Justiça condena Chris Brown por negligência após ataque de cão.. em vários milhões
Cantor terá de indemnizar ex-funcionária em mais de 12 milhões de dólares e família em valores adicionais.

A Justiça da Califórnia condenou Chris Brown a pagar 12,9 milhões de dólares (o equivalente a R$ 67 milhões) em indemnização.
O valor destina-se a Maria Avila, a sua antiga governanta, que em 2020 foi atacada por um cão de guarda numa propriedade do artista em Tarzana, Los Angeles.
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Maria Avila trabalhava na residência quando foi surpreendida por Hades, um pastor-do-cáucaso que Brown usava para a segurança da casa. Os ferimentos foram graves: a funcionária ficou com o braço e o rosto desfigurados, precisou de dezenas de pontos e foi submetida a enxertos de pele, retirados do abdómen, para reconstruir o braço. A ex-governanta relatou ainda ter desenvolvido transtorno de stress pós-traumático e danos nos nervos.
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Brown estava na casa no momento do ataque. Contou em tribunal que, depois de o animal ferir Avila, o colocou num canil. Um segurança chamou a ambulância, mas o cantor saiu do local antes da chegada do socorro.
O rapper, de 37 anos, justificou a sua saída à Justiça, atirando que queria evitar “um circo midiático por causa do meu status como artista… então fui aconselhado a me manter afastado”.
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Apesar de reconhecer a negligência, Brown defendeu que tinha alertado Maria Avila e a irmã dela, Patricia, para não saírem da casa sem o avisar, devido ao perigo que Hades representava. As duas negaram em tribunal ter recebido essa orientação. O cantor também contestou a gravidade dos ferimentos sofridos pela funcionária.
Maria Avila apresentou a ação em 2021, mas o julgamento só agora terminou. O júri deu razão à família. Além dos 12,9 milhões de dólares para Maria Avila, a revista americana Billboard avança que Patricia Avila vai receber 885 mil dólares por danos emocionais, enquanto Oscar Olivo, marido de Maria, foi indemnizado em 50 mil dólares.
Michael C. Murphy Jr., advogado de Patricia Avila, disse à *Rolling Stone* que a equipa jurídica está “muito satisfeita por termos conseguido fazer justiça para nossa cliente, Patricia. Estamos muito felizes por ela e por sua família, depois de tudo o que passaram naquele dia horrível”.
Este episódio soma-se a uma longa lista de processos e problemas judiciais que envolvem Chris Brown. Apesar de ser um dos nomes mais populares do R&B, com oito discos de platina nos EUA e em digressão com Usher, o seu historial é marcado pela polémica.
Em 2009, foi detido por agredir Rihanna, então a sua namorada, depois de admitir a culpa, foi condenado a serviços comunitários, uma ordem de restrição e liberdade condicional durante cinco anos. Acabaria preso por 131 dias em 2014, por violar as condições da pena.
Dois anos depois, chegou a um acordo extrajudicial num processo movido por um ex-empresário que o acusava de agressão. Em 2017, a ex-namorada Karrueche Tran conseguiu uma ordem de restrição contra o artista na Justiça.
Mais recentemente, em 2023, Brown foi acusado de agredir o produtor musical Abraham Diaw num clube privado em Mayfair, Londres. Foi detido em 2025 e responde por uma acusação de lesão corporal grave com intenção de causar dano. O cantor declarou-se inocente, e o julgamento está agendado para 26 de outubro no Tribunal da Coroa de Southwark. O processo inclui também Omololu Akinlolu, conhecido como HoodyBaby.
Brown, por seu lado, também moveu uma ação contra uma mulher que o acusou de violação num iate, em Miami, em 2020, alegando difamação. Tentou ainda processar em 500 milhões de dólares os produtores do documentário “Chris Brown: uma história de violência” (2024). Um juiz rejeitou esta ação em janeiro, por entender que o filme abordava o caso de forma equilibrada, mas autorizou o prosseguimento da ação movida pelo cantor.