David Motta entra em contradição: afinal viu ou não agressões a Betty Grafstein
Discurso prestado em tribunal levanta dúvidas aos comentadores do programa 'V+ Fama'...

O processo de violência doméstica que opõe Betty Grafstein a José Castelo Branco continua a somar desenvolvimentos.
O caso voltou ao centro das atenções no programa ‘V+ Fama’, no canal V+, depois de virem a público discrepâncias evidentes nas declarações de David Motta, antigo amigo do negociador de arte e testemunha no processo a favor da norte-americana.
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Em tribunal, há duas semanas, o comentador e produtor relatou ter presenciado agressões físicas, descrevendo um episódio em que José Castelo Branco terá desferido um murro em Betty Grafstein na casa de banho do apartamento de Nova Iorque. A versão, contudo, contraria em absoluto o que o próprio afirmou a 28 de maio no videocast ‘The Late Show’, conduzido por Flávio Furtado.
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No formato digital, quando confrontado sobre o comportamento do socialite, David Motta foi taxativo. Questionado por Flávio Furtado se acreditava que José Castelo Branco tinha sido abusivo, começou por clarificar: “Abusivo entenda violência física, agressão física. Não, física não. Física quer dizer que se tu agarras, levanta, etc. O Zé nunca deu, pelo menos à minha frente. Existe essa história de há 20 anos, uma coisa do Algarve, não sei quê, e não interessa o que a Betty me disse, que eu tenha visto, o Zé nunca deu uma tareia, nem um estalo”.
Perante a insistência do apresentador sobre a pressão diária exercida sobre a joalheira de 95 anos, David Motta admitiu episódios de rispidez: “E às vezes até dizer vamos e agarrar no braço e dizer coisas menos simpáticas. Isso sem dúvida é inegável, não sou maluco, vi, constatei. E portanto, agora, se me perguntares se eu tinha consciência que isso era violência doméstica… Se eu tinha consciência que isso incomodava assim tanto a Betty? A partir do momento em que ela resolve, e é legítimo aos 90, aos 100, aos 120, a pessoa que não quer mais isso na sua vida, que diz, ei, eu sinto-me violentada, eu sinto-me vítima de violência doméstica, eu não quero mais isto”.
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O contraste entre as duas narrativas dominou o painel de análise conduzido por Adriano Silva Martins. Cláudia Jacques sublinhou o choque entre os dois relatos: “Isto aqui é uma grande contradição, porque uma coisa é oposta à outra. No podcast com o Flávio Furtado diz claramente que nunca viu nenhuma agressão física. (…) Como é que agora em tribunal ele vem dizer que o Zé deu à Betty um murro nas costas e que lhe dava encontrões? É completamente o oposto do que disse ali”.
A comentadora lembrou ainda o período em que David Motta foi acolhido pelo casal nos Estados Unidos: “O Zé acolheu o David Motta na sua casa em Nova Iorque numa fase complicada da vida do David, e abriu-lhe as portas de casa. (…) A mim também me parece aqui um bocadinho de ingratidão. Se no Flávio Furtado deu a entender a nós todos, inclusivamente ao Zé, que não havia nada de violência doméstica e agora vem dizer o contrário no tribunal, não sei se guardou este trunfo para dizê-lo em tribunal”.
Marta Aragão Pinto colocou a tónica na mudança repentina de discurso: “O que é que mudou entre maio, altura em que o David dá esta entrevista ao Flávio Furtado, e há duas semanas quando vai a tribunal e faz um testemunho completamente diferente? (…) Se o David achou que não se queria expor ou não queria dizer publicamente aquilo que efetivamente viu, está no direito dele e guardou isso para tribunal”. A comentadora recordou a responsabilidade acrescida de quem partilhou o mesmo teto: “Se o David Motta viveu com eles, o testemunho dele tem uma validade diferente de pessoas que não viveram. (…) Há um juiz que tem de tomar uma decisão de condenar ou não uma pessoa. Todos os testemunhos aqui têm de ser muito bem pensados e não pode haver estas contradições”.
Adriano Silva Martins comparou o episódio ao percurso inverso de Abel Dias, recordando que o fotógrafo falou durante semanas em agressões nos ecrãs e depois recuou perante as autoridades.
Já António Leal e Silva revelou ter conversado com David Motta e contextualizou a convivência conturbada entre as partes, assinalando que há outras testemunhas prontas a falar sobre os anos vividos na residência nova-iorquina. Sobre a dinâmica do casal, o comentador considerou que a insistência para Betty sair de casa vinha do afeto: “Uma coisa é tu forçares alguém com maldade. Outra coisa é teres uma pessoa num certo marasmo, por estar mais velha, e insistires para que ela tenha vida e não morra. (…) A Betty adorava ser paparicada, adorava aparecer”. Lembrou ainda que a joalheira teve um papel determinante no percurso do companheiro: “O Zé transformou-se neste Zé com o apoio e o incentivo da Betty. Era ela que dizia: veste, vai, entra, tens que fazer, canta, grita”.
O caso continua entregue à barra da justiça, aguardando-se agora a audição das testemunhas arroladas pela defesa de José Castelo Branco.