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Gracindo Jr., ator da TV Globo desde 1964, morre aos 83 anos: 60 anos de carreira dedicados à arte

A sua versatilidade levou-o a desempenhar papéis marcantes na Globo, Record e TV Manchete, incluindo em 'Dona Beja'...

Morreu esta quarta-feira, 2 de setembro de 2026, no Rio de Janeiro, Gracindo Jr., aos 83 anos.

O ator, um dos mais completos artistas brasileiros, fez parte do elenco inaugural da TV Globo e dedicou mais de 60 anos à televisão, ao teatro e ao cinema, tanto na frente como atrás das câmaras.

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O seu percurso na TV Globo começou antes mesmo da primeira transmissão. Numa entrevista ao Memória Globo, Gracindo Jr. recordou: “Eu entrei no início da TV Globo. Ela estreia em abril de 1965, mas em dezembro de 1964 eu já estava contratado”.

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Filho de Paulo Gracindo, outra figura incontornável das artes cénicas no Brasil, Gracindo Jr. estreou-se no teatro em 1961, na peça ‘A escada’, de Oswald de Andrade.

Na primeira fase das novelas da TV Globo, participou em ‘Rosinha do sobrado’, em 1965, e ‘Padre Tião’, no ano seguinte, ambas de Moisés Weltman. Mais tarde, em 1973, contracenou com o pai em ‘Os ossos do Barão’, de Jorge Andrade. A parceria familiar repetiu-se em ‘O Bem-Amado’, obra de Dias Gomes também exibida em 1973, onde Paulo Gracindo deu vida ao icónico presidente da câmara da fictícia Sucupira, Odorico Paraguaçu, enquanto o filho interpretou o golpista Jairo Portela.

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O primeiro grande desafio televisivo para Gracindo Jr. chegou em 1976, com ‘O casarão’, de Lauro César Muniz. A novela desenrolava-se em três épocas distintas — 1870, 1926 e 1976 — e ambos os Gracindos encarnaram João Maciel, o mesmo personagem em fases diferentes da vida.

Depois de uma passagem pelos bastidores da Globo, onde assumiu cargos de direção de dramaturgia, o ator experimentou uma fase artística na TV Manchete. Por lá, o seu papel mais marcante e um dos mais lembrados da carreira foi o de Antônio Sampaio, na novela ‘Dona Beja’, onde formou par romântico com Maitê Proença.

Regressou à TV Globo em 1985 e, a partir daí, acumulou participações em novelas e na direção de programas de grande sucesso da década, como a série infantil ‘Sítio do picapau amarelo’ e o humorístico ‘Os Trapalhões’. Nos anos 90, os telespetadores viram-no em ‘Deus nos acuda’, de Silvio de Abreu, em 1992, e em ‘Explode coração’, de Gloria Perez, exibida em 1995, onde também desempenhou funções de direção. Em 1999, integrou o elenco da minissérie ‘Chiquinha Gonzaga’.

Nos primeiros anos do novo milénio, Gracindo Jr. trabalhou em novelas da Globo como ‘Celebridade’ (2003), de Gilberto Braga, e ‘Como uma onda’ (2004), de Walter Negrão, antes de rumar à Record. Na emissora de São Paulo, participou em ‘Cidadão brasileiro’ (2006) e ‘Poder paralelo’ (2009), ambas de Lauro César Muniz, e na minissérie ‘Rei Davi’ (2012), de Vivian de Oliveira. Os seus últimos trabalhos incluem produções para plataformas de streaming como a HBO e a Prime Video, com um episódio da série ‘Homens’, da Amazon, como derradeiro.

No cinema, a última aparição de Gracindo Jr. foi em 2022, no filme ‘A queda’, onde interpretou o avô doente do protagonista, Daniel Rocha. Antes, construiu uma carreira profícua no grande ecrã, estreando-se em ‘Os homens que eu tive’, uma pornochanchada de 1973. Integrou o elenco de filmes dos Trapalhões, alguns dos maiores êxitos de bilheteira nacional, como ‘Os Trapalhões na Serra Pelada’ (1982) e ‘O Trapalhão na Arca de Noé’ (1983). Outros sucessos incluem ‘Bufo e Spalanzani’ (2001) e ‘Primo Basílio’ (2006).

A sua experiência estendeu-se à atuação e direção teatral, tendo inclusivamente passado quatro meses em Portugal a dirigir a peça ‘É’, de Millôr Fernandes. Em 1980, Gracindo Jr. homenageou o pai com a peça ‘Paulo Gracindo, meu pai’, que ele próprio escreveu para celebrar os 50 anos de carreira do progenitor.

Paulo Gracindo contou, em novembro de 1980, ao Globo, como a ideia surgiu: “(A peça) Nasceu um pouco dos papos que batemos em Sepetiba, nos intervalos das gravações de ‘O Bem Amado'”. E acrescentou, sobre a génese do projeto: “Sempre ficámos a remoer histórias, eu, o Lima Duarte, o Rogério Fróes e o Régis Cardoso, e um dia o Rogério disse-me: ‘Se nós gostamos tanto de ouvir estas histórias, o público também vai gostar. Eu também tinha uma dívida com o meu filho, que seria dar-lhe a oportunidade de ele dirigir um espetáculo mais ou menos assim'”.

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