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“Foi feito por IA”: Jodie Foster lança duras críticas ao argumento do filme “F1”

No Aspen Ideas Festival, Jodie Foster aponta falta de originalidade no sucesso de Brad Pitt

A consagrada atriz utilizou o recente êxito cinematográfico da Apple como exemplo de produções que parecem seguir guiões automatizados.

O impacto da Inteligência Artificial em Hollywood continua a suscitar acesos debates entre as grandes estrelas do cinema pois, durante uma conferência no Aspen Ideas Festival, no Colorado, a atriz Jodie Foster partilhou as suas reflexões sobre o futuro da indústria do entretenimento e acabou por colocar o filme “F1”, protagonizado por Brad Pitt, no centro de uma avaliação crítica que está a agitar o meio cinematográfico.

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A conversa, que contou também com a presença de Michael Lynton, antigo executivo da Sony, abordou os limites e os riscos da evolução tecnológica na criação artística. “Se conseguirmos dominar a IA de forma consistente ao longo do tempo, sim, criaremos coisas que refletem quem somos e poderemos fazer coisas melhores. Será que conseguiremos dominar a tecnologia? Essa tecnologia específica, por mais do que dois anos? Não sei”, equacionou a vencedora de dois Óscares, em declarações citadas pela revista The Hollywood Reporter.

Instada a comentar se as novas ferramentas digitais poderiam eventualmente substituir o trabalho de argumentistas e atores, Jodie Foster defendeu que a indústria já se encontra numa fase de transição visível no ecrã. “Já estamos a fazer isso. A trocar rostos e todas as coisas que vocês conseguem fazer no iPhone – nós conseguimos fazer ainda melhor com pessoas de gabarito”, alertou.

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Para sustentar o seu ponto de vista, a realizadora e atriz recorreu ao caso concreto de “F1”, a produção da Apple que se tornou um fenómeno de bilheteira a nível mundial, apontando uma suposta falta de alma e originalidade na escrita e na prestação do elenco. “É uma ideia estranha, como trabalhar com esta tecnologia, que nós criámos para nos ajudar. Às vezes, penso em filmes que já foram lançados e acho… não digo isto de forma depreciativa — como poderia? Este filme acabou por render milhões de dólares, mas vejam um filme como ‘F1’. Fiquei a pensar: ‘F1’ foi feito por IA. Não foi?”, questionou a artista perante a plateia.

Jodie Foster detalhou os motivos que a levaram a estabelecer este paralelismo, criticando a previsibilidade com que a narrativa foi conduzida. “A estrutura era exatamente aquela que se aprende na escola. Os atores dizem as falas exatamente da forma como seriam escritas se um computador estivesse a escrever o que seria o ideal para aquele momento. E conseguiram dominar a tecnologia para criar algo grandioso e belo – e que, potencialmente, tem grande parte da sua informação vinda de outras fontes”, concluiu a atriz, estabelecendo uma clara distinção entre o mérito técnico da obra – que chegou a arrecadar a estatueta de Melhor Som e uma nomeação para Melhor Filme nos Óscares – e a sua essência criativa.

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