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Margarida Corceiro consolida carreira internacional como protagonista do filme “Todo lo que nunca fuimos”

Margarida Corceiro consolida o percurso internacional como protagonista do filme "Todo lo que nunca fuimos", contracenando com o espanhol Maxi Iglesias.

A transposição de uma obra literária para o cinema acarreta sempre o complexo desafio de materializar no ecrã o imaginário de milhares de leitores.

A escolha do elenco dita, frequentemente, o sucesso ou o fracasso de uma adaptação desta natureza. No caso do filme “Todo lo que nunca fuimos”, baseado no popular romance da escritora Alice Kellen, a receção pública inicial parece atestar a superação dessa barreira. A longa-metragem, que estreou nas salas de cinema portuguesas a 5 de junho de 2026, traz à vida os protagonistas Axel e Leah, interpretados pelo espanhol Maxi Iglesias e pela atriz portuguesa Margarida Corceiro.

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Se Maxi Iglesias detém já um percurso sólido no mercado ibérico e além-fronteiras, Margarida Corceiro encontra-se numa fase de evidente expansão internacional. A atriz havia dado o primeiro passo na indústria espanhola através da série “Punto Nemo”, uma coprodução lançada na Prime Video em março de 2025 e cuja segunda temporada chegou aos ecrãs em abril de 2026, onde contracenou precisamente com o ator madrileno. O atual projeto cinematográfico assume-se, contudo, como um ponto de viragem assinalável na sua trajetória.

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O mediatismo gerado em torno da película projetou-a inclusivamente para o estatuto de protagonista da capa digital da revista Cosmopolitan, espelhando a sua afirmação no panorama do entretenimento.

Nos bastidores da referida produção editorial, Margarida Corceiro revelou que o interesse pela indústria audiovisual se manifestou desde tenra idade. O seu trajeto profissional, no entanto, arrancou no setor da moda, uma plataforma que lhe permitiu cofundar a sua própria linha de vestuário balnear, a Missus Swimsuits, e assegurar o papel de embaixadora para diversas marcas de cosmética, como a Vichy. Essa familiaridade prévia com o mundo da imagem traduz-se agora na desenvoltura que demonstra perante os holofotes e as objetivas.

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O perfil da personagem desenhada pela autora literária encontrou o eco ideal nas características e expressividade da atriz, fatores decisivos para a sua seleção. Nas plataformas digitais, onde a portuguesa acumula uma plateia superior a dois milhões de seguidores, a aprovação do casting foi imediata. Numa das publicações onde surge com o colega de elenco, uma admiradora resumiu o sentimento de grande parte dos leitores: “Não havia ninguém melhor do que tu para interpretar a Leah”. A narrativa central acompanha a evolução de Leah, uma jovem com vocação para a pintura cuja existência colapsa após a morte trágica dos pais num acidente de viação. Submersa num quadro de apatia e ansiedade, acaba entregue aos cuidados de Axel, o melhor amigo do seu irmão Oliver (papel a cargo de Sebastián Zurita), o que desencadeia uma forte, embora improvável, ligação afetiva.

Apesar dos incentivos da comunidade de fãs, a jovem atriz admite o natural nervosismo perante o peso de encarnar uma protagonista adorada por uma legião de leitores. “Ao início, tinha algum receio. Sabia que era um ‘bestseller’, mas quando anunciámos que o filme ia avançar, percebemos a dimensão. O Maxi Iglesias e eu ficámos tipo: ‘Uf, não sei como vamos fazer isto’. Mandavam-nos comentários e até tatuagens com a capa do livro. Por um lado, que me vejam como a Leah é uma honra, mas também dá um pouco de medo. Espero que todos esses fãs gostem”, confessou Margarida Corceiro. A boa recetividade da dupla reflete também a dinâmica alcançada nos bastidores, especialmente durante as exigentes sessões noturnas. “Durante várias semanas seguidas, tivemos de rodar à noite, e eu odeio isso. Caía de sono e o Maxi Iglesias deu-me um truque para não adormecer e praticar espanhol. É um colega maravilhoso. Dizia-me: ‘Vamos fazer um jogo: tens de dizer palavras para praticares o teu espanhol. Diz-me, por exemplo, profissões com a letra M’. Era um bom jogo!”, partilhou.

A complexidade técnica das gravações introduziu ainda outros obstáculos, em especial nas sequências filmadas na região do País Basco. “Há uma sequência que rodámos numa piscina que foi muito complicada, porque eu não conseguia flutuar. Tinha de controlar o corpo para que não se movesse, pois o plano da câmara era muito limitado, tinha de estar numa posição fixa o tempo todo e não fazer bolhas com o nariz”, detalhou a atriz sobre as exigências físicas da rodagem. Estabelecendo o contraste entre a sua própria essência e a de Leah, Margarida Corceiro afirma não partilhar do mesmo talento para as artes plásticas, optando antes pela música nos momentos de lazer. “Adoro ir com os meus amigos a um karaoke. A música ajuda a expressar até o que não sabemos que sentimos”, referiu.

Consciente do exigente escrutínio a que está exposta e da influência da aparência no circuito audiovisual, a atriz portuguesa mantém um olhar pragmático sobre os privilégios e os desafios decorrentes da fama. “Sei que a minha imagem me abre muitas portas e tenho sorte por isso. Mas, para aproveitar, temos de trabalhar muito. Na verdade, acho que temos de trabalhar ainda mais para demonstrar que merecemos de verdade”, observou. Perspetivando os próximos passos no mundo da representação, Margarida Corceiro elege a persistência como alicerce fundamental: “Para mim, a chave do sucesso é a constância e poder fazer o que me entusiasma. Continuar a escolher personagens que me desafiem e continuar a divertir-me”.

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