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Tânia Laranjo responde a Cristina Ferreira: “Fingir o contrário diz muito sobre a falta de carácter”

A reflexão de Tânia Laranjo que coloca 'Cristina Ferreira em xeque

A jornalista da CMTV recorreu às redes sociais para desconstruir a tese de “confusão” e “adrenalina” sugerida pela apresentadora da TVI, num texto que já se tornou viral pela crueza e clareza.

Depois de a estação de Queluz de Baixo ter emitido um comunicado oficial em defesa de Cristina Ferreira – onde ameaçou levar a tribunal quem “ofender a honra” da apresentadora na sequência dos seus comentários sobre um caso de violação -, a resposta chegou por via de uma das vozes mais críticas do jornalismo de investigação em Portugal: Tânia Laranjo.

A jornalista, conhecida pelo seu trabalho na área criminal, não poupou nas palavras ao abordar a tentativa de relativização do consentimento sexual que gerou uma onda de queixas na ERC (Entidade Reguladora para a Comunicação) e, num texto partilhado nas suas redes sociais, Laranjo ironizou a forma como o assunto tem sido tratado: “Anda-se há dois dias a filosofar sobre o significado de um ‘não’. Como se fosse um enigma digno de tese académica, sujeito a interpretações, contextos e notas de rodapé“.

Para a jornalista, não existe margem para dúvidas ou debates antropológicos quando a vontade de uma mulher é expressa. “Um ‘não’ não é uma charada. Não precisa de tradução simultânea, nem de um painel de comentadores. Não tem ‘entrelinhas’“, afirmou, numa clara alusão ao painel do “Dois às 10” onde Cristina Ferreira sugeriu que a “adrenalina” poderia causar confusão nos agressores.

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Tânia Laranjo foi mais longe, comparando a “dificuldade” de entender o consentimento com os problemas reais dos portugueses, numa crítica social que ressoou entre os internautas. “Difícil não é perceber um ‘não’. Difícil é esticar um salário mínimo até ao fim do mês. Difícil é pôr comida na mesa quando ela simplesmente não chega“, escreveu.

A jornalista terminou a sua reflexão com um ataque direto à postura da apresentadora e da própria estação, que através do seu departamento jurídico tentou conter a revolta nacional. “Invocar confusão é a tentativa de transformar uma recusa clara num território negociável. Mas não há negociação possível: um não é não. E fingir o contrário diz muito menos sobre a complexidade da palavra e muito mais sobre a falta de carácter de quem insiste em não a entender“, concluiu.

Este posicionamento de Tânia Laranjo surge num momento em que a TVI enfrenta um boicote de vários setores da sociedade e uma pressão crescente para que sejam dadas explicações mais profundas sobre a forma como crimes de violência sexual são discutidos em horário nobre.

 

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