
Cristiana Dionísio esteve esta terça-feira, 27 de outubro, no programa ‘Dois às 10’, da TVI, à conversa com Cláudio Ramos.
Doze anos após a estreia na ‘Casa dos Segredos 5’, em 2014, garantiu que a sua essência irreverente continua bem viva.
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O apresentador quis saber o que ainda resta da jovem que conquistou a atenção do público há mais de uma década. A resposta surgiu pronta: “Isto que acabámos de ver”. Confrontada sobre se ainda mantém essa postura perante a vida, Cristiana explicou: “Ainda sou. É de mim. Às vezes eu não sei, vivo muito no meu mundo, cabeça no ar, e saem-me coisas que nem eu estou à espera”.
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A chegada da maternidade trouxe, no entanto, outras prioridades. Mãe de Dylan, de nove anos, Cristiana frisou que a rotina mudou “um bocadão” e sempre “para melhor”. Apesar do ritmo exigente, não esconde o encanto: “Não digo para pior porque não é para pior. É sempre para melhor. É cansativo, não vou dizer que não é. É aquela responsabilidade, aquelas noites que nunca mais a gente acha a noite. Mas sim, é a melhor coisa, é ser mãe”.
A criança tem perfeita noção do mediatismo materno. “Desde que começou a perceber mais das coisas, sempre teve essa noção. Acha super engraçado porque diz: ‘Oh mãe, tanta gente gosta de ti!’ E quando me abordam na rua, ele diz: ‘Ainda bem que eu tenho uma mãe conhecida, famosa!'”, contou entre risos.
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Mesmo com o passar dos anos, o público continua a abordá-la com frequência. A trabalhar num ginásio e com presença nas redes sociais, Cristiana sente que a visibilidade aumentou com a recente entrada em ‘The Brain’: “Antes deste programa, como agora estou a trabalhar mais com o público, tive mais essa noção de que as pessoas me conhecem muito. Quando começou este programa, ainda mais”.
O detalhe que a denuncia de imediato é o tom de voz. “Muitas pessoas ficam na dúvida se sou eu, porque estou tão diferente. Mas quando abro a boca, toda a gente conhece pela voz. A minha voz ficou muito marcada, muito única”, partilhou.
Ao recordar a decisão de entrar na ‘Casa dos Segredos 5’, Cristiana confessou que a curiosidade falou mais alto: “Sempre gostei muito do mundo da televisão, tanto que já fazia alguns trabalhos de gravações, dançava e essas coisas. Gostava muito do meio artístico. Só que não sabia bem para o que ia, porque não acompanhava a 100%. Pensei: ‘Olha, vou arriscar’, e arrisquei”.
O impacto cá fora nem sempre foi simples de gerir, sobretudo com a atenção da imprensa. “Algumas coisas não foram fáceis, como aquelas falsas notícias, e depois aquela necessidade que a gente tem de mostrar ao mundo que não é assim”, desabafou. Ainda assim, o balanço é positivo: “Não fui das piores e até tive um público que gostou, não fui daquelas odiadas. Há pessoas que não gostam, é normal, mas ser aquela pessoa odiada, odiada, não. Graças a Deus, até agora”.
A notoriedade, contudo, deixa marcas. “Às vezes sinto falta de ser um bocadinho anónima, fazer alguma coisa sem pensar. As pessoas não nos conhecem e ficam muito com a imagem da casa. Estamos em 2026 e eu entrei em 2014, mas há pessoas que se lembram da casa, de coisas que disse ou fiz. E eu penso: ‘Sim, mas não sou assim já'”, confessou.
Financeiramente, a antiga bailarina aproveitou a vaga de popularidade da época para garantir estabilidade: “Consegui coisas que se calhar hoje não conseguiria. Não todas, porque as coisas também foram piorando no nosso país, mas consegui coisas”.
Sobre a evolução dos reality shows, Cristiana apontou o dedo à perda de naturalidade e às mudanças na receção dos espetadores: “O público em si mudou muito. Senti agora neste programa que na minha época não era nada assim”. Lembrou ainda os colegas de elenco com quem partilhou a casa: “Na minha altura, as discussões tornavam-se engraçadas. Dou muito o exemplo de uma Bernardinha, que era um pouco mais malcriada, mas caía em graça. Era o ar dela. Tínhamos a Kátia, que era super engraçada, tínhamos uma Sandra, uma Joana, e hoje em dia não sei”.