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Áustria acusada de apagar a história! Esquadra da polícia na casa de Hitler e supermercado em antigo campo de concentração

Da casa de Hitler ao campo de concentração de Mauthausen, a memória do Holocausto gera revolta

A conversão da casa natal do ditador em esquadra e a construção de um supermercado num local de trabalho forçado reabrem o debate sobre a preservação histórica no país.

A Áustria encontra-se no centro de uma intensa polémica internacional devido às decisões administrativas tomadas em torno de edifícios e terrenos ligados ao regime nazi. A transformação do imóvel onde Adolf Hitler nasceu numa esquadra da polícia e os planos para a edificação de um parque comercial sobre os vestígios de um antigo subcampo de concentração estão a suscitar fortes protestos por parte de movimentos cívicos, historiadores e associações de sobreviventes do Holocausto.

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Na cidade de Braunau am Inn, a residência onde o ditador viveu nas primeiras semanas de vida iniciou funções como esquadra da polícia. A medida visou afastar qualquer aproveitamento do local por grupos extremistas, conforme explicou Stephan Mlczoch, responsável pelo departamento de história do Ministério do Interior austríaco: “O objetivo foi evitar qualquer associação com Adolf Hitler, para retirar esse caráter mítico [do local]“.

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O ministro do Interior, Gerhard Karner, sustentou a escolha durante a abertura do espaço. “A polícia atual, a nossa polícia federal austríaca, é o exato oposto do simbolismo ligado a este local. A nossa polícia representa a democracia e o Estado de Direito“, declarou.

Contudo, a solução adotada gera contestação entre os representantes das vítimas do nazismo. Robert Eiter, elemento do Comité de Mauthausen e da Rede Contra o Racismo e o Extremismo de Direita, considera que a medida tenta encobrir a memória histórica. “O mundo não vai esquecer onde nasceu o maior assassino em massa da história. A Wikipédia não vai mudar isso“, afirmou o responsável, acrescentando: “Todos os anos, no memorial do campo de concentração de Mauthausen, há uma cerimónia para dizer: nunca mais. E em Braunau estão a dizer: vamos esquecer o mais rápido possível“.

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Paralelamente, a intenção de erguer um complexo comercial com um supermercado Lidl e um centro logístico no terreno do antigo subcampo de Hirtenberg, dependente do complexo de Mauthausen, desencadeou nova vaga de repúdio.

O espaço abrigou, a partir de setembro de 1944, mais de 400 mulheres judias submetidas a trabalho forçado na produção de munições sob vigilância das SS.

A diretora do Memorial de Mauthausen, Barbara Glück, classificou o avanço dos trabalhos como “uma vergonha”, alertando para a gravidade da intervenção urbana: “A perda destas estruturas históricas e de potenciais fontes de investigação é irreversível“.

Por seu turno, o Centro Simon Wiesenthal alertou para as consequências das licenças concedidas pelas entidades locais.

A organização sublinhou que “a memória do Holocausto não está a ser apagada pelo tempo, mas por decisões administrativas e ações concretas“, defendendo que o espaço devia ser preservado em homenagem às vítimas e, apesar das queixas, o Instituto Federal dos Monumentos manteve a fundamentação de que os elementos remanescentes não cumprem os critérios legais para proteção patrimonial, permitindo a continuidade dos trabalhos de construção.

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