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Paulo Camacho recorda a emissão do 11 de Setembro: “Fui dos primeiros a falar em atentado”

"Aqueles primeiros minutos foram assustadores": Paulo Camacho relata o choque do 11 de Setembro em direto na SIC

Passados 25 anos sobre a queda das Torres Gémeas, o antigo pivot avalia as sequelas dos atentados que transformaram a segurança internacional e as liberdades individuais.

Paulo Camacho estava aos comandos do «Primeiro Jornal», na SIC, quando os atentados contra as Torres Gémeas paralisaram o planeta. Passado um quarto de século sobre o episódio que redefiniu a história contemporânea, o antigo jornalista recordou, em entrevista à SIC Notícias, o peso de narrar os acontecimentos numa altura em que os dados chegavam a conta-gotas aos canais informativos.

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Do ponto de vista pessoal, isto foi uma tragédia para mim e para toda a gente. Do ponto de vista profissional, foi um grande desafio (…) porque não havia informação nenhuma, o que eu estava a ver era o que os telespectadores viam em casa“, explicou o antigo rosto da informação, destacando a incerteza vivida nos momentos iniciais da transmissão.

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A complexidade de gerir o fluxo de imagens sem confirmações oficiais levou Paulo Camacho a recorrer a uma comparação com desportos de risco para descrever a sensação no estúdio: “Costumo dizer que fazer televisão em direto é mais ou menos a mesma coisa que fazer montanhismo. Uma pessoa anda perto do precipício, mas está segura, porque tem alguma experiência, tem uma equipa, tem umas cordas invisíveis que o seguram. Naquele momento, para mim, houve um tremor de terra, um abalo e eu caí para o abismo“.

A exigência aumentou à medida que o cenário em Manhattan se agravava: “Aqueles primeiros minutos foram assustadores, porque não havia informação nenhuma e eu tinha de estar a segurar uma emissão a ver a mesma coisa e a ter a mesma informação que os telespectadores“.

O cenário ganhou contornos definitivos com a aproximação e embate da segunda aeronave: “Daqueles que eu soube, fui dos primeiros a falar em atentado (…) Quando houve o segundo embate, para mim foi claro que aquilo só podia ser um atentado. Eu avancei, com muito cuidado, tive algumas reservas, mas, a certa altura, disse que não podia ser um acidente e só podia ser um atentado“.

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Ao analisar as marcas deixadas pelo terrorismo à escala planetária, o antigo pivot considerou que a data inaugurou um ciclo de retração nas garantias dos cidadãos: “Houve uma redução global da liberdade em resultado disto. Há agora uma maior dificuldade de circulação, de acesso, os serviços de segurança trabalham de uma forma mais afincada. O mundo mudou para pior. Os autores do atentado conseguiram assustar-nos e pôr-nos numa posição de reserva, de desconfiança, em relação a tudo“.

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