Setores como a agricultura, as pescas e os lares de idosos enfrentam um cenário que o cronista classifica como “verdadeiramente assustador”.
A escassez de mão de obra e a recente diminuição do fluxo migratório em Portugal mereceram uma reflexão detalhada por parte de Miguel Sousa Tavares no seu podcast semanal e, partindo dos dados divulgados pelo jornal Expresso, que indicam a saída de 45 mil pessoas no último ano e uma quebra de 40% nos pedidos de entrada para fins laborais, o cronista classificou a situação como “verdadeiramente assustador” e apontou baterias à estratégia política do executivo.
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O jornalista acusou o Governo de Luís Montenegro de ceder à pressão da direita radical, com consequências potencialmente catastróficas para a economia nacional. “Nós se calhar, com esta coisa toda do governo do Luís Montenegro ir atrás do discurso populista de André Ventura, nós arriscamos a deitar fora a criança com a água do banho“, alertou, defendendo que o país não pode fugir a uma análise realista sobre a sua total dependência dos trabalhadores estrangeiros.
Para ilustrar o seu argumento, Miguel Sousa Tavares apresentou dados estatísticos sobre o peso da imigração nos diversos setores produtivos: “70% da agricultura é assegurada por imigrantes, 80% das pescas são asseguradas por imigrantes, 60% na construção civil (…), 35% na hotelaria e restauração e 80% no trabalho nos lares de terceira idade“.
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De acordo com o cronista, a ausência destes trabalhadores paralisaria o país, uma vez que a maioria dos cidadãos nacionais recusa desempenhar estas funções. “Se esta gente for embora, quem é que os vai substituir? Quem são os portugueses que estão dispostos, por exemplo, a fazer o trabalho que se faz nos campos de Beja?“, questionou, mencionando as condições difíceis em que muitos operam, ou o esforço dos trabalhadores asiáticos nas pescas de Vila do Conde e da Figueira da Foz. “Quem é que cuidará dos nossos pais, de nossas avós e de nós próprios quando lá chegarmos?“, insistiu.
Miguel Sousa Tavares dirigiu depois duras críticas a André Ventura, denunciando o que considera ser uma profunda incoerência no discurso do líder do Chega pois, considerou “extraordinário” que o deputado defenda a redução da idade da reforma e o aumento das pensões baseando-se no saldo positivo que a imigração gera para os cofres públicos, avaliado em quatro mil milhões de euros anuais. “Por um lado, ele não quer cá imigrantes, por outro lado, ele gosta muito de poder deitar a mão ao dinheiro deles para financiar as pensões de reforma atuais“, rematou o jornalista, classificando a postura como uma contradição flagrante.
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