Carolina Deslandes visada por Joana Latino: “Tem dever moral de dizer o que se está a passar”
Joana Latino criticou a cantora pela perda de peso, mas a resposta foi perentória e sem meias palavras.
No programa ‘Passadeira Vermelha’ da passada sexta-feira, 4 de setembro de 2026, Joana Latino expressou publicamente a sua profunda preocupação com a crescente utilização de medicamentos como o Ozempic e outros fármacos da classe GLP-1.
A comentadora do formato da SIC reconheceu a importância médica destes tratamentos, classificando-os como “maravilhoso, milagroso até” para quem luta contra a obesidade, permitindo alcançar um corpo e uma mente saudáveis.
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No entanto, a jornalista não escondeu o receio de que o uso indiscriminado destes medicamentos esteja a dar azo a uma nova e perigosa ditadura da magreza. “O medo que eu tenho aqui em relação a isto é que as pessoas se transformem naquilo que andamos a ver nas passadeiras vermelhas de todo o mundo, que são cadáveres ver pessoas esqueléticas, subnutridas, com problemas de saúde claros”, atirou Joana Latino. Para ela, a sociedade está novamente a ser bombardeada com a ideia de que “quanto mais pequeno tu és, quanto mais te diminuires fisicamente, mais valor tens”.
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Joana Latino lembrou que “ter um bocadinho de peso fora dessas medidas é responsabilidade do próprio, é culpa do próprio, e essa pessoa é condenada socialmente por não ser um tamanho zero”. Esclareceu que “quando estamos a falar de tamanho zero, estamos a falar do XXS em Portugal”. A comentadora criticou duramente a condenação social de pessoas com tamanhos S, M, L ou XL, que “não tem nada a ver sequer com excesso de peso”, mas que são vistas como “falhada, tem menos valor, não presta”.
Sublinhou a inversão de valores, recordando que há cerca de dez anos se celebrava a diversidade de corpos, um princípio que se estendia até às Barbies. “Agora estamos outra vez a voltar ao espartilhar, a uma ideia que vem muito do patriarcado e que pesa sobretudo sobre as mulheres, que é a obediência, o autocontrole, a autodisciplina, para tu praticamente desapareceres. E este desaparecer não é só o peso, é também a mente”, lamentou a comentadora.
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No mesmo programa, Joana Latino apontou o dedo a Carolina Deslandes (35), que tem estado no centro das atenções devido à sua notória e rápida perda de peso. A jornalista não compreende como a cantora, que outrora falou abertamente sobre o seu corpo e o excesso de peso, agora “invoca um direito a não falar sobre isto quando há uma transformação muito rápida do seu corpo”.
Joana Latino admitiu que não se trata de curiosidade vã. “Nós não queremos que a Carolina fale sobre a forma como está a perder peso, só nós, eu e os meus alter egos”, disse. Contudo, a seu ver, a artista “tem algum dever moral de dizer o que é que se está a passar com ela, o que é que ela fez, que trabalho é que ela está a fazer, o que é que a motiva, sobretudo emocionalmente, para ter feito esta mudança”.
A comentadora argumentou que, “se ela foi inspiradora na aceitação de um corpo desformatado maior, também pode ser inspiradora no seu contrário”. Latino acusou Deslandes de “estar a enxutar as pessoas e a ser pedante e a armar-se em superior para falar desta questão”, e de estar “só a entrar no espartilho social da diminuição corporal que a sociedade, a pressão que a sociedade agora exerce”.
Recordo que Carolina Deslandes reagiu com firmeza nas rede sociais às criticas dos seguidores, e garantiu que a sua defesa do orgulho corporal sempre se pautou pela liberdade individual e pela auto aceitação em qualquer fase da vida. “Amei-me gorda e amo-me magra, não me parece que isso seja o significado de hipocrisia”, retorquiu a um seguidor. A declaração perentória espelha a serenidade com que a artista tem lidado com o escrutínio público sobre a sua imagem.
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