Arrogância e passividade: Portugal desaponta no arranque do Mundial 2026
Comentadores destacam que Portugal não conseguiu impor-se e que Roberto Martínez falhou ao não fazer as mudanças necessárias durante o jogo
O empate de Portugal com o Congo no primeiro jogo do Mundial 2026 deixou os comentadores da SIC sem meias-palavras.
Francisco Gomes foi o primeiro a apontar a necessidade de rápidas correções na equipa das quinas, ainda que fizesse justiça aos minutos iniciais.
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“Portugal pensou bem os primeiros minutos do jogo, depois foi perdendo ritmo e foi perdendo intensidade”, disse Gomes, que notou uma inclinação excessiva para o lado direito, com Bernardo Silva a vir por dentro e João Cancelo a dar profundidade. Contudo, esta dinâmica desvaneceu-se logo após o golo. O comentador sublinhou que não se deve desesperar, por ser apenas o primeiro jogo e por ser um padrão já conhecido da seleção. “Quem esperava uma coisa diferente não tem visto Portugal nas últimas grandes competições”, atirou.
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A maior preocupação de Francisco Gomes reside na gestão do selecionador, Roberto Martínez, que, para o comentador, não tem argumentos desportivos para as suas decisões. “É um selecionador cujo único argumento, ou pelo menos cujo argumento principal para definir as suas ações enquanto treinador é o estatuto dos seus jogadores”, explicou. Gomes foi perentório ao dizer que a isso “não se chama liderança, chama-se burocracia”.
O jornalista deu o exemplo de Cristiano Ronaldo. “Quando começaram a sair os jogadores com pouco rendimento, que provavelmente deveriam ter saído mais cedo, por causa do Bernardo Silva é um exemplo, o único que ficou foi Cristiano Ronaldo”, lembrou. Para Gomes, a única justificação para tal escolha é o estatuto do jogador, algo que não faz sentido. “Eu gostava que os argumentos fossem técnicos. Que é, este joga melhor, este dá mais velocidade ao jogo, o selecionador podia justificar dessa maneira, só que não há justificação possível”, lamentou, avisando que, sem uma mudança radical, Portugal arrisca “desperdiçar mais uma competição onde somos candidatos e serem grato”.
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Pedro Fatela, outro comentador da SIC, começou por destacar os aspetos positivos do jogo. “O primeiro sinal positivo é que não perdemos. O segundo é que passam três equipas à partida”, disse, referindo-se à possibilidade de o terceiro classificado avançar para os oitavos de final. O terceiro ponto positivo, na sua perspetiva, é que a equipa “só podemos melhorar”. Fatela garantiu que o resultado foi justo, fruto do demérito de Portugal, mas também do mérito da República Democrática do Congo, que, após o golo sofrido, ganhou confiança e, na segunda parte, “com um pouco mais de critério, porventura até poder ter vencido o jogo”.
Relativamente aos problemas de Portugal, Pedro Fatela identificou dois grandes pontos. O primeiro foi a postura da seleção, que considerou “completamente errada”. Não sabe se o golo madrugador “agravou um certo sentimento de arrogância, de displicência”. Portugal, apesar de ter espaço para progredir, optava por “jogar para o lado e para trás”, numa “espécie de rabia coletiva”, como se o jogo estivesse já ganho. Esta atitude levou a uma passividade onde a equipa “começou a marcar com os olhos, a marcar à distância”, desvalorizando o adversário.
O segundo grande problema, segundo Fatela, é a má forma de muitos jogadores, incluindo alguns dos “mais icónicos” e com mais estatuto, nos quais Roberto Martínez “tem mais dificuldade em mexer”. O comentador fez questão de esclarecer que não pensa que “o único problema é Cristiano Ronaldo”, mas admitiu que “hoje o problema esteve muito para o lado de Cristiano Ronaldo”. Outros nomes como Bernardo Silva, Bruno Fernandes, João Cancelo e Vitinha foram apontados como estando “completamente fora dela”.
Pedro Fatela defendeu que o selecionador, fora do campo, tem de perceber que não pode olhar para o estatuto dos jogadores se o jogo pedir “outro jogador, um jogador mais veloz”, comparando a diferença entre Bernardo Silva e Francisco Conceição como “do dia para a noite”. Para terminar, Fatela foi claro: uma equipa pode estar a jogar mal, mas “se existir um selecionador com coragem e capacidade para mexer, isso ajuda a equipa a ganhar”. Concluiu que, no jogo com o Congo, “Roberto Martínez não teve essa capacidade e não ajudou a equipa a ganhar”.