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Luto na música: Morreu Arlene Smith, a voz marcante que marcou a década de 1950

Aos 84 anos, parte Arlene Smith, a voz pioneira e fundadora do grupo feminino The Chantels

Notabilizada como vocalista principal do grupo The Chantels, a artista foi uma das pioneiras na afirmação das vozes femininas no rock e R&B.

A música norte-americana está de luto pelo falecimento de Arlene Smith, fundadora e vocalista principal das Chantels, um dos primeiros grupos femininos a alcançar grande visibilidade na década de 1950. A artista morreu aos 84 anos, na sequência de um ataque cardíaco num hospital em Nova Iorque, segundo confirmou o seu agente e amigo próximo, Paul Errante.

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A ascensão de Arlene Smith e das Chantels deu-se num contexto em que a indústria musical era amplamente dominada por formações vocais masculinas. “A minha ideia era: não são só os rapazes que conseguem fazer isto“, declarou a cantora sobre a determinação em afirmar a sua presença no meio artístico.

O maior êxito da formação surgiu em 1958 com o tema “Maybe”, gravado num estúdio improvisado numa igreja em Manhattan. A canção, que exigiu mais de meia centena de repetições durante as gravações, tornou-se um sucesso de vendas ao ultrapassar um milhão de cópias e integrar o Top 20 da época.

O tema viria a ser imortalizado e reeditado por diversos nomes da música mundial, como Janis Joplin e o grupo The Three Degrees.

A importância do tema ficou igualmente registada na imprensa da especialidade, que na altura destacava a interpretação da artista: “Com ‘Maybe’, Arlene Smith imbuiu a sua voz de tanta ingenuidade determinada que transformou toda a ansiedade de uma relação condenada num desejo fervoroso pelo seu renascimento“.

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Em 2002, o grupo foi integrado no Vocal Group Hall of Fame, vendo a canção “Maybe” figurar na prestigiada lista das 500 melhores canções de sempre da revista Rolling Stone.

O percurso do grupo começou no início dos anos 1950, no bairro do Bronx, em Nova Iorque onde Arlene Smith conheceu as colegas Sonia Goring, Renée Minus, Jackie Landry e Lois Harris no coro da Escola de Santo António de Pádua.

Inspiradas pelo nome de uma instituição de ensino rival, a St. Frances de Chantal, as jovens desenvolveram um estilo vocal trabalhado e influenciado pelo canto gregoriano. Apesar de sucessos posteriores como “Every Night (I Pray)” e “Look In My Eyes”, o grupo enfrentou as barreiras e injustiças da indústria da época.

Por ser uma mulher negra, o seu nome começou por ser omitido dos créditos da autoria de “Maybe” e a imagem do grupo chegou a ser retirada da capa do álbum de estreia, “We Are the Chantels”, para dar lugar à fotografia de dois jovens brancos. “Havia muita coisa a acontecer no país“, recordou a cantora ao The New York Times em 1995, admitindo que “havia muito a ultrapassar“, mas realçando a sua atração por arranjos com “harmonias tão ricas e plenas“.

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Arlene Smith desligou-se do grupo original em 1959, numa altura em que a editora da formação entrou em falência.

Embora tenha chegado a colaborar com o produtor Phil Spector no lançamento do single “Love, Love, Love”, acabou por afastar-se do grande público, regressando aos palcos nos anos 1970 com uma nova formação de apoio. O legado de Arlene Smith e das Chantels permanece como a base que permitiu o surgimento posterior de grupos como as Shirelles, as Ronettes e as Crystals.

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