No podcast «Viva Voz», o comentador questionou o legado de Passos Coelho e acusou-o de destruir a imagem de “sábio na reserva”.
As recentes intervenções públicas de Pedro Passos Coelho mereceram uma reação vigorosa por parte de Miguel Sousa Tavares. No seu podcast semanal, o jornalista não poupou as palavras para descrever a sua estupefação com a postura adotada pelo antigo chefe de Governo, considerando que este quebrou um longo período de silêncio da pior maneira possível.
Tornar o Dioguinho a tua fonte preferida no Google
“Eu acho que para usar uma expressão de uma pessoa que dizia no outro dia, ele passou-se, o Pedro Passos Coelho passou-se, pura e simplesmente“, atirou o cronista, visivelmente chocado com o tom dos discursos do antigo líder social-democrata. “Ouvirmos um político que foi Primeiro-Ministro, a chamar prostitutos aos outros, ainda por cima do seu próprio partido, é uma coisa que não se espera“, acrescentou, censurando o vocabulário utilizado no debate político interno.
Leia também: Jorge Gabriel assume novo amor publicamente: “Não temos nada para esconder”
Contudo, para Miguel Sousa Tavares, a maior falha de Passos Coelho não reside apenas na forma, mas sim no conteúdo e no legado que tenta evocar. “Mais do que a linguagem desbragada de Pedro Passos Coelho, a mim o que me incomoda é vê-lo apresentar-se como o grande reformista e o grande heraldo das reformas“, afirmou, lançando uma questão aos ouvintes: “Que reformas fez Pedro Passos Coelho quando foi Primeiro-Ministro?“. O jornalista desvalorizou a justificação de que a bancarrota e a intervenção da Troika impediram a ação governativa, defendendo o oposto: “Justamente porque estávamos falidos, porque batemos no fundo, esse é o momento para os reformistas avançarem com reformas, perceberem porque é que Portugal foi à falência“.
Miguel Sousa Tavares desmontou ainda a tese de que o eleitorado anseia pelo regresso do antigo governante à linha da frente da política ativa. “Eu acho que há aqui dois erros, eu acho que Pedro Passos Coelho está convencido que o País tem saudades dele, não tem, não tem, isso é um erro em que ele está a laborar“, sublinhou, lamentando a perda de estatuto do ex-político.
Leia também: Miguel Sousa Tavares acusa André Ventura de contradição sobre o dinheiro dos imigrantes
No entender do comentador, Passos Coelho destruiu a reputação de “sábio na reserva, sem pretensões próprias” que construiu ao longo dos anos. “Neste momento é uma pessoa que não se controla, que fala a propósito e a despropósito, que diz a primeira coisa que lhe vem à cabeça, e que, dizendo que o PSD tem de fazer reformas para travar o populismo do Chega, afinal está de mão dada com o Chega, como se viu na apresentação dele em Lisboa, quando ele discursou com André Ventura a aplaudir na primeira fila“, concluiu.