Psicóloga alerta para “distúrbio emocional” de menor que tentou afogar cão em Lisboa
"Falta de humanidade naquela alma": Inês Bailinha analisa apatia social em caso de crueldade animal
Na Crónica Criminal da TVI, a psicóloga analisou os aspetos comportamentais do rapaz de 12 anos e criticou a indiferença de quem gravou as imagens.
A vertente psicológica e o impacto social do caso do menor que tentou afogar um cachorro na Alta de Lisboa foram os temas centrais da intervenção da psicóloga Inês Bailinha no programa «Dois às 10». Em direto na TVI, a especialista manifestou grande preocupação com o estado mental do jovem e com a frieza demonstrada pela pessoa que registou o ato de crueldade em vídeo.
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Inês Bailinha iniciou a sua intervenção trazendo para a discussão o conceito de empatia e traçou um paralelo com outros episódios recentes de contornos internacionais. “As pessoas dizem que estão cansadas da palavra empatia, pois vai continuar a ser uma das minhas preferidas. Recentemente, nós todos vimos nos Instas e nas redes sociais e até na televisão aquela história do bungee jumping (…) no Brasil, em que atiraram a rapariga da ponte sem qualquer corda. Estavam todos a filmar. Ninguém fez… ouve-se: «não tem corda», e ninguém fez nada. Estamos numa sociedade absolutamente apática“, lamentou.
A psicóloga transpôs essa mesma leitura para o incidente no lago em Lisboa. “Esta falta de empatia voltou-se a notar aqui. Porque como é que é possível que a pessoa que está a filmar… que falta de empatia! Como é que ela vê um animal assim estrangulado? 40 minutos, que para mim 2 minutos já seria um sufoco, quanto mais 40, e não tem humanidade naquela alma? Para ir lá e depois ainda publica?“, questionou, sublinhando a gravidade do ato contínuo levado a cabo pelo rapaz.
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No que concerne ao perfil do agressor de 12 anos, a especialista descartou a hipótese de se tratar de uma mera travessura e alertou para sinais de perturbação grave, associados a traços específicos de personalidade. “Há bocado falávamos da personalidade narcisista. Com a gravidade que ela merece, eles detestam animais. Detestam. Porque a crueldade e a falta de empatia que têm dentro é tão grande que aquilo só está a estorvar ali. (…) Isto é uma criança em sofrimento profundo. Profundo“, explicou.
A psicóloga concluiu reforçando a urgência de uma intervenção psicológica estruturada para quebrar o ciclo de agressividade do menor. “Foi violência aprendida? Ou foi violência que ele assistiu de uma forma e projetou noutra? Ou foi ele sentir-se daquela maneira e é forma de expressar a raiva? Ou é falta de controlo de impulsos, mas depois há aqui algo muito perverso que é o alívio com a dor do outro. (…) Não foram 2, não foram 3 [minutos], portanto não é uma chamada de atenção, é uma criança muito perturbada emocionalmente e que tem que ser desde já acompanhada“, finalizou.
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