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Miguel Sousa Tavares critica deputados e deixa aviso sobre propostas de André Ventura

Miguel Sousa Tavares analisa política nacional: Das "loucas" no Parlamento à "conspiração cinzenta"

No podcast “Viva Voz”, Miguel Sousa Tavares alertou para o ‘perigo’ da proposta de André Ventura sobre a descida da idade da reforma, considerando-a uma manobra que levaria o país à falência.

Miguel Sousa Tavares analisou a atualidade política nacional no podcast “Viva Voz”, conduzido por Paula Santos onde, o jornalista não poupou nas críticas ao ambiente de constante crispação que se vive na Assembleia da República e deixou um sério aviso sobre as recentes propostas do partido Chega relativas à idade da reforma.

O estado do debate parlamentar em Portugal foi o primeiro alvo de Miguel Sousa Tavares, que se confessou afastado e incomodado com a constante elevação de voz por parte dos deputados. “Eu não consigo ver uma reportagem televisiva sobre a Assembleia da República em que não haja ninguém aos gritos, e é uma coisa que me ultrapassa“, admitiu o cronista.

Para o jornalista, muitos representantes políticos estão convencidos de que o Parlamento é “uma gala das loucas mesmo, e que quanto mais alto eu gritar, mais força eu tenho” e, embora aponte André Ventura como o principal expoente deste comportamento, ressalvou que o cenário se estende a outras bancadas, dando o exemplo de Paula Santos, do PCP.

Miguel Sousa Tavares, defendeu que os eleitos deveriam ter “um bocadinho mais de maneiras” e convicção nos argumentos, rejeitando que o hemiciclo se transforme numa “discussão de futebol num café”.

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A análise centrou-se depois na controversa proposta do Chega, que sugeriu a antecipação da idade da reforma como moeda de troca para a aprovação de reformas laborais onde, Miguel Sousa Tavares foi implacável na avaliação da medida. “Eu acho que não há nada mais corrosivo da democracia do que a demagogia, nada, é a coisa mais perigosa que existe, porque destina-se a meter na cabeça de pessoas que não estão devidamente informadas ideias simples e falsas“, afirmou.

O comentador explicou que diminuir a idade da reforma numa altura em que a esperança média de vida aumenta é tentar resolver o problema com “uma progressão aritmética a tentar alcançar uma progressão geométrica“, algo que considera matematicamente impossível sem o colapso do sistema da Segurança Social.

Para Miguel Sousa Tavares, esta proposta de André Ventura não surge por desconhecimento, mas sim por puro calculismo eleitoral. “Isto consiste, mais uma vez, em tentar favorecer a classe mais velha em prejuízo da classe mais nova“, explicou, recordando o conceito de “conspiração cinzenta”.

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O cronista sublinhou que, como os reformados votam em maior percentagem, trata-se de “uma caça ao voto daqueles que votam, em detrimento daqueles que, não votando, estão indefesos“.

Rejeitando a ideia de que o líder do Chega esteja mal informado, atirou de forma assertiva: “Faço muitas críticas ao André Ventura, mas há uma que eu não faço que é chamar-lhe de estúpido. Ele é tudo menos estúpido, é tudo menos desinformado“.

O comentador recordou ainda a reforma introduzida no passado pelo ex-ministro Vieira da Silva, elogiada na Europa por indexar a idade da reforma à esperança de vida, algo que considera o único caminho sensato e, em contrapartida, alertou que a proposta do Chega, a entrar em vigor no próximo ano, faria com que cerca de cem mil pessoas saíssem antecipadamente do mercado de trabalho. “Deixavam de contribuir para a segurança social, deixavam de ser receita para o Estado, e passavam automaticamente a ser um encargo para o Estado“, concluiu, questionando ironicamente quantos anos seriam precisos para levar o país à falência.

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