Sabia que Gustavo Carona esteve à beira do fim? O testemunho arrepiante e a promessa que o faz mudar de vida
O segredo que Gustavo Carona guardou durante seis anos e que agora o leva a abandonar Portugal

O médico portuense partilhou um longo testemunho onde relata a dura batalha contra uma doença crónica e o desejo de voltar aos palcos humanitários internacionais.
Gustavo Carona recorreu às suas redes sociais para partilhar com o público um testemunho de enorme vulnerabilidade e resiliência, revelando um compromisso antigo que manteve guardado até ao momento atual. “Fiz uma promessa a mim próprio que nunca contei a ninguém. No início da pandemia, por motivos de força maior o mundo tornou-se mais egoísta do que nunca. Por isso também, quem mais sofreu, como sempre, sempre, sempre… foram aqueles que mais sofriam, os mais vulneráveis, os mais pobres“, começou por contextualizar o clínico portuense.
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A dor provocada pela desigualdade social e pela miséria nos cenários de crise internacional moldou o percurso do médico, que recordou o impacto das suas experiências humanitárias. “Em 2009 quando saí da minha 1ª missão no Congo, e em todas as outras missões, sem exceção, eu prometi a mim mesmo: ‘Eu nunca me vou esquecer de vocês.’ Até agora, acho que me tenho esforçado por cumprir essa promessa“, recordou, admitindo o custo pessoal das suas escolhas. “Eu fiz mal às pessoas que mais amo por lutar pela minha visão do certo e do errado, e isso tem um nome: egoísmo.”
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Foi precisamente no início da crise sanitária global que Gustavo Carona traçou o plano que agora pretende concretizar. “Quando a pandemia acabar, eu nunca mais trabalho em Portugal como médico, vou dedicar o resto da minha vida àqueles que mais sofrem“, partilhou. Contudo, antes que pudesse avançar, a sua própria saúde cedeu. “Antes que a pandemia tivesse acabado, acabei eu, por doença. Uma doença que me torturou. Seis anos de dores. Cinco anos sem ser médico. Progressivamente cada vez mais deitado na cama, e dois anos e meio em risco de suicídio muito real“, revelou, num relato impressionante sobre o sofrimento físico e psicológico que enfrentou.
O clínico não escondeu as marcas profundas deixadas por este período de reclusão forçada num colchão e pelas sucessivas intervenções cirúrgicas. “Não tenho medo de assumir as minhas fragilidades, mesmo sabendo que jogam totalmente contra todos os aspetos da minha vida. Eu estou desfeito. Fui 10 vezes ao bloco operatório e estou cheio de mazelas“, assumiu. Apesar de a doença não ter cura, a atenção médica permitiu atenuar os sintomas mais graves, abrindo caminho para o regresso à atividade profissional. “Esta semana voltei a ser médico. Devagar, claro. […] Estou desfeito, sou uma pessoa muito diferente.”
O regresso à medicina trouxe também a urgência de cumprir o voto feito em silêncio pois, tendo o Porto como a sua “casa” e o seu “mundo”, Gustavo Carona confirmou que já se encontra a preparar a partida para os palcos internacionais, movido pelo amor à causa humanitária, mesmo contra os avisos do próprio corpo. “Eu quero ser médico e voltar a ver as minhas mãos ensanguentadas a estancar uma hemorragia de uma bala perdida numa criança no Sudão do Sul, no Iémen ou no Afeganistão, porque é lá que os meus saberes e a minha experiência são mais precisos“, asseverou.
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Com o foco renovado na ajuda humanitária, o médico concluiu a sua nota de partilha com uma mensagem de esperança, recuperando a capacidade de projetar o futuro após anos de provações. “Com o coração aos pedacinhos, mais do que voltar a ter vontade de viver, voltei a sonhar. […] O que me salvou: a ciência verdadeira e o amor verdadeiro. E são esses ingredientes que eu quero dar a quem deles mais precisa para sobreviver, ou reconquistar o seu sorriso. Ciência e Amor… a que chamamos Direitos Humanos“, rematou.