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Crise na habitação: Filipa Torrinha Nunes arrasa jornalistas e denuncia incitamento ao preconceito

"Desonestidade intelectual": Filipa Torrinha Nunes condena publicações de Sandra Felgueiras e Tânia Laranjo sobre protestos

A psicóloga mostrou-se indignada com as publicações feitas por Sandra Felgueiras e Tânia Laranjo sobre as manifestações, considerando que ambas contribuem para estigmatizar quem saiu à rua.

A intensa onda de protestos pela crise da habitação que marcou os últimos dias e terminou com confrontos policiais esteve no centro do debate no programa «Passadeira Vermelha». Na emissão da SIC Caras conduzida por Liliana Campos, Filipa Torrinha Nunes aproveitou o seu tempo de antena para lançar duras críticas à forma como duas jornalistas de peso da televisão portuguesa abordaram o tema nas suas redes sociais, apontando baterias a Sandra Felgueiras e Tânia Laranjo.

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A psicóloga não poupou nas palavras para descrever a sua insatisfação face ao impacto mediático das publicações. “A Tânia Laranjo, numa publicação, fala da sujidade que fica da manifestação e Sandra Felgueiras fala também que falou com um dos manifestantes e essa pessoa foi pouco educada, até um pouco agressiva na resposta“, apontou a comentadora, contextualizando o perigo desta abordagem: “Esta manifestação tem sobre ela uma carga de preconceito gigante, porque são os arruaceiros, são os ‘ganzados’, são os ‘não trabalhamos’, que se vestem assim ou assado. E quando tu tens duas figuras do jornalismo a dizer isto, acho isto de uma profunda desonestidade intelectual“.

Para sustentar a crítica de Filipa Torrinha Nunes, importa recordar o conteúdo partilhado por Sandra Felgueiras onde, a jornalista da TVI publicou um longo texto onde relatou uma alegada hostilização por ter questionado o motivo de existir uma bandeira da Palestina nos protestos.

“Questionar não é atacar. E responder com agressividade não é defender a liberdade“, escreveu a pivô, condenando a tentativa de apropriação da causa. Por seu lado, Tânia Laranjo, da CMTV, também recorreu às redes para destacar episódios peculiares das acampadas onde, num dos casos, ironizou com um jovem que apresentou uma tenda como morada fiscal, vincando: “A primeira [luta pela habitação] é um problema que o país tem de resolver. A segunda é uma opção de vida“.

Noutra publicação, a jornalista do canal da Medialivre descreveu o caso de uma jovem tornada símbolo dos protestos, sublinhando que esta havia sido alvo de uma ordem judicial de afastamento após expulsar um idoso de 84 anos da respetiva casa. “Não, não é uma questão de habitação (…) A menos que, entretanto, a crise da habitação tenha passado a justificar tudo“, sentenciou.

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Embora ciente de que as duas profissionais reconheceram a justeza do problema habitacional nos seus textos, a comentadora da SIC Caras considerou que o foco narrativo foi perverso. “Com a forma como tu pões o texto, elas sabem que o que será notícia é a parte má e que essa parte má que será notícia vai incendiar estas pessoas que são preconceituosas e isto vai descredibilizar uma manifestação que é muito válida e que é completamente pacífica, completamente ordeira“, rematou Filipa Torrinha Nunes, garantindo não tolerar que os protestos recebam rótulos nocivos e injustificados.

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