Dezasseis anos após ter sido detida, a artista recordou as palavras da falecida mãe, Carla Lupi, e deixou uma mensagem de força a quem aguarda pela liberdade.
O Estabelecimento Prisional de Tires foi palco de um encontro carregado de emoção e partilha na manhã desta terça-feira, 16 de junho. Sara Norte regressou a um ambiente prisional, desta vez a convite do Centro Protocolar da Justiça, para conversar com várias mulheres que se encontram a cumprir pena. A iniciativa, inserida na Oficina de Capacitação e Empoderamento Feminino, permitiu à atriz partilhar a sua própria história e levar um sopro de esperança àquelas vidas.
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A artista não escondeu o impacto psicológico que este regresso ao passado lhe provocou antes de cruzar os portões. “Hoje fui a Tires a convite do Centro Protocolar da Justiça. Não me considero um exemplo para ninguém, tenho as minhas guerras comigo mesma, mas talvez seja um exemplo daquilo que não devemos seguir“, começou por desabafar nas suas plataformas digitais, assumindo a sua vulnerabilidade. “Para dizer a verdade estava muito nervosa porque apesar de não ter estado presa aqui, é voltar a uma época menos boa da minha vida“, confessou.
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Mover-se pela empatia e pela vivência real acabou por falar mais alto do que o receio. Sara Norte sublinhou que a educação recebida em casa a impede de se fechar face às dores do mundo. “Apesar dos meus inúmeros defeitos, tenho uma grande qualidade que foi herdada pela minha mãe: a de não querer viver numa redoma e de querer ter mundo. Se tenho a hipótese de tornar o dia de alguém especial e com esperança estou lá. E foi o que aconteceu hoje. Sei o que é estar presa e sei também o que é ter medo daquilo que nos espera na saída. Dos preconceitos e da estranheza no olhar dos outros“, relatou, defendendo de forma inequívoca a reinserção social: “Todos erramos. Todos. E todos temos direito a uma segunda, terceira ou mais oportunidades. Um erro não pode definir o nosso futuro ou não deveria“.
A atual comentadora da SIC Caras aproveitou a ocasião para recordar um dos momentos mais marcantes do seu próprio período de reclusão, nomeadamente uma conversa com a sua mãe, Carla Lupi, que faleceu em 2012. “Numa das visitas que tive da minha mãe, ela disse-me que não lhe interessava o que tinha feito, apesar claro de não concordar com a via fácil que eu tinha escolhido, mas que não era isso que definia o meu carácter nem valores. Por vezes temos que ver mais à frente e perceber o porquê das coisas e do caminho escolhido. Dá mais trabalho sim, mas deve ser feito“, explicou a comentadora da Sic Caras às presidiárias.
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A manhã terminou com um sentimento de dever cumprido e com o coração renovado. “Hoje foi uma manhã diferente e vim de coração cheio com as partilhas que fizemos. Estas mulheres e eu! A prisão é uma passagem mas a vida espera por vocês cá fora. Sempre aqui e até breve. Obrigada por este convite. Hoje foi uma manhã feliz!“, rematou a artista, de 41 anos.
De recordar que Sara Norte foi detida pelas autoridades em Algeciras, Espanha, a 6 de fevereiro de 2012, tendo cumprido uma pena de 16 meses de prisão por tráfico de droga.
Atualmente, a par do seu trabalho no painel do «Passadeira Vermelha», a profissional abraçou um novo desafio na sua carreira como Diretora de Comunicação da empresa de espetáculos Legends Alive, encontrando-se a preparar o festival «Lendas do Rock», agendado para o próximo mês de julho.
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