Completamente defensor do amor à camisola, o animador e comunicador fala de Joana Marques, Daniel Leitão, Nuno Markl. Ele que nem é consumidor destes produtos de humor, defende que são essenciais para as grandes audiências…
DIOGUINHO – Com que idade começou a fazer rádio?
PAULO FRAGOSO – Comecei aos 16. Portanto, como eu costumo dizer, foi há seis meses (risos). Já lá vão 40 anos, a serem cumpridos no próximo mês de Outubro. Gosto da vida de rádio, que é a minha vida. Comecei na Rádio Baía, do Seixal, na altura das rádios piratas. Estive lá durante três anos, até me mudar para Almada, já depois da lei da rádio sempre ter sido aprovada, em 89, 90. Então ia à Almada numa nova rádio, nascida dessa nova lei. Na altura chamava-se Rede A, Emissora Regional do Sul. Estive mais três anos, até ser convidado para a RFM, onde estive 32, e agora com mais um ano de Renascença. Portanto, isto tudo junto, dá 40 este ano.
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É uma vida, de facto.
40 anos de muita magia, de muitas alegrias, de sentir que sou um privilegiado por pertencer àquela imensa minoria que tem o prazer de fazer aquilo que realmente gosta na vida. Isso não é para todos, infelizmente. Devia ser para todos, mas ainda bem que faço parte desse lote, dessa imensa minoria.
Quem diria que um dia aquele brinquedo do meu avô, que era aquele rádio com o qual eu brincava nos meus seis, sete anos, seria o meu trabalho. Deliciado a tentar perceber como é que havia pessoas, gente, dentro de uma caixa a falar e como é que havia música. Quem diria que passados uns anos eu próprio faria também essa magia de estar dentro de uma caixa a falar.
Portanto, quando era criança já estava a construir o futuro?
Eu era miúdo mesmo, eu lembro-me. Os meus pais falam disso. Com seis, sete anos, o meu avô vivia comigo, com os meus pais, e eu tinha aquele rádio, um Philips, a válvulas. Aqueles botões todos, mexer nos botões. E aquilo foi um vício, o meu brinquedo favorito. Não era o rádio. Nunca me passou pela cabeça.
Nem nunca disse, quero ser locutor de rádio. Aliás, o meu sonho, na altura, como qualquer puto, era ser jogador da bola e ainda tentei. Joguei futebol quatro anos. Mas depois, não, aquilo já era muita mistura, já era rádio com futebol, com escola. Chegou uma altura da minha vida em que disse, ‘eh pá, não, tenho que desistir de alguma coisa’. Logicamente não ia desistir da escola, então tive que desistir do futebol. E pronto, ainda bem que assim o fiz.

Nos anos 90, a RFM já era o topo das rádios…
Era o topo. Ou seja, chegar à RFM, ser convidado para a RFM foi assim… Eu terminei que nem varas verdes, no meu primeiro dia no ar. Porque era a rádio de referência da altura, não é? A RFM, com aqueles nomes todos da altura, a Elisabete Caixeiro, o Pedro Mourinho. Aliás, eu fui substituir o Pedro, que quis dedicar-se à televisão. Comecei por fazer madrugada, da uma às três da manhã. E depois, fazia substituições. Aliás, o meu primeiro ano em matéria de trabalho foi uma coisa louca mesmo. Cheguei a ter sete horas diárias de programa. E atenção, naquela altura eram sete horas em direto, mesmo. Não era como agora que os computadores permitem fazer magia e gravações.
Era tudo ao vivo e no momento.
Sim, sim, claro que sim. Agora imagine-se o que era estar sete horas por dia em antena. Foi uma loucura. Porque eu andava a substituir vários colegas que iam de férias. Mas, claro, eu tinha que agarrar com unhas e dentes, como se costuma dizer, a oportunidade que me deram. E disse sempre sim a tudo. ‘É para fazer isto eu faço. É para fazer aquilo eu faço’.
Uma coisa que eu sinto é que as novas gerações já não estão abertas a ser assim tão receptivas. Parece que esperam que caia tudo no colo. Naquela altura, não. Era uma oportunidade única, nunca sonhei…
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E era nas míticas instalações da Rua Ivens, na Baixa de Lisboa. Toda a gente ouvia a RFM. Portanto, de um momento para o outro, o Paulo Fragoso era um nome e uma voz que toda a gente sabia quem era…
Certo, exato. Eu tenho episódios curiosíssimos. Muito, muito antes das redes sociais… Hoje em dia, facilmente, toda a gente me reconhece na rua. Mas, na altura, eu tive episódios em que só pela voz eu era reconhecido. Esses episódios eram muito engraçados. Tenho histórias incríveis. Estou a ver se junto tudo, para escrever alguma coisa sobre isso, se realmente vale a pena…
Está a pensar em escrever um livro sobre os seus 40 anos de rádio?
Gostaria muito. Mas eu estou com uma falta de tempo incrível… Porque eu não tenho mãos a medir. Precisava parar. Eu já tenho muita coisa reunida. Muitos episódios, muita coisa que aconteceu durante estes 40 anos. É fácil calcular, aconteceu muita coisa. Graças a Deus, 99% são coisas boas, digamos assim. E acho que daria um livro bem interessante, bem engraçado, que eu gostava de deixar às pessoas que amam a rádio. Que gostam deste meio tão especial, tão único, que é a rádio.

Quando foi para a RFM, quem era a pessoa, do Grupo Renascença, quem era aquela pessoa que era o seu ídolo, digamos assim, que tinha mais curiosidade em conhecer?
Eu gostava muito do diretor da altura.
O Pedro Tojal, a acordar Portugal.
Exatamente. Era ele que fazia o Café da Manhã e era o diretor. Foi ele quem me abriu as portas da RFM. E havia o João Chaves, obviamente. O João Chaves! Ainda antes de existir a RFM, já as minhas noites eram a ouvir o Oceano Pacífico do João Chaves. E, de repente, ali estava ao lado dele. A partilhar reuniões, porque não estávamos ao mesmo tempo no estúdio, obviamente, porque ele era à noite e eu trabalhava de dia. Mas, de repente, eu estava ali na mesma casa do João Chaves. E isso, para mim, foi uma coisa do outro mundo.
E nunca mais soube nada do Pedro Tojal?
Sim, sim. De vez em quando encontro-o. Aliás, temos um almoço marcado. Ele já não está a trabalhar em rádio, já deixou a rádio, infelizmente. Porque foi uma pessoa que mudou muita coisa no meio radiofónico em Portugal, meramente na RFM. É uma pessoa a quem devo muito do ensinamento que me deu, na forma como me moldou à rádio que ele queria fazer. Só tenho que lhe agradecer tudo e mais alguma coisa. Pela aposto que fez em mim. Que durou 32 anos na RFM. Eu acho que ele agora está na pré-reforma, digamos assim. Ele não está a trabalhar.
E o eterno ‘slogan’, ‘Só grandes músicas’.
Sim. Eterno. E também o Celestino Alves também. O João Porto. O José Carlos Malato. Aliás, o Malato entrou no mesmo dia que eu. Mas ele para fazer o ‘Trânsito’.
Ainda se lembra do dia em que tudo começou?
Lembro-me perfeitamente do primeiro dia. Eu cheguei e o Celestino Alves, que já cá estava, levou-me a fazer o reconhecimento do terreno, digamos assim. Tenho uma história curiosa também por esse primeiro dia. Cada vez que chegava a uma determinada sala, ou um estúdio onde estava alguém a trabalhar, convidavam-me para um café. O que eu sei é que no final do dia tinha bebido sete cafés, porque eu não conseguia dizer que não. Tinha acabado de chegar, não ia dizer que não. Nesse primeiro dia, sete cafés, fiquei maluco.
Qual foi exatamente esse dia?
4 de Janeiro de 1993. Inesquecível!
Como é que foi acompanhando a evolução da rádio e dos projetos que surgiram?
Por exemplo, a Rádio Comercial, o renascimento da Comercial que estava um bocadinho assim perdida…
Alguma vez teve algum convite para outra rádio?
Não, não. Confesso que não. Claro que acompanhei toda a evolução da rádio. E cá está, como disse, já na altura que foi aprovada a lei da rádio deixou de haver apenas três ou quatro rádios, que era a Rádio Comercial, a Renascença, depois a RFM. Portanto, eram só canais nacionais e, de repente, tivemos uma quantidade de rádios locais, trezentas e tal, na altura. Acho que hoje em dia não são assim tantas. Mas pronto, nasceram rádios locais em todo o lado.
Isso permitiu também que houvesse uma evolução natural na história da rádio em Portugal, logicamente. As rádios tiveram que se ir reinventando, cada uma com o seu estilo, o seu género. Uma trazia uma coisa, outra trazia outra. Está em constante evolução. Essa é que é a grande conclusão que se pode tirar, ainda hoje. Ainda hoje, felizmente, agora graças também graças a tudo o que é tecnologia, redes sociais, plataformas de streaming, etc, teve que fazer um constante renascimento, uma evolução constante. Curiosamente, a rádio é o único meio de comunicação que não está a ficar para trás com tanta coisa nova que há.
Quero com isto dizer que a rádio consegue absorver, e não ficar morta, absorver tudo o que aparece. Ou seja, consegue aproveitar-se de tudo o que aparece. O que é uma coisa extraordinária, algo que outros meios de comunicação não conseguem.
Aliás, até é uma mais-valia, as redes sociais para a rádio. Mais recentemente, os podcasts. Toda a gente dizia que a rádio ia morrer com os podcasts. Mentira! A rádio conseguiu reinventar-se com os podcasts conseguir reinventar-se. É uma coisa fabulosa. Já quiseram matar tantas vezes a rádio. O que é certo é que a rádio, cada vez que dizem isso, sorri. Com aquele sorriso maroto, “ai é, querem-me matar outra vez? Não, vou só apenas sorrir. É um meio único.
Para além de rádio, também fez locuções, dobragens…
Sim, durante muitos anos. Fiz locuções para documentários do canal História, Odisseia. Fui voz do canal Sol Música. Fiz centenas de documentários. Dava-me um gozo imenso fazer aquele tipo de trabalho. Agradeço muito.
E em termos monetários, também valia a pena?
Fazer esses trabalhos? Claro que sim. Na altura, não é que fosse bem pago, só que tive a sorte de fazer muitos trabalhos. Portanto, quanto mais trabalhava, mais ganhava, obviamente. Mas sim, eu tive uma altura da minha vida, durante uns anos, vamos ver, em que eu começava a dar voz às nove da manhã e acabava, por vezes, às nove da noite. Ia para os estúdios, fazia documentários, ia para a rádio, saia da rádio. Ainda tive uma fase da TVI, de locução de continuidade na TVI. Ainda era, na altura, na Matinha.
E a publicidade?
Havia ainda, na altura, um mercado muito vasto de publicidade. E ainda tive anos muito bons, muito bons mesmo. Vacas gordas, que infelizmente estão muito magrinhas.
Em que altura é que foi locutor de continuidade na TVI?
Foi logo no início da TVI [20 de Fevereiro de 1993]. Estava ainda ligado à Igreja, e à Renascença. Aliás, as vozes de continuidade do canal eram todas do grupo Renascença. Era da Renascença e da RFM. Era eu, o Celestino, a Elizabete, o Luís Loureiro. Era o Paulino Coelho, e era mais dois ou três que agora não me estou a lembrar. E, portanto, foi uma fase bem gira ser voz da TVI, da 4. Trabalhava de manhã à noite, mas valeu a pena valeu o pênalti. E, nessa altura, sim, compensou muito financeiramente. Mas, como se costuma dizer, saiu-me do pêlo.
E entretanto, 30 e tal anos depois, chegou o desafio de “trocar” a RFM pela Rádio Renascença. Como é que foi essa transição?
Foi uma surpresa o próprio convite que me fizeram. Fui envolvido na reestruturação do Grupo, digamos assim, e a Renascença queria fazer umas coisas diferentes, ser e estar um bocadinho diferente e estar diferente. Propuseram-me, disseram-me, ‘olha, na Renascença queremos fazer isto, precisamos de ti e do José Coimbra’, que também foi convidado. ‘Como vocês são pessoas com nome, já no meio, vamos aproveitar esse nome a experiência que vocês têm, vamos aqui alavancar, de certa forma, a Renascença, que numa fase menos boa, em termos de audiência. Acho que estamos a conseguir um trabalho de equipa extraordinário, estamos a conseguir que a coisa funcione. Vai demorar, logicamente, a ter aqueles resultados que se esperam. Isto não é de um dia para o outro, mas acho que sim. Para mim, foi todo um mundo novo.
Atenção, podem-me dizer, ‘já andas cá há tanto tempo, foi canja para ti’. Não, não foi. Não foi porque, eu sou sincero, não ouvia muito a Renascença, não sabia muito bem como é que funcionava a Renascença, apesar de ser uma rádio do mesmo grupo. Não tinha muita proximidade com a Renascença. Foi tudo novidade para mim e tive que me adaptar a toda uma nova dinâmica, todo um novo contexto, um sem número de coisas novas para mim, era tudo novidade. Portanto, assim, um exemplo simples, o haver sinal horário, digamos assim, coisa que nunca houve, aliás, houve na RFM há muitos anos, mas a RFM não se guia por um sinal horário. As notícias não entram na hora certa. Tanto pode ser cinco minutos antes, como um bocadinho depois da hora, não interessa. Não há essa coisa. Aqui não, na Renascença é diferente. Logo, isso foi um dos meus primeiros desafios. Tens de estar a fazer contas, porque estás no ar, para aquilo tudo bater na hora certa. Isso, para mim, foi um bocadinho complicado, as primeiras duas, três semanas, Andei ali aos papéis completamente, mas pronto. Depois as dinâmicas, quer dizer, aquela coisa das notícias, o ter de falar, dar destaques, etc. É todo um mundo novo que eu estou a adorar. Uma pessoa adapta-se facilmente. Quando se faz aquilo que se gosta, adaptamo-nos facilmente ao novo.
Quando entrou para a Renascença, foi para fazer o horário das quatro às sete da tarde…
O final do dia, sim.
Foi também a primeira vez, julgo eu, em que tinha em estúdio uma rubrica de humor, com o Daniel Leitão, o ‘Seja o que Deus quiser’. No início, não estranhou?
Ter alguém a fazer humor no teu espaço, como ter também um jornalista o Explicador… É muito giro, o Explicador. E a Bola Branca, que eu tinha às seis e um quarto. Eu tinha quatro horas que eram só minhas, digamos assim. Em que o destaque era a música e tudo que tinha a ver com a música e com os eventos que a rádio tinha… Aqui na Renascença, não. Há muito mais que isso. É também as várias, vamos chamar assim, as várias personagens que entram no ar. São jornalistas, são humoristas, é o trânsito que também entra no ar feito por outra pessoa. Portanto, foi tudo novidade para mim. Basicamente foi isto. Eu acho que me adaptei.
Ao fim de um ano, chegou-se à conclusão que… A rádio vive muito de estudos. E ainda bem que assim é, para tentar perceber o que é que funciona ou não, o que é que pode funcionar melhor. Chegou-se à conclusão que eram preciso duas pessoas. Ao final do dia, na maior parte das rádios, há sempre duas pessoas a fazer o final de tarde. O regresso a casa, o chamado regresso a casa. Achámos todos unanimemente que não seria, eu diria, não é agradável, não seria muito convidativo ser com dois homens. No caso, eu e o Daniel. Assim, a Inês Nogueira que está há anos no Grupo, veio da Mega FM, passou a Inês para o meu lugar e está tudo bem. Estou a fazer o início de tarde, da uma às quatro da tarde. Estou a fazer como eu gosto, sozinho. Estou dedicado à música. Tenho ali umas rubricas também. Há umas coisas também informativas.Tudo sem quadro. Tudo bate a bota com a perdigota. Tenho um jogo que pegou destaque, aquele ‘Qual é a música, Qual é ela’. Durante uma hora faço ali um joguinho, passo um bocadinho de uma música e as pessoas reagem muito bem. Ainda hoje, acabei de o fazer. Foi divertidíssimo porque foram muito poucos que acertaram. E eles costumam dizer, ‘facilitas muito, facilitas muito’. Hoje compliquei. Portanto, as pessoas reagem. Quando eu complico, quando facilito. Há aqui uma relação incrível com os ouvintes. Muitos ouvintes, graças a Deus, muitos ouvintes que me acompanharam durante os anos que eu estive na RFM e que agora me acompanham, fazem questão. Isso é muito curioso. É muito gratificante para quem faz a rádio. Saber que as pessoas andam atrás de ti. Percebe? É muito bom.
Podemos dizer que, para si, havia ali um “elemento estranho” teres aquela rubrica de humor, do Daniel Leitão, como ‘Extremamente Desagradável’, da Joana Marcos. Era fã desse tipo de formatos?
Sou sincero. Não sou consumidor. O que eu fiz, tentei fazer, foi adaptar-me ao que era a rubrica. Eu é que tinha que me adaptar. Atenção, não era ele a mim. Ou a rubrica a mim. Não. Aquilo já existia. É um dos dez podcasts mais ouvidos no país. E eu só tive que me adaptar àquilo que era. Eu não sabia. Tive que, antes de começar, antes de ir para a Renascença, uma ou duas semanas, tentar perceber o que era aquilo. Como é que se fazia. O que é que eu poderia fazer. No caso do Daniel Leitão, eu só tinha que, pronto, amparar ali o Daniel e meter a colherada quando eu achava que devia meter. E deixá-lo… Porque acho que o momento é dele. E aí estava em frente. Pá, tem sucesso. E isso é que importa.
Mas deram-se bem?
Sim, completamente. Não houve qualquer atrito entre nós, que seria. Ele só me apresentou o produto. E eu disse, “ok, é teu, ‘bora lá, eu faço o que tenho a fazer”. Tão simples quanto isso.
Nesta Rádio Renascença que temos agora, com ‘As Três da Manhã’, que tem aquele boom, as polémicas com a Joana Marques, isso é bem visto na emissora católica portuguesa? São um bom indicador de audiências?
Eu acho que é. Eu acho que, aliás, se não fosse, a direção… Como digo, estou cá há um ano e pouco. Não conheço bem os meandros da Renascença. Não conhecia. Mas é assim, se o produto está no ar como está é porque há o aval de toda uma direção, obviamente, que está contente com o trabalho feito. Não só pela manhã, como pelo resto da equipa. Há que não esquecer que isto são 24 horas ‘non stop’. Com muita gente a entrar e sair do ar. Claro que o programa da manhã é muito específico. É muito especial. É atualmente a terceira manhã mais ouvida nas audiências. Isso quer dizer muito, logicamente. Só está atrás da Comercial e da RFM. Portanto, acho que os números dizem tudo. Nós jogamos muito com os números, obviamente. Dependemos muito dos números. E se os números estão lá em cima é porque o trabalho está a ser feito. É essa a conclusão que se pode tirar. Portanto, acho que não há qualquer obstáculo ao trabalho que é feito, não só pela Joana, como também pela pela Ana Galvão e a Inês Lopes Gonçalves. O trabalho está a ser bem feito, a ser bem recebido. Como em qualquer caso, há pessoas que gostam e há as que não gostam. Mas isso é em tudo. Portanto, como eu, também há pessoas que podem não gostar de mim. Mas não vamos pensar que, só porque há ali uma parte que não gosta, que a coisa vai ter que descambar ou vamos ter que mudar. São os números! E dizem muito. E se o nome das pessoas, o trabalho das pessoas está bem visto por quem nos ouve, pelos ouvintes, que são o nosso principal termómetro, digamos assim, está tudo bem. É continuar a fazer o trabalho, tentar melhorar dia após dia. Aliás, elas as três vão fazer dois espetáculos nos Coliseus. Um programa de rádio a fazer Coliseus. Assim que os bilhetes foram postos à venda, venderam logo maravilhosamente bem. Portanto, isso quer dizer muito.
O ‘Extremamente Desagradável’ é algo que o ouvinte Paulo Fragoso…
É assim, é um formato que eu não consumo. Nas outras rádios que têm esse género, eu também não consumo. Não é a minha cena, digamos assim. Todas têm os seus momentos. A RFM tem a Pipoca, a Comercial tem o Markl. São coisas que eu, confesso, sou um péssimo ouvinte nesse aspecto. Portanto, não vou dizer que é bom ou mau. Não, não é isso. Cada um tem as suas coisas. As suas preferências. Ouço, às vezes, umas coisas, obviamente. Pico aqui e ali. Mas não paro para ouvir de propósito.
Aquilo que dizem que o casal Joana Marques e Daniel Leitão são as estrelas da Renascença e que até nem são muito agradáveis…
Quem é que diz isso?!
Há sempre os profetas da desgraça…
Ah pá, é assim. Não, cada um com o seu feitio. Não, de maneira nenhuma. Com o Daniel dou-me perfeitamente bem. Vou passar por ele e vou cumprimentá-lo, logicamente. E vamos falar ali um bocadinho. Com a Joana, já não tanto. Porquê? Tão simples quanto isto. Porque eu raramente me cruzo com ela. Raramente a vejo. Das pessoas com quem ela trabalha, eu dou-me com a malta que trabalha na produção do programa da manhã, com a rapaziada das redes, só me dizem maravilhas. Não acredito que haja qualquer tipo de conflito. Ou atitude de estrela. A Joana Marques é mais conhecida. Por todos os motivos e mais alguns. O podcast é o mais ouvido do país. Hoje também é desagradável. Com uma quantidade de milhões de streams. Marques. Das vezes que eu falei com a Joana, simplicíssima, simpatiquíssima, nada a dizer. Pelo contrário, só tenho a dizer bem. Da Joana e do marido, o Daniel. Com quem eu trabalhei mais diretamente. Com quem eu me dou mais, digamos assim. Hoje em dia, também não há só estrelas na televisão, também há na rádio. E o caso disso também é a forma como a população, e os ouvintes, e Portugal inteiro têm acompanhado o caso do Nuno Markl e a torcida para que ele fique bem.
O Paulo tinha alguma relação com o Nuno Markl?
Não, não. Infelizmente não o conheço pessoalmente. Não o conheço. Mas cá está, ele já tem uma longa história. A rubrica do Cão já vem de outras rádios. E que ficou, e fica. E há um momento super divertido, daquilo que eu ouço. E o que acontece com o Nuno é que a televisão ajuda muito a alavancar a imagem do profissional. E ele, primeiro com o ‘5 para a meia-noite’ e depois com o Taskmaster, etc, etc. Logicamente que ficou ainda mais… Eu não quero chamar…. Ou melhor, posso chamar de estrela no bom sentido. Porque há estrelas e estrelinhas. E o Markl é realmente uma grande estrela da rádio e da televisão. E, portanto, é perfeitamente natural que os milhares e milhares que o seguem, que gostam dele, sintam alguma empatia com ele. Que mostrem, claro, o seu carinho e o seu afeto nesta altura complicada da vida dele. Mas não só. Durante a sua vida normal, ser acarinhado por todos e mais alguém. Poderia dar o exemplo de outros que eu já considero estrelinhas, que são acarinhados por muita gente. Mas eu conhecendo-os, como os conheço, se calhar há ali uma capa. Mas não vou entrar por aí. Não é de todo o caso do Nuno Markl. Ele é uma pessoa que tem uma figura incrível. É super divertido.Está a passar uma fase menos fácil do que vai ultrapassar. E cá está. Ultrapassa muito graças também a toda esta ajuda. Esta montanha de ajuda, de carinho que recebe diariamente. Eu vejo que quando faz agora, uma vez por semana, quando aparece no programa da manhã, toda a gente começa a falar da evolução dele. Acho que é daquelas pessoas que merecem todo o carinho. Pela carreira que tem.
Nunca quis enveredar muito pela televisão, como apresentador?
Tive dois ou três convites para ir fazer castings para umas coisas que eu disse que não. Câmeras assustam-me. Ao contrário dos microfones, as câmeras assustam-me. Só para ter uma ideia, há dois anos, convidaram-me para ir ser comentador na Sport TV, dos jogos do Sporting. Essa cena de ver um estúdio de televisão com muita gente atrás das câmeras não é a minha cena. Mas depois um colega meu, o Daniel Fontoura, que também lá está, a fazer os comentários dos jogos do Porto, disse, “experimenta”. “Se não tens, se não gostas, depois diz que já não voltas mais”. E lá fui, completamente assustado, assim que entrei no estúdio, depois de ser maquilhado. E aí há tanta câmara. Fez-me lembrar do primeiro dia da RFM. Não tremia tanto, mas tremia assim um bocado. E pronto, as coisas desenvolveram-se. Mas depois, lá está. É uma questão de hábito. Acaba por ser uma questão de hábito. Mas não me vejo, nunca me vi a apresentar um programa de televisão.
Prefere o habitat da rádio.
No meu cantinho, no meu aquário, onde não vejo ninguém, onde falo sozinho, como eu costumo dizer, pareço um maluco a falar sozinho, mas no fundo não estou a falar sozinho. Tem sempre alguém do outro lado que está comigo. Ainda este fim de semana fui pôr música numa festa dos anos 80. E vieram ter comigo, uma dessas pessoas. Disse “gosto tanto de ouvir-te falar com as pessoas que parece que falas comigo. É que tal como estás a falar agora aqui, é assim que tu falas na rádio”. Esta tem que ser a maneira de estar. Que somos pessoas de carne e osso, como elas que nos ouvem. E a partir desse momento, que as pessoas sentem que, tal como elas, choramos, rimos, temos dias bons e outros menos bons, a pessoa começa logo a criar o laço. É uma coisa perfeitamente natural. Eu tenho um episódio, falando em episódios estaria aqui o resto do dia a falar de episódios.
Mas eu tenho um episódio muito tocante, em que há três anos morreu o meu sogro. E eu soube meia hora antes de ir para o ar. E uma pessoa que eu amava. Era uma pessoa incrível. E a direção, na altura, disse logo “a gente substitui”..Eu disse “não, infelizmente não vou dar vida ao senhor”. Acabou de falecer no hospital. Não vou fazer nada. Portanto, “deixem-me estar aqui, que é onde eu vou ter a minha dor, nas próximas quatro horas”. E a primeira vez que abri o microfone, eu expus o meu caso. “Olhem pessoal, é assim, aconteceu isto. E portanto, eu hoje não vou estar, como devem calcular, no meu melhor dia. Aconteceu isto, morreu esta pessoa que eu adorava. E portanto, a partir daqui a coisa vai só rolando. Vai só rolando como tiver que rolar. Não esperem muito de mim hoje”. E não queira saber a reação. A explosão. Uma coisa que nunca antes eu tinha sentido, quer dizer, já tinha sentido muito, mas não desta forma. As pessoas literalmente caíram em cima de mim. A dar-me conforto. Foram centenas e centenas e centenas de mensagens. Mensagem de voz, mensagens escritas. Havia a telefonista a dizer “ligaram-me para aqui a dizer que estão com o Paulo”. Uma coisa brutal. Se eu não tivesse uma ligação de décadas, os ouvintes estavam só a dizer “olha, perdeu o sogro”. Mas fizeram muito mais que isso.
Os ouvintes sentem que o Paulo Fragoso é como alguém da família.
Da família, exatamente, que é o que muitos dizem. “Você é da família, és amigo, és da família”. É giro e curioso. É muito curioso ter passado de geração para geração, ouvintes dos meus primeiros tempos da RFM, que hoje já são avós. Dizem, “olha, o meu filho continua a ouvir-te, agora eu tenho um neto que também já te ouve”. É muito reconfortante trabalhar em rádio. Claro que nós não pensamos nisto diariamente nisso, não é? Eu tenho um foco de estar a falar para o meu ouvinte. Muitos deles conheço, não conheço, logicamente, mas cá está, é o que eles dizem, “eu não te conheço mas é como se se conhecesse”. Há tantos anos que falamos, é assim que as pessoas respondem àquilo que eu digo da rádio. Cá está, aquilo que eu digo da rádio, é um meio muito único, não há como a rádio, que cause esta empatia, esta ligação.
Também tem o projeto, com cada vez mais datas, das festas temáticas dos anos 80.
Sim, é uma coisa que eu gosto de fazer, é uma década muito querida para mim. Curiosamente, se formos a ver, eu, na década de 80, foi dos 10 até os 19 anos, foi a adolescência mas já ouvia muita música. Desde os meus 8 anos, eu ouvia muita rádio e estava sempre a tentar comprar umas cassetes para gravar as músicas da rádio, na altura da Rádio Comercial, que havia aqueles programas míticos, que eu gostava muito de gravar as músicas, as minhas músicas favoritas. Foi sempre muito ligado à música. é claro que a década de 80, para mim, é a melhor de todas. Acho que jamais se vai repetir a quantidade de música e de sucessos que a década de 80 teve. Atenção, eu não sou DJ. Como gosto de dizer, eu sou um passador de música. E é uma década que atinge as novas gerações. Os novos adolescentes conhecem as músicas todas dos anos 80, graças aos pais, graças às redes, aos Youtubes da vida, aos Spotify, não interessa, mas eles sabem as músicas. E quando dizem, “vamos lá fazer uma festa”, lá estou eu, lá estou eu, a passar música.
Quem é o cidadão Paulo Fragoso?
Os meus ouvintes sabem muita coisa. Os meus ouvintes sabem sim, uma pessoa vai falando muita coisa no ar, não é? Se você perguntar a um ouvinte meu quem são os meus filhos, como é que se chamam, etc., eles sabem, sabem, porque já falei muito deles. Sabem até o meu segundo nome, que não é Fragoso, mas é uma coisa muito curiosa. Porque há aí um dia que é o dia do segundo nome. Sabe que, hoje em dia, há dias para tudo. E num ano eu disse, “ok, ‘bora lá saber qual é o teu segundo nome”, e as pessoas diziam, e eu disse no final, eu disse qual é o meu. Eu sou o Paulo Alexandre.
Ainda há pouco tempo aconteceu isto, a música de hoje é do ano em que nasceu o meu segundo Joca, o João, 2000 e tal, e portanto…
Então os seus filhos já são adultos?
Sim, eu fui pai muito novo.
Tem uma música que seja a sua preferida?
Só uma?! Já muitas vezes me fizeram essa pergunta, pela diversidade… De coisas que já passaram pela minha vida, e não só profissional, mas dos tempos em que nem sequer trabalhei com nada, há tantas, mas tantas que me tocam de uma maneira… Lá está, eu sou capaz de ouvir uma música e dizer, “lembro-me desta música, fiz isto, ou aconteceu isto, ou fui ali”, isso acontece muitas vezes, são sempre músicas que nos marcam. Eu não posso dizer que há uma música que seja a música da minha vida, não consigo, não consigo estabelecer e eleger uma, são muitas, são muitas.
Sou um grande fã dos Xutos & Pontapés, por exemplo, comecei a ouvir ainda eles estavam longe de ser Xutos das massas, e há uma música, cá está dos primeiros tempos, que quando eles tocam ao vivo, para mim, vêm-me as lágrimas aos olhos, mas reparo que muitas das pessoas que não ligam muito, que é o ‘Remar Remar’. É muito fabulosa, tem uma letra incrível, tem uma música do outro mundo, gosto muito, sinto muito essa música. Se eu disser, é a música da minha vida, não é da minha vida, é uma das… Eu poderia fazer um top 100, se calhar, assim na boa, assim rapidamente. Esta porque aquilo, aquela porque me lembro disto, esta porque me marcou desta maneira, foi uma grande música, porque aconteceu isto, aconteceu-me aquilo.
Há alguém que considere que tem a melhor voz de Portugal?
Eu estaria a ser injusto, assim de repente, poderia dizer. Há muitos, não é? Há vozes marcantes, logicamente, e há comunicadores, não vou falar de locutores. É comunicadores, que não é a mesma coisa.
O comunicador é um animador. O locutor é aquele das rádios formatadas que dizem a hora, a música e o tempo.
E esse é o locutor, que na televisão são os locutores de continuidade. Na rádio não, já não há locutores de rádio. Ou quer dizer, há, há, mas hoje em dia a rádio moderna, a rádio que se quer moderna e atual não tem locutores, tem animadores de rádio. Animadores, que eu gosto de chamar, animador / comunicador.
Durante os anos que que estive na RFM, que curiosamente foi sempre a tarde, o espaço da tarde, acompanhava as pessoas no trabalho e quem andava na estrada. Portanto, e cá está, a comunicação tem que sempre ser feita com base naquilo que os ouvintes estão a fazer. Neste caso agora, é a hora do almoço e na estrada e no trabalho, no começo do trabalho.
E depois hoje em dia as pessoas têm, hoje em dia em todo o lado, nas obras, nas fábricas, nos escritórios, está sempre lá a música de fundo, a rádio de fundo, as pessoas estão a ouvir a emissão da RFM, da Renascença.
Quando apareceu o Spotify, uma das frases que mais ouvi foi que “olha, acabou, a rádio vai morrer. O que é certo é que tudo bem, estamos a coexistir confortavelmente, Spotify e rádio, a rádio continua a aumentar, curiosamente, o nível de audiência das pessoas que mais ouvem a rádio. Porque o Spotify falta-lhe uma coisa essencial, que é uma voz. Uma identidade. É uma voz que está ali a dizer, “olha, estou aqui!”. E que pergunta se está tudo bem, se o dia está a correr bem, se não está, vá, respira fundo e ‘bora lá, amanhã é outro dia, mas sempre aqui. Isso toca as pessoas.
Então assim, vamos ter o Paulo Fragoso a fazer rádio ainda mais uns 20 anos?
Se o Senhor quiser, sim, obviamente, porque claro que chega uma altura da nossa vida que começas a pensar, “rapaz, qualquer dia vou ter que acabar”, vou acabar com a carreira, quer dizer, se calhar, digo eu, não sei. Mas por outro lado, eu penso, “olha, isso vai ser até aos 90 aqui, rapaz, bora lá, bora lá”.
40 anos, já são muitos, apesar de algum cansaço, rapaz, acho que pelo menos mais 10 ou 15, acho que ainda vou ter, na boa, tranquilamente. Basta os ouvintes quererem, e acho que eles querem.
Não há ninguém que não saiba o seu nome, mesmo que não ouça todos os dias…
Eu tenho histórias da minha mãe. A minha mãe tem muito orgulho do filho, obviamente, então sempre que pode, e pode sempre. Onde vai, “sabe de quem que eu sou mãe? Sou mãe do Paulo Fragoso”. Vai uma cabeleireira, que acontece muitas vezes, estão a ouvir-me, e ela “não digo nada ao início, mas depois, no fim, não consigo resistir e pergunto-lhe, olha, sabe quem é que eu sou mãe? Então de quem? Desse rapaz que está aí a falar na rádio, sou mãe do Paulo Fragoso (risos).
Obrigado!
Quero mandar um grande abraço para todos os seguidores e leitores do Dioguinho, e espero que tenham gostado de ler a minha entrevista. Um grande abraço a todos, beijinhos, e obrigado por me ouvirem na Rádio Renascença, das 13 às 16 horas.