David Motta recordou uma experiência pessoal em Londres para explicar a importância de quebrar barreiras na indústria da moda e beleza.
As acusações de falta de representatividade e discriminação que visam o último evento de Helena Coelho abriram um debate profundo no programa «Passadeira Vermelha» onde, David Motta aproveitou o espaço de antena para partilhar uma reflexão sobre o racismo estrutural na indústria da beleza e da comunicação, defendendo que a passividade e a aleatoriedade já não chegam para solucionar o problema.
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A influenciadora Giovanna Rodrigues, que espoletou a discussão na internet, deixou claro nas suas plataformas que as marcas não podem ignorar a demografia do seu público. “Vocês deviam escolher as pessoas pela cor, porque é isso que é ser inclusivo, é vocês não convidarem só os vossos e os parecidos com vocês, é vocês incluuírem pessoas que são diferentes também“, sustentou a criadora de conteúdos qo qual, David Motta deu-lhe razão no conteúdo e considerou a temática essencial. “A questão da representatividade é muito importante, de facto. Eu há pouco tempo soube da história de uma pessoa que foi à RTP África dar uma entrevista e que quando chegou lá perguntaram-lhe se ela tinha trazido a própria maquilhagem porque não tinham para o tom dela. Isto em 2026, eu considero gravíssimo“, denunciou o comentador da SIC Caras.
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O estilista relembrou ainda um episódio do seu percurso profissional em Londres, quando o editor da conceituada Paper Magazine, Mickey Boardman, o chamou à atenção por ter selecionado apenas modelos brancos para um destaque. “A partir desse dia […] eu acho que sim, temos de ter em conta que quando se faz o que quer que seja, deve ser feito para todos”, afirmou, deixando de seguida uma forte reflexão coletiva: “E não há pessoas não racistas, pessoas brancas não há pessoas não racistas, todos nós, quer queiramos quer não, infelizmente somos racistas“.
Zulmira Garrido interveio para acrescentar que o preconceito se manifesta em quadrantes bilaterais. “Nós somos, mas eles também são! E eu estou a falar e está aqui uma pessoa que não é de todo racista. Quer dizer, eu é que não sou mesmo. Mas eles também são racistas. E muito“, frisou a comentadora.
Ainda assim, o painel concordou com as conclusões de Filipa Torrinha Nunes, que lamentou a falta de sensibilidade das figuras com grande alcance mediático no ecossistema digital. “Acho interessante que as marcas, Helena Coelho, que têm muita influência, tentem representar um bocadinho todas as pessoas e tentem incluí-las, olhando sim à cor da pele, para representarem mais pessoas. Não fazem por mal […] mas não pensam no assunto, passam ao lado. Porque nós estamos autocentrados na nossa normalidade“, rematou a comentadora.
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