeo em que revela sofrer de fobia social.

O documento, partilhado pelo próprio youtuber e influenciador de 28 anos nas histórias do Instagram, incluía indicações precisas sobre os momentos em que devia demonstrar emoção ou inserir imagens específicas, com notas como “chorar aqui”, “cena a vomitar”, “levantar foto e desabar no choro” e “silêncio de 20 segundos”.

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A partilha gerou estranheza imediata e pôs em causa a genuinidade de um trabalho que o criador de conteúdos tinha descrito como um dos mais difíceis e autênticos do seu percurso. Perante a receção negativa na rede social X, Felca eliminou o registo das suas páginas, mas várias contas já tinham guardado e republicado as imagens, que rapidamente se tornaram virais.

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Um dos utilizadores que divulgou o texto deixou a pergunta no ar: “O Felca divulgou o guião do vídeo sobre fobia social, mas chama-me a atenção que no meio do texto tem um ‘chorar aqui’, até o choro foi guionizado?”. As reações multiplicaram-se. Outra internauta apontou a contradição da partilha: “Publicou as próprias provas contra ele só para se exibir que escreve o minuto em que deve chorar”. Até ao momento, Felca não comentou o caso.

O vídeo em questão, com mais de uma hora, foi lançado no mês passado e marcou o regresso do youtuber à plataforma após mais de um ano de ausência, frustrando quem esperava uma tomada de posição política. Antes da estreia, o jovem tinha deixado uma mensagem de antecipação: “Escondi-me durante demasiado tempo”.

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Nesse registo, Felca mostrou o relatório médico que confirma o diagnóstico de fobia social e recordou episódios de bullying vividos na infância e na adolescência.

O relato mais duro prendeu-se com a dependência de bebidas alcoólicas. Segundo contou, o álcool servia de muleta para enfrentar interações sociais, marcar presença em eventos e conseguir gravar. Esse consumo acabou mesmo por levá-lo a sofrer um acidente, no qual partiu duas costelas.

Com isto tudo, surgiu a Lei Felca no Brasil, mas afinal o que é?

A chamada Lei Felca, formalmente designada Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital), é a Lei brasileira n.º 15.211/2025, que entrou em vigor no Brasil a 17 de março de 2026 com o objectivo de reforçar a proteção de crianças e adolescentes nos ambientes digitais. A designação popular deve-se ao influenciador Felipe Bressanim Pereira, conhecido como Felca, que em agosto de 2025 publicou um vídeo a denunciar a adultização e a exploração de menores nas redes sociais, um caso de enorme repercussão que acelerou a aprovação do diploma. A nova legislação não substitui o Estatuto da Criança e do Adolescente, de 1990, mas cria regras operacionais específicas para plataformas, redes sociais, aplicações e jogos que atendam ou possam ser acedidos por menores de 18 anos, aplicando-se mesmo a serviços desenvolvidos fora do Brasil.

Entre as principais novidades, as empresas passam a ser obrigadas a adoptar mecanismos fiáveis de verificação de idade — como validação por CPF, documento digitalizado ou estimativa por reconhecimento facial —, ficando afastada a mera autodeclaração. As contas de menores de 16 anos devem estar obrigatoriamente vinculadas a um responsável, e os pais ganham ferramentas de supervisão parental que permitem limitar funções, bloquear conversas e controlar o tempo de utilização. No plano do design, ficam proibidas para menores as funcionalidades associadas ao uso compulsivo, como o reproduzimento automático de vídeos, a rolagem infinita, os sistemas de recompensa por tempo de permanência e as notificações de incentivo ao uso contínuo. Nos jogos voltados ao público infantojuvenil, passam igualmente a ser proibidas as “loot boxes” e qualquer monetização ou impulsionamento de conteúdos que apresentem menores de forma sexualmente sugestiva.

A lei também reforça a tutela dos dados pessoais, proibindo a recolha e partilha automatizada de dados de menores para fins comerciais e impedindo que as plataformas usem o histórico de navegação ou os dados de verificação de idade para monitorizar o comportamento digital de crianças e adolescentes. Sempre que sejam identificados conteúdos de exploração ou abuso sexual, sequestro ou aliciamento, as empresas devem removê-los e notificar de imediato as autoridades competentes, estando ainda prevista a criação de um Centro Nacional de Proteção à Criança e ao Adolescente, ligado à Polícia Federal, para centralizar as denúncias. Os prestadores com mais de um milhão de utilizadores nesta faixa etária deverão ainda publicar relatórios semestrais de transparência. Em caso de incumprimento, as sanções vão da advertência a multas que podem atingir até 10% do faturamento do grupo económico no Brasil — ou, na ausência de faturamento, até 50 milhões de reais por infracção —, podendo chegar à suspensão temporária ou mesmo à proibição do exercício das actividades. O decreto presidencial que regulamenta o diploma foi assinado pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva a 18 de março de 2026, um dia depois da entrada em vigor da lei.

Felca trama-se ao expor guião de vídeo com instruções para "chorar aqui" e "cena a vomitar"
Felca trama-se ao expor guião de vídeo com instruções para “chorar aqui” e “cena a vomitar”
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