Cate Blanchett lança ferramenta inovadora para proteger a identidade humana contra a IA
Parlamento Europeu acolhe lançamento de plataforma criada por Cate Blanchett para travar abusos da IA
A iniciativa surge após a atriz ter assinado um manifesto que acusava as grandes empresas do setor de realizarem “roubo” de propriedade intelectual.
A atriz e produtora Cate Blanchett apresentou publicamente, esta quarta-feira, o Registo de Consentimento Humano (Human Consent Register), uma plataforma digital gratuita desenvolvida pela RSL Media e, o projeto lançado numa sessão oficial que decorreu no Parlamento Europeu, em Bruxelas, foi concebido com o propósito de salvaguardar o nome, o rosto e a voz dos cidadãos perante a utilização não autorizada por serviços de inteligência artificial.
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A cofundadora da empresa fez-se acompanhar na apresentação pela diretora executiva da entidade, Nikki Hexum, e pela eurodeputada Eva Maydell, tendo deixado uma posição vincada sobre a matéria. “Na era da Inteligência Artificial, a sua identidade é a sua propriedade intelectual e todos têm o direito de decidir como a IA pode ou não utilizá-la“, asseverou a artista, acrescentando que o mecanismo “dá a todos uma voz e uma forma de agir em relação às permissões de IA, ajudando a preservar e proteger a confiança em todo o panorama de IA em constante evolução“.
A ferramenta, disponível através do endereço eletrónico rslmedia.org, possibilita que qualquer indivíduo introduza os dados que constituem a sua identidade jurídica e artística, selecionando o tipo de autorização que concede aos sistemas informáticos. Numa etapa posterior, o espaço virtual passará a assegurar de igual modo a proteção de marcas registadas e de criações originais.
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Recorde-se que, em janeiro, Cate Blanchett associou-se a mais de 800 profissionais do meio artístico na assinatura de uma carta aberta onde acusavam as grandes companhias tecnológicas de cometerem “roubo”.
Nikki Hexum, diretora executiva da empresa, reforçou a premissa de que “o consentimento é um direito humano“, defendendo a necessidade de autonomia individual. “Uma pessoa deve poder dizer: ‘Este sou eu, isto é o que permito, isto é o que não permito e esta é a forma segura de me contactar, caso precise de me contactar’“, elucidou, justificando a escolha do Parlamento Europeu por ser uma instituição que “está a liderar o caminho nos direitos digitais e na utilização responsável da IA“.
A utilidade do mecanismo mereceu o elogio de Eva Maydell, que o classificou como “uma ferramenta que torna os direitos transparentes, reforça a confiança e coloca a criatividade humana no centro do progresso tecnológico“. Também Scott Mann, cofundador da Flawless e responsável pelo desenvolvimento de ferramentas de apoio ao setor audiovisual, validou o conceito. “As ferramentas de IA devem aumentar a criatividade humana, não substituí-la, mas, para que isso aconteça, o consentimento precisa de ser claro, acessível e acionável“, partilhou.
A plataforma, que conta com o suporte institucional da Creative Artists Agency, foi estruturada com base num sistema de semáforos que define três patamares distintos de autorização: verde (permissão irrestrita), amarelo (utilização condicional) e vermelho (proibição total).
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Com este inventário disponível, as empresas do ramo tecnológico passam a ter a possibilidade de consultar se as matérias pretendidas se encontram protegidas, embora tal verificação não constitua, para já, um imperativo legal na generalidade dos quadros jurídicos internacionais. O evento contou ainda com a presença do realizador Steven Soderbergh e de diversos representantes do universo empresarial e político.