A estrela dos novos ‘Morangos’ está em palco na peça do momento, ‘O Clube dos Poetas Mortos’, com o “capitão” Diogo Infante. Feliz, no trabalho e no amor…
DIOGUINHO – Desde sempre teve aquela responsabilidade, digamos assim, de crescer com dois grandes exemplos em casa. Por um lado, o pai, uma lenda, por outro, a mãe, referência da comunicação social em Portugal.
NUNO REPRESAS – Os meus pais sempre foram muito ótimos nisso, sempre me deixaram tomar as minhas decisões e seguir os caminhos que eu quisesse. Sempre me apoiaram de forma incondicional. Tanto que eu tinha planeado seguir História, queria aprender latim para me focar na Roma Antiga. Queria ser historiador, mesmo.
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Mas depois mudou o trajeto…
Quando comecei a fazer a transição mais para o teatro, porque eu sempre estive envolvido nisso, na escola ou a fazer dobragens, sempre me apoiaram e tiveram esse carinho e essa calma comigo. Portanto, nunca tive nenhum tipo de pressão a entrar nessas áreas, mas quando tomei essas decisões, eles foram muito abertos e disponíveis. Claro que, já estar envolvido nessas áreas, eventos e ter esse acesso à cultura, facilitou-me.
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Até porque deste pequeno sempre esteve nos bastidores da música, do teatro…
Sim, sim, claro. Lidei com pessoas que fazem parte do meio. E isso ajudou-me a saber como falar, como comportar em bastidores e coisas desse género.
No entanto, não quis facilitar, ficar só por aqui, e foi estudar para fora.
Soube desse programa porque a minha mãe já o tinha feito, quando tinha a minha idade.Fiz um programa de intercâmbio nos Estados Unidos só para fazer o décimo segundo ano, depois fiz um ano em Cambridge e dois anos em Nova Iorque a estudar representação. Portanto, um bocado teatro, um bocado trabalho de câmara, porque foi uma altura da minha vida em que eu estava a sentir que precisava de expandir um bocado os meus horizontes e que precisava também de perceber como é que era o mundo fora de Portugal.
E então, foi uma decisão que eu tomei de estudar lá fora e mais uma vez os meus pais fizeram todos os apoios que conseguiram e deram-me todas as ajudas que estavam ao seu alcance, o que foi muito bom.
Como é que é ser filho do Luís Represas e da Margarida Pinto Correia?
Senti mais, principalmente, quando comecei.Quando comecei mais a entrar na área, quando comecei a ganhar, a fazer trabalhos de mais relevância, senti um bocadinho isso. Mas acho que hoje em dia, depois também de já ter essas conversas com os meus pais, e de já ter falado sobre isso, já não tenho tanta essa pressão.
Tenho sim uma gratidão pelo que eles fizeram. E obviamente tenho uma noção enorme do impacto que eles tiveram na cultura e do que eles trouxeram para este país. Não sinto que carregue assim uma responsabilidade.
Sempre fui aos castings, pediam-me para cantar porque era para a personagem e eu cantava. Nunca foi algo que eu me chegasse à frente e propusesse “olhem, eu sei cantar, eu sou cantor, está aqui. Nunca foi por aí.
Nunca se apresentou como sendo filho de…
Não, não, nunca, nunca. Mas é um bocado inevitável, não é? Porque somos a única família com esse apelido em Portugal. Claro. Portanto, assim que eu digo Represas… Primeiro há sempre aquela olhadela, tipo, será que é?! Será que não é?! Falam o que têm a falar e depois, na conversa, vem sempre a questão, “Olha lá, o que é que tu ao Luís?”
Qual é que foi o primeiro trabalho?
Uma dobragem que fiz para um filme chamado ‘Astroboy’, um filme de animação, uma personagem de elenco adicional, isto quando era muito novo, era muito puto, não me lembro exatamente de que ano é que era, mas acho que ainda nem estava no secundário, na altura, e esse foi, assim, o primeiro trabalho a sério em que eu recebi um caché, e eu, “pá, isto é um espetáculo”, acho que, já não me lembro bem quanto é que recebi na altura, mas penso que foram uns 300 euros ou assim e eu estava louco… “Ah, eu consigo comprar tantos Legos com este dinheiro, isto é uma maravilha”. Então, foi, assim, o primeiro contacto que eu tive.
E o que nos pode dizer do pai Luís e da mãe Margarida?
São duas pessoas muito disponíveis, muito carinhosas, mas também puxavam as rédeas, não era tudo à vontade. A mim e aos meus irmãos. Tenho o Zé, do casamento do meu pai e da minha e, do primeiro casamento do meu pai, tenho o João e a Carolina.
Dão-se bem entre todos?
Sim, sim, temos todos uma ótima relação. Somos quatro irmãos que sempre nos demos muito bem, temos muito carinho uns aos outros.
Até porque os seus pais estão divorciados, mas continuam a dar-se super bem, não é?
Sim, sim, isso foi uma das grandes bençãos que nós tivemos. Separaram-se em ótimas condições e sempre com o intuito, o objectivo, de proporcionar o melhor que conseguiam para mim e para os meus irmãos. Portanto, sempre nos tiveram muito em consideração, nas decisões das vidas deles, e sempre fizeram um ótimo trabalho a deixar-nos em boas mãos.
Por uma questão de disciplina, porque eles sabem o tipo de pessoas que nós somos, e sabem o que é que conseguiríamos fazer se nos aplicarmos, então há esse intuito também de não nos deixar distrair muito na vida, embora nos dêem a liberdade para explorarmos fazermos o que queiramos. Gostam de fazer parte e de saber o que é que nós estamos a planear, o que é que estamos a pensar, portanto, não podia ter pedido um par de pais melhor, sinceramente.
O Nuno foi um menino bem-comportado ou ainda deu algumas dores de cabeça?
Não, eu acho que nunca tive assim… Já tive alturas em que, pronto, quando se passa ali por uma fase da adolescência, passamos todos, somos um bocadinho mais difíceis, respondões, atitudes um bocado mais complicadas, mas nunca fui uma pessoa problemática, nunca tive cenas de fugir de casa nem nada assim desse género.
Quando voltou para Portugal, criou um projeto de teatro…
Tinha estudado comigo, em Nova Iorque, um português, que também tinha voltado por causa do Covid, e nós falamos nessa altura, ‘isto agora está toda a gente assim, ninguém sabe o que é que vai ser daqui, ninguém sabe como é que vai acabar isto do Covid, ou quando é que vai acabar e quando é que vamos voltar a ter trabalho, ‘bora começarmos com o que sabemos e temos’. Então, o meu amigo criou uma companhia chamada Teatro Soco e propusemo-nos fazer peças de Shakespeare.
O objetivo era fazer uma semana de ensaios, recebemos o texto cerca de um mês, mês e meio antes, um texto muito reduzido, uma peça de uma hora que já de si é um trabalho enorme.
A peça estava em cena dois ou três dias num restaurante, num bar, numa sala de teatro pequena, o que quer que fosse, mas era como um exercício para nós, para conseguirmos trazer Shakespeare em inglês a Portugal, de modo acessível, e continuarmos ativos, não perdermos o bichinho do teatro. Isto é um instrumento, a representação é um instrumento, é um músculo que tem de ser trabalhado e nós não nos podíamos dar ao luxo nessa altura de perder esse músculo.

Até que surgiram os novos ‘Morangos com Açúcar’…
Tinha uma data de amigos que também fizeram o casting na altura, e a maneira como as notícias foram dadas, primeiro chamaram as pessoas para fazerem a primeira e a segunda temporada e depois começaram as gravações e os ensaios e depois mais à frente é que avisaram o pessoal da terceira temporada, portanto eu a certa altura não tinha recebido notícias nenhumas, não sabia de nada, mas já sabia pelos meus amigos que já estavam a ensaiar e a gravar, então pensei ‘pronto, olha não foi desta, não fiquei, acontece, é a vida’. E estava a passar férias com a minha família quando recebi a chamada do meu agente, o Pedro Curto, a dizer ‘olha, vais receber hoje um mail com as indicações, muitos parabéns, pronto vamos então sair nesta caminhada e foi ótimo, ótimo, a minha mãe ficou super feliz por mim, estávamos todos na praia quando recebi as notícias. Estávamos em Odeceixe, fizemos uma grande festa nessa noite.
Entrou em quantos episódios, qual era a personagem?
Eu entrei na terceira temporada desta nova geração, na temporada de verão e estou em dez episódios. Fazia de namorado da Beatriz Frazão. Era filho do dono do resort, para onde eles iam, e que era assim um bocado tóxico, tinha intenções de afastar a namorada do seu grupo de amigos, portanto era assim um mauzão.
Então, foi logo a começar em grande como vilão.
Sim, sim. Era o vilão secundário da temporada, mas foi uma personagem que deu muito gozo de fazer, explorar essa personagem no sentido de, não queríamos ir para o óbvio, para o clichê do mal, queríamos que esta personagem tivesse algum sentido de verdade, num sentido em que há muita gente que está em relações tóxicas e não dá por isso, não compreende porque as pessoas que são tóxicas realmente fazem os seus parceiros acreditarem que estão a fazer o melhor por eles e que só lhes querem bem e que isto é tudo pelo seu bem e então queríamos explorar essa parte da personagem. De não ser óbvio logo que ele era mau, mas dar a entender que ele estava a manipular de certa maneira a relação. Foi um desafio muito fixe, logo para começar assim o meu primeiro grande trabalho de volta a Portugal.
E o cidadão Nuno, em termos de relações, é muito namoradeiro? Em Nova Iorque, por cá…
Não sou necessariamente assim um mulherengo. Neste momento estou numa relação, eu e a minha namorada estamos juntos há quatro anos. Tem sido uma coisa muito estável e muito boa, portanto estou muito feliz nesse sentido. Sempre estive em relações mais longas, gosto de me conectar com as pessoas nesse sentido.
E a Beatriz, não tem ciúmes quando é preciso contracenas mais íntimas?
Sabia que ia haver muitos beijos técnicos e muitos flirts, tivemos claramente essa conversa no princípio, mais por minha iniciativa até, para garantir que estava tudo bem. Mas ela é uma pessoa muito compreensiva, percebe perfeitamente que isto é trabalho e que obviamente não há nenhum sentimento alastrado e que é tudo puramente profissional e, portanto, por ela, desde que eu esteja a trabalhar…
Viram os episódios em conjunto?
Vimos, vimos… Às vezes, às vezes, quando há assim uns beijos no ecrã, há sempre um ligeiro incómodo, mas nunca foi um problema.
E como foi trabalhar com os veteranos?
Não estive assim muito envolvida com os atores mais velhos, infelizmente. A Inês Castel Branco, que fazia de minha mãe, foi assim a atriz com quem eu tive mais envolvida em termos de cenário. Ela é uma senhora incrível, com tanta experiência nesta área e tanto mundo, é sempre um prazer poder trabalhar com esse tipo de pessoas.
Relativamente ao elenco mais novo, também foi ótimo, como o Rui Pedro Silva. Temos vindo a trabalhar mais vezes juntos, também na ‘Lua Vermelha’ e agora estamos aqui no ‘Clube dos Poetas Mortos’. É giro ver os caminhos que as pessoas do elenco tomaram, onde é que cada pessoa está, por onde é que cada pessoa seguiu, porque todos tiveram percursos muito bonitos de se ver e muito diferentes também.
Nos Morangos contracenou com outros talentos da nova geração, para além do Rui Pedro Silva, a Margarida Corceiro, o Vicente Gil, Tomás Taborda…
Sim, tivemos algumas cenas juntos. Fica-se com uma relação de amizade com alguns, cada um é mais próximo de uns que de outros, é sempre inevitável, mas encontramos-nos nos copos, falamos muito bem, temos muito carinho uns aos outros, não fiquei assim com nenhuma relação azeda com ninguém. Portanto, foram só coisas frutuosas que de lá saíram…
Por exemplo, a Margarida Corceiro, que hoje em dia é uma sex symbol de topo, namora um piloto da Fórmula 1. Quando está a trabalhar, e entre amigos, como é que ela é?
Isso por acaso é das perguntas que os meus amigos me fizeram logo, há sempre esse interesse pela Magui. Sim, a Margarida sempre foi um amor de pessoa, muito educada, muito delicada, nunca deu razões de queixa a ninguém, pelo menos que eu tenha visto, é uma pessoa incrível, muito bom trabalhar com ela.
Entretanto, seguiu-se a nova geração série dos vampiros da SIC.
Na ‘Lua Vermelha’, era um rapaz da escola, que estava a fazer exercício físico, a correr na mata, e é raptado por um vampiro, a personagem do Diogo Fernandes, que acaba por filmar e meter tudo nas redes sociais, que cria uma confusão no mundo dos vampiros acerca do que é que têm de fazer, o que é que não têm de fazer…
Esse é um tema que o fascina, o Crepúsculo…
Ah, eu sempre gostei muito. Também de todos os Harry Potter, O Senhor dos Anéis, Twilight. Nós crescemos numa época, felizmente com muito conteúdo de qualidade de ficção e de fantasia, e então é normal haver sempre esse bichinho, esse fascínio por essas coisas, desde novo sempre tive interesse por esses tópicos. Foi muito fixe poder fazer parte da série que, em Portugal, abordou os vampiros.
E neste momento, em termos de televisão, há alguma coisa em vista?
Neste momento estamos a ver, também, projetos internacionais. Participei no Passaporte da Patrícia Vasconcelos, que está com os diretores de casting do mundo inteiro cá em Portugal. A partir daí tenho recebido algumas propostas de casting para o estrangeiro, então agora também estou um bocado a abrir as visões para esses horizontes, mas vou fazendo os castings também cá em Portugal.
Até porque tem um senhor agente, o Pedro Curto, que tem anos e anos de experiência e currículo.
Na altura estava na Hit Management, com o João Louro, e depois o Curto entrou na Hit Management e, quando estava a escolher os atores que ia ficar com ele, ligou-me e eu disse-lhe logo que sim. Desde o princípio tem sido incrível, muito disponível para mim, aliás nas nossas conversas no Whatsapp é praticamente só mensagens minhas, porque eu mando-lhe uma mensagem e ele liga-me de volta para falar, é muito bom ter um agente com essa disponibilidade.
Até que chega ao projeto maravilhoso que, antes de estrear, já tinha quase 30 mil bilhetes vendidos, o espetáculo do ano, o espetáculo do momento, o Clube dos Poetas Mortos, que é inspirado num filme mítico que atravessou gerações.
Fiz o casting como o resto dos atores, fui lá ao Teatro da Trindade, passei pelos nervos e por esse drama todo, esse processo. Mais tarde contataram a minha agência, a dizer “queríamos que o Nuno venha fazer o casting, gostávamos muito que viesse para a peça”. Foi no palco da Trindade, logo aí adicionou um fator de nervosismo. Entra-se em palco e depois estavam meia dúzia de pessoas na audiência, o Diogo Infante, o Hélder, a Angela Pinto, mais outras tantas pessoas que já nem me lembro quem é que eram, porque eu já estava tão nervoso…
Depois eles contactaram a minha agência a dizer que gostavam muito que eu participasse neste projeto, aliás na altura estava a filmar um filme de estudantes e ligaram-me durante as gravações para dizer que eu tinha ficado. Foi logo uma festa também no set de gravações, ficou toda a gente muito feliz por mim.
Como foi o primeiro encontro em que se juntou todo o vasto elenco?
Foi na leitura de mesa com toda a gente. Tivemos outros pequenos encontros, mas não foi com toda a gente, quando fomos tirar as medidas e experimentar os fatos já nos estávamos a cruzar e a passar uns pelos outros. Portanto, a leitura foi assim o primeiro momento com os atores todos, na altura o Virgílio ainda não fazia parte do elenco, foi adicionado ao elenco mais tarde, mas o resto do pessoal já lá estava todo e foi assim o primeiro momento, ‘estamos aqui e vamos realmente fazer isto’. Vi o filme, mas evitei ver outra vez para não tentar fazer algo que seria inalcançável no meio que nós temos.

Já conhecia o Diogo Infante, como a figura super respeitada no meio…
Ele é amigo da minha mãe, de toda a vida e então já nos conhecíamos, mas amigos são amigos, trabalho é trabalho. Somos completamente profissionais nesse sentido, o Diogo tem sido incrível para nós todos, a maneira como ele trabalha. Somos oito rapazes, oito alunos.
O Diogo diz-nos que está satisfeito, mas não fica complacente. Todos os dias tem notas do que aconteceu, vai aos nossos camarins para nos dar informações, quer sejam coisas de representação ou coisas mais técnicas, do género ‘ontem quando estavam a descer as escadas atrás do palco ouviu-se um bocadinho mais de barulho e depois ouve-se em palco, tenham cuidado com isso’. Ele é muito preciosista!
Tem alguma espécie de ritual quando entra em palco, o camarim tem decoração especial?
No nosso camarim, eu partilho o camarim, as nossas maquilhagens e as coisas para o cabelo, está tudo assim muito organizado, não temos assim nenhuma decoração especial de camarim, mas vamos ter de arranjar. Isto até dezembro, vamos ter tempo para decorar.
Vão estar a trabalhar ininterruptamente até ao fim do ano?
Fazemos uma pausa de um mês em agosto de um mês. E no início de 2027 seguimos para o Porto, todo o janeiro.
Ainda em relação ao Clube dos Poetas Mortos, o Virgílio Castelo também é uma pessoa que conhece desde sempre.
No elenco é uma grande mais-valia, quer seja o Diogo Infante, o Diogo Mesquita, o Virgílio, pessoas com muita experiência de teatro, só adiciona coisas positivas, porque há sempre partilha de ideias, há sempre boas notas a tirar do que eles fazem, portanto, este tipo de adições é algo com que nós ficamos muito felizes que haja, porque só ajuda bastante.

Qual é a sua música preferida do Luís Represas ou Trovante?
A favorita, acho que é do Trovante, até acho que nem é mesmo do meu pai, ‘A balada das sete saias’, é assim aquela música que quando eles tocam, eu adoro adoro!
Certamente já ouviu a Margarida Pinto Correia na rádio…
Já, já, já, então ela ainda agora estes anos esteve na rádio e ainda faz podcast, ela está super envolvida, já a ouvi bastantes vezes. Nós brincamos sempre muito lá em casa, aquela mudança automática que ela faz quando está a dar entrevistas ou quando põe a voz de locutora, brincamos sempre muito com isso cá, mas sim, é uma grande voz.
Continua a viver com a mãe?
Neste momento, sim, estou a viver com a minha mãe, com o meu irmão, o meu padrasto, estamos por cá em Lisboa.
Aquele momento em que sobem para as secretárias e dizem “oh captain, my captain”…
É, é o momento da peça! Tem toda aquela magia e ainda não perdeu a emoção, temos sempre os olhos um pouco aguados quando subimos. Tem sido muito bonito, esse momento.
Na noite de estreia da peça, acabaram todos em lágrimas?
Sim, sim, ficou toda a gente muito emocionada por ver o que tínhamos construído e o que tínhamos feito. É sempre um trabalho de equipa e acho que ficou toda a gente feliz com o que entregámos. E o mais importante também é percebermos que toda a gente que vai ver a peça tem o mesmo direito de receber a emoção da estreia.
A mãe, o pai, os irmãos, a namorada, já todos viram?
Já sim! Gostaram todos muito e gostaram do que a encenação, do que os atores entregaram e do que a peça lhes trouxe de volta.
A sua mãe sempre usou um brinco diferente, mesmo quando apresentava os jornais televisivos. No dia em que ela fez anos, a 30 de Abril, também escreveu que agradece por ela ter tantos brincos porque assim foi podendo usar.
Aquelas coisas que foram passando ao longo da vida, foi quase inconsciente, eu adoro isso, adoro ter um brinco assim mais curto ou mais longo, ter brincos diferentes. Só depois de furar as orelhas e começar a usar brincos é que eu realmente percebi ‘epá, espera lá, eu apanhei isto dela, eu apanhei isto de a ver fazer isso sempre’. É muito engraçado ir ver entrevistas antigas dela e perceber que tenho este e aquele brinco, que usei recentemente, então, é muito giro ver esses throwbacks.
O que é que pretende para a carreira, para a vida, pensa em casamento?
Ainda não, acho que nem eu, nem ela estamos numa fase da vida em que nos podemos dar ao luxo de pensar em casamento. Infelizmente, a vida, cá em Portugal, como todos sabemos, está difícil. Mas tenho… Sempre quis ter filhos e casar eventualmente, mais ter filhos do que casar, mas obviamente faz parte da nossa cultura também essa junção. Quando o momento chegar, quando eu sentir que estou pronto e quando Portugal estiver a um nível económico em que seja fácil conseguir isso é algo realmente que eu quero.
Para a carreira, eu gosto muito de trabalhar e estar cá em Portugal, mas não vou negar que tenho as minhas vistas no estrangeiro, gostava muito de fazer projetos internacionais. Aliás, o facto de ter estado a estudar lá fora, dá-me esse bichinho de querer ir trabalhar também com realizadores estrangeiros então quero ser assim um ator do mundo. Nunca deixar Portugal, no sentido de voltar sempre a trabalhar cá e continuar em projetos giros, mas conseguir também começar a fazer projetos lá fora e envolver-me um bocado nessa dinâmica mundial.
Continuar também nas novelas e séries cá em Portugal?
Sim, eu acho que todos esses tipos de trabalhos são legítimos e todos trazem coisas diferentes. Os Morangos deram-me uma grande estaleca, porque aquilo nem foi em formato novela, foi em formato série, e então deu-me um nível de responsabilidade. Também já fiz novelas, a Vitória, A Protegida, deu-me a perceber que o ritmo da novela é completamente diferente do ritmo de série e deu-me assim um respeito pelas novelas que honestamente eu ainda não tinha. É um trabalho difícil fazer novelas, é muito puxado para os atores, porque se está lá o dia inteiro a gravar 40 cenas, tudo de seguida, e uma pessoa tem que estar prontíssima a trocar as emoções. Acabou de fazer uma cena de risos e depois está num hospital a chorar a morte do marido, portanto é uma mudança completamente diferente que eu gostei muito.
Como é a relação com o assédio do público, nas redes sociais?
Tive pessoas que me mandaram mensagem a dizer que ‘ah eu estava numa relação tóxica e não me tinha percebido e ver a tua personagem e ver o que tu fizeste ajudou-me realmente a perceber a situação em que eu estava na minha relação e o que estava a acontecer, portanto, muito obrigado, devo-te a ti isso e à sua personagem’. Relativamente a sair à noite e a ser assediado pelos fãs, eu tenho a sorte de ser muito amigo do Rui Pedro Silva e então, acaba por lhe calhar essas fãs e essas coisas e eu consigo sempre esquivar-me assim um bocadinho. Mas já fui reconhecido e já tirei algumas fotos e estou sempre disponível para isso!