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Miguel Sousa Tavares ‘condena’ ausência de Montenegro na Arménia: “Os cobardes não têm coragem para ter uma política externa a sério”

O jornalista alerta para "servidão" de Portugal aos Estados Unidos

A política externa de Luís Montenegro foi alvo de duras críticas por parte do jornalista, que não poupou nas palavras ao avaliar a cedência da base das Lajes e a aliança com Washington.

Miguel Sousa Tavares esteve no podcast “Viva Voz”, à conversa com Paula Santos, para analisar o atual panorama geopolítico, fortemente marcado pela recente cimeira de líderes europeus na Arménia e, para o cronista do Expresso, a reunião de alto nível serviu para colocar a ameaça russa de Vladimir Putin e a postura de Donald Trump “quase ao mesmo nível” de preocupação para o Velho Continente.

O comentador destacou que a Europa começou, finalmente, a despertar para a realidade da atual administração norte-americana, impulsionada por decisões recentes e polémicas de Trump, como a retirada de tropas e mísseis da Alemanha e o aumento das tarifas comerciais sobre produtos europeus de 15% para 25%.

Embora considere o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, “um fantoche do Trump”, Miguel Sousa Tavares nota uma mudança de postura em líderes de topo como Ursula von der Leyen, António Costa, Keir Starmer, Giorgia Meloni e Friedrich Merz. “Neste momento começam a perceber uma coisa (…) que o Trump é o maior inimigo da Europa, e que este profundo sono dos europeus em relação à ameaça americana, que não querem ver como ameaça, finalmente começa a ser encarada como tal“, defendeu, sublinhando que, hoje em dia, os Estados Unidos da América são “um adversário, não um aliado”.

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A ausência do primeiro-ministro português, Luís Montenegro, na cimeira da Arménia – justificada oficialmente com uma deslocação a Berlim para reunir com o chanceler alemão – mereceu as críticas mais duras por parte de Miguel Sousa Tavares pois, o cronista considerou a justificação de falta de agenda “absolutamente impensável” e apontou o dedo à postura de conveniência do Governo: “Não podemos estar na Europa apenas para receber os benefícios da Europa ou então para acompanhar a Europa naquilo que é fácil“.

Na ótica do jornalista, a verdadeira razão para a ausência de Montenegro é clara: “Ele não ia lá fazer nada porque não se atreveria a demarcar-se do Presidente dos Estados Unidos“.

A política externa portuguesa foi assim o principal alvo da indignação de Miguel Sousa Tavares, que apelidou a diplomacia nacional de cobarde face ao apoio incondicional prestado a Washington. O comentador destacou o facto de Portugal ser visto como “o aluno bem-comportado”, ajudando os norte-americanos a prosseguir uma ofensiva contra o Irão ao ceder a base das Lajes “de borla”. “Os cobardes não têm coragem para ter uma política externa a sério, que nos orgulhe. Eu, pessoalmente, sinto-me envergonhado por esta política externa“, confessou de forma implacável.

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Fazendo um paralelo histórico com o Estado Novo, o comentador de política e sociedade terminou a sua análise com um forte aviso sobre o rumo de Portugal no panorama internacional: “Não conheço nenhum episódio na história tão orgulhoso desde o ‘Orgulhosamente Sós’ de Salazar (…). Nós vamos caminhar para estar praticamente orgulhosamente sós nesta servidão aos Estados Unidos de Donald Trump“.

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