Katia Aveiro emociona-se com filme português e recorda traumas do pai na guerra colonial
Katia Aveiro recordou os traumas e a falta de apoio dados ao seu falecido pai, ex-combatente na guerra colonial, após assistir a um filme português.
Katia Aveiro está de regresso ao Brasil depois de ter passado alguns dias em Portugal.
Durante a viagem, a empresária recorreu à sua página de Instagram para partilhar uma reflexão emotiva após ter assistido ao filme português “A Memória do Cheiro das Coisas”, estreado em 2025.
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A longa-metragem retrata o drama de um veterano da guerra colonial que, forçado a viver num lar de idosos, enfrenta os fantasmas do passado e cria um vínculo inesperado com a sua cuidadora. A história tocou profundamente a irmã de Cristiano Ronaldo, que reviu no ecrã o sofrimento do seu falecido pai, Dinis Aveiro.
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“Um filme português na lista dos filmes da TAP. «A Memória do Cheiro das Coisas». Sobre um ex-combatente da guerra colonial. (Como foi o meu pai). Angola. Que incrível. Voltei atrás. Aos traumas do meu pai, aos vícios que um ex-combatente enfrenta depois do cenário que viveu. História verídica. Vale a pena ver”, começou por escrever na rede social.
A madeirense não escondeu a mágoa pela falta de acompanhamento que os militares portugueses enfrentaram no regresso ao país. “O sr. Arménio fala a história deles todos. Voltaram a Portugal. Zero apoio. Zero psicólogo. Zero terapia. Como é que alguém sobrevive a um pós-guerra? Eu e os meus irmãos somos filhos dessa guerra interna, uma guerra que começou em 1974, ele com 21 anos, e só acabou dentro de um caixão aos 52 anos. O vício é que o matou. O vício era a terapia que ele nunca teve”, desabafou.
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No mesmo tom de lamento sobre as lacunas do Estado na altura, acrescentou: “Se eu soubesse no passado que terapia existia, que psicologia existia, que um governo tinha obrigação de amparar estas famílias. Se eu soubesse”.
Para finalizar a sua partilha, Katia Aveiro destacou um pormenor físico do protagonista da película, interpretado pelo ator José Martins, que lhe trouxe recordações diretas. “O meu pai tinha uma igual. Todos, ou quase todos, tinham. Tinham tatuado no corpo e na alma”, concluiu, referindo-se a uma tatuagem que marcou aquela geração de antigos combatentes.