Exclusivo – Duarte Gomes é reforço do desporto da CMTV: o antigo árbitro que denunciou a arbitragem em Portugal
O ex-Diretor Técnico Nacional da Arbitragem chega ao canal em plena investigação sobre nomeações...
Duarte Gomes, antigo árbitro de futebol, prepara-se para uma nova etapa na sua carreira, agora como reforço do desporto da CMTV.
Esta contratação da Medialivre acontece num momento de grande turbulência para a arbitragem nacional, com o seu nome ligado a um caso polémico que continua a dar que falar, mas já lá vamos.
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A Polícia Judiciária (PJ) abriu, a 12 de setembro de 2026, um inquérito criminal para investigar suspeitas sobre o processo de escolha e nomeação de árbitros para jogos da I Liga. As alegadas fugas de informação e o conhecimento antecipado de nomeações, sobretudo na reta final da temporada 2025/26, estão no centro da investigação. Há referências a pessoas ligadas à estrutura do Conselho de Arbitragem e ao universo do Estrela da Amadora, mas a investigação ainda decorre.
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Nesse mesmo mês, Duarte Gomes revelou, numa entrevista à RTP Antena 1, que já tinha sido ouvido pela PJ no âmbito deste processo. Foi a primeira vez que falou abertamente sobre a sua saída da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), utilizando uma expressão forte: “Saí por quebra de confiança.” Explicou que encontrou “elementos probatórios de condutas” com as quais não se revia e que considerava de “grande gravidade institucional”.
A sua demissão do cargo de Diretor Técnico Nacional da Arbitragem, em junho de 2026, deu o mote para esta crise. Menos de um ano antes, em julho de 2025, Pedro Proença, presidente da FPF, tinha-o escolhido para esta nova função. A ideia passava por separar a gestão e o poder político das nomeações da área puramente técnica. Duarte Gomes ficaria responsável pelo treino, preparação, uniformização de critérios, recrutamento e deteção de talento, num projeto com um horizonte de 12 anos.
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No entanto, tudo mudou, e Duarte Gomes explicou que, no final da época 2025/26, um árbitro profissional transmitiu-lhe informações que considerou de “elevada gravidade institucional”. Após investigar internamente, concluiu que não era possível manter o nível de confiança necessário para continuar no cargo e demitiu-se. No comunicado que divulgou, fez questão de sublinhar que não colocou em causa a honra ou reputação de pessoas ou instituições, nem tornou públicos nomes ou circunstâncias específicas.
A história ganhou outra dimensão quando Luciano Gonçalves, presidente do Conselho de Arbitragem, apresentou uma participação relacionada com os motivos da saída de Duarte Gomes. A FPF remeteu então os factos para o Ministério Público, ao abrigo do regime jurídico da integridade do desporto. O Conselho de Justiça da FPF também abriu um processo de inquérito a Luciano Gonçalves na sequência da participação. O caso deixou de ser uma mera discussão televisiva para entrar na esfera institucional e judicial.
Apesar de tudo isto, temos de destacar a carreira de Duarte Gomes que é longa e recheada. Nascido a 16 de janeiro de 1973, no Funchal, Madeira, ligou-se à Associação de Futebol de Lisboa após se mudar para o continente para estudar. Entrou na arbitragem na época 1991/92, com apenas 18 anos. Numa retrospetiva que publicou este ano, contou que foram 25 anos ininterruptos e perto de 2.000 jogos, desde os escalões inferiores ao futebol internacional.
A progressão foi notável: em 1997/98 subiu à primeira categoria e, a 4 de janeiro de 1998, estreou-se na então I Divisão, num Vitória de Setúbal-Farense (4-1). Em 2002, entrou no quadro internacional da FIFA. A época 2006/07 marcou um dos pontos altos, terminando como árbitro do ano na Liga. Recebeu distinções da imprensa, sendo considerado Árbitro do Ano duas vezes pelo Público e pela Rádio Renascença, e uma vez pela A Bola, Record e Correio da Manhã.
Contudo, o seu nome ficou indelévelmente ligado a um jogo: o Benfica-Sporting de 15 de dezembro de 2001, que terminou 2-2. A grande discussão girou em torno de um penálti assinalado sobre Mário Jardel, por alegada falta de Caneira. Anos depois, o Record classificou a decisão como um “erro grave”. Em 2024, Marco Caneira atirou que Duarte Gomes tinha consciência de que não existira penálti. Este lance tornou-se uma “marca” da sua carreira.
Ao longo dos anos, arbitrou inúmeros jogos dos “grandes” e esteve envolvido em polémicas institucionais. Em 2003, Filipe Soares Franco, então presidente do Sporting, acusou Pinto da Costa de ter “vetado” Duarte Gomes para um FC Porto-Sporting. O seu nome também surgiu associado ao processo ‘Apito Dourado’, mas apenas como testemunha em tribunal, na defesa do árbitro Valente Mendes, que acabou absolvido. Nunca foi acusado ou condenado.
Uma característica que o distinguiu foi a sua abertura para falar publicamente sobre decisões. Em 2011, após rever um lance de Belluschi, do FC Porto, admitiu: “Sim, penálti, e sim, falhei.” Defendia uma arbitragem mais “humanizada”, assumindo que os árbitros erram. Fora do campo, tinha uma presença ativa no Facebook, algo raro entre árbitros profissionais na altura, e a imprensa descrevia-o como comunicativo e bem-humorado, apaixonado por teatro e cinema.
A sua carreira internacional foi igualmente notável. Com as insígnias FIFA desde 2002, realizou mais de 100 jogos internacionais. Desempenhou funções de árbitro assistente adicional, ou árbitro de baliza, em grandes competições. Esteve em três quartos-de-final e uma meia-final da ‘Liga dos Campeões’, culminando na final de 2012, em Munique. No ‘Euro 2012’, integrou a equipa de arbitragem de Pedro Proença na final, em Kiev, entre Espanha e Itália. Em Portugal, arbitrou a final da Taça de Portugal de 2006 (Vitória de Setúbal-FC Porto) e uma Supertaça Cândido de Oliveira.
A carreira começou a aproximar-se do fim em 2015, devido a problemas físicos. Em setembro desse ano, já estava inativo e abdicou das insígnias FIFA, aos 42 anos. Em janeiro de 2016, a notícia do seu abandono definitivo da arbitragem, por razões físicas e falta de perspetivas internacionais, confirmou-se. No total, foram 25 anos de arbitragem, com mais de 200 jogos na I Liga, quase 500 no futebol profissional e 100 internacionais.
Pouco depois de deixar os relvados, Duarte Gomes recebeu um convite do Grupo Impresa para ser comentador. Contou que a proposta surgiu no início de 2016, através de Alcides Vieira, então diretor de informação da SIC Notícias. Hesitou, por considerar a transição de árbitro para comentador um “salto demasiado arriscado”, mas acabou por aceitar. Tornou-se uma presença regular na televisão, analisando decisões, penáltis, cartões, foras de jogo, VAR e lances polémicos dos grandes clubes. Em algumas ocasiões, chegou a reconhecer publicamente erros cometidos quando ainda estava no ativo.
Agora, Duarte Gomes entra em cena na CMTV, mas ainda não sabemos quando é que será a sua estreia.