Traição e segredos de Estado: Antigo líder da espionagem alemã August Hanning capturado pela polícia
Milhares de documentos desviados: August Hanning enfrenta graves acusações de espionagem internacional
Em causa está a apropriação indevida de cerca de dois mil ficheiros classificados através de uma rede com um antigo chefe de gabinete.
A polícia alemã deteve o antigo diretor da agência de informações externas BND, August Hanning, sob suspeitas severas de espionagem e violação de segredos de Estado. A informação foi avançada pelo Ministério Público Federal esta terça-feira, revelando que a operação envolve ainda a captura de um cúmplice que desempenhou funções burocráticas de relevo nas estruturas governamentais.
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O antigo dirigente, atualmente com 80 anos, liderou a espionagem germânica entre dezembro de 1998 e novembro de 2005, assumindo posteriormente a pasta de secretário de Estado no Ministério do Interior Federal até ao final de 2009.
Segundo as autoridades judiciais, pesam sobre si suspeitas que englobam a recolha ilícita de matérias reservadas, traição na forma tentada e atividade continuada como agente ao serviço de uma entidade externa, cuja identidade permanece sob reserva de investigação.
A detenção ocorreu na madrugada desta terça-feira na residência de August Hanning, localizada na localidade de Nordwalde, na região ocidental do país.
Em simultâneo, os operacionais detiveram na Baviera o suspeito Manfred D., identificado ao abrigo dos critérios legais de privacidade e apontado como peça basilar do esquema. O segundo elemento acompanhou Hanning durante o seu mandato no BND e transitou igualmente consigo para o Ministério do Interior, regressando mais tarde à agência para prestar assessoria aos diretores seguintes até março de 2026.
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As averiguações revelam indícios de que ambos teriam estabelecido um compromisso a troco de compensações financeiras em 2010. “As descobertas atuais sugerem que, ao longo dos anos, Manfred D. forneceu a Hanning aproximadamente 2.000 documentos, muitos dos quais continham informações classificadas para serem usadas exclusivamente pelo Serviço Federal de Inteligência para fins internos“, frisou o despacho judicial, que estima partilhas de conteúdos até pelo menos meados de 2022.
A documentação terá alimentado relatórios elaborados pela empresa privada de consultoria gerida pelo antigo governante. “Em um dos casos, há suspeitas de que o Sr. Hanning tenha usado informações confidenciais para preparar uma análise para um funcionário de um serviço de inteligência estrangeiro“, sustentou Ines Peterson, porta-voz do Ministério Público Federal.
A acusação aponta ainda contactos regulares do ex-responsável com um representante de outra potência, a quem transmitia apreciações e dados políticos confidenciais.
A situação gerou alarme imediato no parlamento germânico. Marc Henrichmann, responsável pela comissão de fiscalização parlamentar dos serviços de informações, garantiu que a quebra de deveres terá consequências firmes: “Quem se aliar aos inimigos da nossa democracia liberal será descoberto“.
Por sua vez, o deputado Konstantin von Notz classificou o cenário como “profundamente preocupante”, exigindo apuramentos rápidos. Ambos os detidos são presentes ao juiz de instrução entre terça e quarta-feira.