Roberto Martínez desvaloriza empate com Congo: “Um Mundial é um processo”
Martínez explica que o golo madrugador criou uma emoção contrária e levou a uma posse de bola sem profundidade, dando espaço ao Congo
Roberto Martinez não desarma na defesa do empate com o Congo (1-1), apesar da chuva de críticas que se abateu sobre a Seleção Nacional.
O selecionador português, contestado pela imprensa e pelos adeptos, manteve a sua visão do jogo na conferência de imprensa pós-partida, mesmo perante a insatisfação geral.
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Questionado por Pedro Neves de Sousa, da CMTV, sobre a fragilidade exibida por uma seleção com aspirações de campeã do mundo, Martinez desvalorizou a exibição aquém do esperado, lembrando que “um Mundial é um torneio que isso acontece. Há momentos que os desempenhos não estão a um nível.” O técnico recordou exemplos como a Argentina, que perdeu com a Arábia Saudita no Mundial do Catar antes de conquistar o título, ou a Espanha, derrotada pela Suíça em 2010 e que também se sagrou campeã. “E esses não foram desempenhos de equipas que podem ser ganhadoras, mas foram”, atirou, reforçando a ideia de que o Mundial é um “processo”.
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Martinez admitiu que a obsessão por “ganhar o Mundial, ganhar o Mundial” pode ser uma “emoção que não ajuda a ganhar jogos”. Para o técnico, o mais difícil era “começar o jogo bem”, algo que a equipa conseguiu. “Começamos muito, muito bem. O nível, o controle, a chegada na baliza”, detalhou. No entanto, o golo marcado teve um “efeito contrário” ao esperado, transformando a euforia numa tentativa de manter a bola sem profundidade, dando espaço ao Congo para reorganizar a defesa e apostar no contra-ataque.
O golo do Congo, de bola parada, não surpreendeu o selecionador, que já tinha avisado para a qualidade do adversário nesses lances e nos ataques rápidos. Apesar disso, Martinez elogiou a “atitude extraordinária” dos jogadores e o esforço para tentar mudar o rumo do jogo, com mais chegadas à baliza, embora “não ao nível que nós precisamos, com a qualidade que nós temos”.
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Ainda sobre o final da partida, onde Cristiano Ronaldo saiu diretamente para os balneários, Martinez explicou que a equipa está a habituar-se aos “hábitos da FIFA” nas fases de grupos do Mundial, como as flash interviews. “Neste Mundial temos oito jogadores a fazer flash, ainda não temos o hábito de saber o que precisamos fazer ao fim do jogo, entrar ao balneário, ir ao flash, ficar no galvão”, disse, acrescentando que “estamos também todos tristes, mas vamos tentar apanhar o hábito rapidamente para poder estar todos como um grupo.”
Confrontado por Pedro Neves de Sousa com a “posse de bola inconsequente” e a necessidade de Portugal “jogar mais”, Martinez sublinhou a importância da autocrítica. “Nós precisamos de melhorar, nós precisamos de ter muita autocrítica, avaliar o jogo”, afirmou. O técnico lembrou que o jogo não se resume a 96 minutos, mas a diferentes momentos, e que cada adversário exige uma abordagem distinta. “A nossa responsabilidade é avaliar o jogo, autocrítica e melhorar. E este é o processo que já falei, que é o Mundial da fase de grupos”, garantiu, reforçando a sua crença na equipa.
O jornalista da CNN/TVI, chamou a atenção para a baixa participação de Cristiano Ronaldo no jogo, com apenas 25 toques na bola, um dos registos mais baixos da sua carreira em fases finais. O jornalista questionou o papel do ponta de lança na estrutura da equipa, que privilegia a posse e a rotação. Martinez explicou que a posição exige “muita disciplina”, nomeadamente “ficar na linha defensiva, nas costas dos centrais, abrir espaços”.
Depois do primeiro golo, a equipa não conseguiu “dar um serviço ao ponto de lança” que permitisse aproveitar os seus movimentos. Martinez admitiu que há “aspectos que precisamos melhorar”, mas sublinhou a exigência da disciplina dos avançados durante a partida. Sobre a entrada de Gonçalo Ramos, o selecionador explicou que a substituição foi pensada para “utilizar os jogadores que nós temos nos momentos certos”, especialmente na segunda parte, onde a entrada de Francisco Conceição abriu mais espaços no último terço.
David Novo, do Record, apontou para a fraca produção ofensiva, com apenas um remate enquadrado à baliza e um excesso de 21 cruzamentos. Martinez reconheceu que “as estatísticas, não é um jogo para ver as estatísticas, porque não são boas, não estão ao nível que nós precisamos”. O técnico atribuiu a mudança de padrão ofensivo à “emoção diferente” e à “toma de decisões diferente” que se seguiram ao golo do Congo. “O importante é refletir, avaliar e poder ajustar para o próximo jogo poder chegar ao nível que já mostramos nos últimos meses”, disse.
António Oliveira, da Lusa, questionou o que falta para a equipa, com os “melhores jogadores do mundo em todas as posições”, ter um futebol mais fluido, com mais velocidade e intensidade. Martinez fez questão de recordar que “os mesmos jogadores tiveram um desempenho de alto nível” na conquista da Liga das Nações. O selecionador reiterou que as “emoções de jogar um Mundial” tiveram um “efeito negativo” no desempenho após o primeiro golo, levando a uma falta de risco e de procura de espaço. “Faltou arriscar, faltou procurar espaço, faltou chegar ao último terço, mas foi um sentimento mais que um aspecto técnico-táctico”, concluiu, insistindo que é preciso “avaliar e melhorar para o segundo jogo”.