O painel de comentadores desconstruiu as declarações do empresário, alertando para a diversidade dos modelos familiares e a necessidade de afastar preconceitos.
A partilha de uma ilustração por parte de Marco Costa, na qual se refletia sobre o impacto da ausência do pai no crescimento dos filhos, desencadeou diversas reações nas plataformas digitais e motivou um esclarecimento do próprio.
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O pasteleiro procurou justificar a sua perspetiva através de um vídeo: “Acho que para uma criança é importante os dois pais estarem presentes, juntos ou separados, presentes é o mais importante (…). Dizer que um filho não precisa de um pai por ter uma mãe incrível é a mesma coisa que dizer que um filho não precisa de uma mãe por ter um pai incrível. É errado. Na minha opinião, os filhos precisam dos pais e das mães“.
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O tema foi analisado no programa «Passadeira Vermelha», da SIC Caras, onde Joana Latino apontou que as convicções manifestadas pelo empresário derivam de vivências pessoais mal resolvidas: “O Marco tem uma dor grande por não ter tido a presença do pai, e isso advém do facto de ele ter sido educado emocionalmente para sentir muito essa ausência do pai (…). Eu acho que o Marco está a confundir o seu próprio trauma de uma infância com uma ausência muito vincada (…) com o que é o desenvolvimento saudável de uma criança“.
A jornalista defendeu que o bem-estar dos menores não depende de um formato tradicional, mas sim do afeto e da estabilidade proporcionados por quem assume a sua educação: “Não interessa quem é que perfilha aquela criança, o que interessa é que quem está presente, seja uma pessoa, duas, três, dez, o que interessa é que a essa criança seja dado um universo de segurança, de amor, de confiança (…). Esta coisa de defender que isso passa obrigatoriamente por um determinado tipo de modelo (…) parece-me que é uma asneira“.
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Hugo Mendes alinhou com a perspetiva da colega e lembrou que a ilustração original transmitia uma ideia redutora da resiliência infantil: “Mostrava um jovem sem a presença do pai que vai ao fundo, que se afunda, e com o pai mantém-se à tona da água (…). Uma pessoa sem pai pode perfeitamente sobreviver, pode vingar”. O comentador recorreu a percursos de sucesso para ilustrar que a ausência de uma estrutura convencional não dita o fracasso de um indivíduo: “Temos tantos outros exemplos, às vezes até sem os pais e justamente com os avós, às vezes até instituições que conseguem vingar na vida. O Daniel Oliveira é também um excelente exemplo disso mesmo“.
Por sua vez, Zulmira Garrido sublinhou que todas as configurações familiares devem ser validadas por igual, desde que garantam a estabilidade emocional das crianças: “Nós não podemos distinguir um casal homem-mulher, não há diferença nenhuma entre um casal homem-homem ou mulher-mulher. É exatamente a mesma coisa”.
A comentadora concluiu a reflexão com um elogio à capacidade de superação demonstrada pelo empresário ao longo do seu percurso de vida: “O caso concreto do Marco Costa, que é uma pessoa que superou tudo, e vê-se o que ele é hoje em termos profissionais, é uma pessoa incrível a todos os níveis“.