O internacional francês justificou o gesto com o desejo de homenagear todos os imigrantes que perderam a vida, recusando instrumentalizações políticas.
A vitória do Real Madrid frente ao Elche, por 3-2, na passada terça-feira, acabou ofuscada por uma intensa polémica fora das quatro linhas. Momentos antes do apito inicial, Kylian Mbappé, Vinícius Jr. e Ibrahima Konaté recusaram-se a exibir uma camisola com uma mensagem de apoio a Ceuta, desencadeando um forte debate que envolveu dirigentes desportivos e líderes políticos.
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A iniciativa, promovida pela Associação Valenciana de Empresários em resposta à recente crise migratória que levou 70 mil pessoas a entrarem no enclave em apenas dois dias, previa que os titulares de ambas as equipas subissem ao relvado com a frase “solidariedade com a cidade autónoma de Ceuta” estampada no peito. Contudo, Mbappé e Vinícius Jr. optaram por dobrar a peça de roupa para ocultar a inscrição, enquanto Konaté limitou-se a segurar a t-shirt nas mãos. Foram os únicos em campo a não alinhar na ação.
O ato gerou de imediato reações em vários quadrantes da sociedade espanhola. Ester Muñoz, do Partido Popular, classificou o comportamento do trio como uma “vergonha alheia”, ao passo que a ministra Milagros Tolón considerou tratar-se apenas de uma “decisão pessoal”.
No plano institucional, o presidente da Liga espanhola, Javier Tebas, apontou a atitude como “errada”, vincando que a homenagem não era um momento para “manifestar a opinião pessoal”. A claque “Ultras Sur” exigiu mesmo um pedido de desculpas e a demissão de Florentino Pérez. Em defesa dos atletas, fonte do Real Madrid garantiu à Reuters que o emblema respeita a liberdade de expressão, ainda que as visões “não coincidam com a posição do clube“.
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Perante o avolumar das críticas, Kylian Mbappé decidiu justificar o posicionamento, rejeitando qualquer falta de empatia para com a população espanhola. “Não era uma posição nada fácil, difícil, porque, no fundo, as pessoas podem pensar que estou contra o povo de Ceuta, mas não, de todo. Não tenho absolutamente nada contra eles e apoio-os a 100%. Mas também queria ter um pensamento para todas as pessoas que sofrem, porque, no fim de contas, sou humano e não quero estabelecer prioridades no sofrimento“, assegurou o internacional francês.
O avançado sublinhou ainda que a intenção do grupo passava por deixar uma mensagem mais ampla. “Queria ter um gesto e um pensamento para com todos os imigrantes que perderam a vida e que também se encontram em condições difíceis“, rematou.
De acordo com informações avançadas pelo jornal El Mundo, os três futebolistas interpretaram a campanha solidária como tendo um forte cariz político, recusando assim servir de veículo para narrativas associadas a posições anti-imigração.