João Baião recebe galardão especial dos 30 anos nos Globos de Ouro: “Eu não estava nada à espera disto”.
O apresentador agradeceu à SIC por continuar a acreditar nele e por lhe lançar desafios ao longo dos seis anos de 'Domingão' e 'Casa Feliz'.
A emoção de João Baião é um traço inconfundível, seja a conduzir a ‘Casa Feliz’ ou o ‘Domingão’.
Uma gargalhada pode dar lugar às lágrimas, com a naturalidade de quem se deixa tocar pelas histórias que escuta. Essa entrega acompanha-o também no teatro, onde a energia é a mesma, mudando apenas o palco.
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Na XXX Gala dos Globos de Ouro, o artista viu o seu percurso ser reconhecido com o galardão especial dos 30 anos na categoria de Entretenimento. A distinção foi entregue por Júlio Isidro, que subiu ao palco com o seu humor característico.
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“Que alegria que eu tive de me reencontrar nos bastidores com o Nuno Markl”, começou por dizer Júlio Isidro, antes de recordar os seus próprios inícios na televisão, quando o seu rosto não era considerado um trunfo. “Mais de seis décadas depois, eu acho que eles se enganaram. E ainda bem”, atirou, divertido. O veterano apresentador admitiu que pensou recusar o convite para os 30 anos dos Globos, preferindo esperar pelos 50, mas “comecei a fazer contas e acho que é mais prudente estar aqui hoje”.
Júlio Isidro descreveu o homenageado como alguém que “há 30 anos é que o vamos vendo no palco em formatos dos mais diversos e também nos mais diferentes registos”. Lembrou a sua passagem por Brecht, Shakespeare e Tchekhov, antes de se dedicar ao teatro musical e à televisão. “Em todas as formas de expressão, este senhor ou esta senhora, ainda não sei, revelou um talento que lhe é natural, particularmente para chegar ao público, assim como quem está mesmo a jogar em casa”. A surpresa era absoluta, garantiu, antes de revelar o nome. “Estou com imensa vontade de rir porque este rapaz, a primeira vez que fez televisão, entrou num concurso meu no ‘Passeio dos Alegres'”. Júlio Isidro elogiou a energia do colega, que prometeu tentar imitar “daqui a uns 20 anos”. “É muito justo. João Baião”, anunciou, para delírio da plateia.
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Visivelmente emocionado, João Baião subiu ao palco, visivelmente surpreendido. “O que é isto, Daniel?”, perguntou, dirigindo-se a Daniel Oliveira, diretor de entretenimento da SIC. Júlio Isidro interveio, brincando que era “para puxar aos ‘Reis da Tarde'”. João Baião, ainda atordoado, brincou: “Estreia dia 4. Tenho que ir para ali agradecer, não é? O que é que é? Venha comigo, venha comigo”.
“Já estou com o meu rito branco. Eu não estava nada a contar com isto, isto não estava no programa. Depois vou ganhar mais”, disse João Baião, ainda em choque. “Eu cresci com o Júlio Isidro. O Júlio Isidro fez as minhas tardes, as minhas noites. Foi para mim deste tempo uma referência. Eu não estava nada à espera disto”, confessou.
O apresentador fez questão de distinguir este prémio da categoria ‘Personalidade de Entretenimento’, que este ano “era da Diana ou do Nuno, acabou por ser do Nuno”, referindo-se a Nuno Markl. “Isto estava completamente fora. Eu não tenho nada, não sei o que dizer, mas quero agradecer muito, obviamente”.
João Baião lembrou que, ao falar de 30 anos de televisão e entretenimento, “não podemos dissociar do teatro”. Agradeceu a João Lourenço, do Teatro Aberto, a Carlos Avilez e a Filipe La Féria. Deixou um “beijinho muito grande à Tânia Ribas de Oliveira, com quem eu aprendi”, pedindo um aplauso para a colega.
Os agradecimentos estenderam-se à SIC, “que até hoje continua a acreditar em mim, continua a lançar-me desafios”. Mencionou os últimos seis anos do ‘Domingão’, as Produções Fictícias, Cláudia, Dulce, Artur e “todos os companheiros”, incluindo Débora. Referiu ainda Zé Pedro, da Coral Europa, e os seis anos da ‘Casa Feliz’, elogiando Diana Chaves como “uma companheira extraordinária”. A sua produtora, a AB Produções, com Carlos Gonçalves, Fernando Alves e João Duarte, também foi lembrada.
“Isto de facto não estava nada à espera, isto é um prémio novo”, insistiu, ao que Júlio Isidro respondeu, divertido: “Não estava à espera que fazes um discurso deste tamanho”. João Baião dedicou a distinção à família — irmãos, sobrinhos e sobrinhos-netos — e “ao farol de todo este meu caminho, que é o público. O público que me tem abraçado”.
Júlio Isidro aproveitou para fazer uma brincadeira, anunciando: “Não percam no próximo dia 4 de outubro de 2026 o ‘Júris da Tarde’ com jurados muito especiais. Júlio Isidro com um rei da tarde, que é o João Baião, sem dúvida nenhuma”.
João Baião, ainda a agradecer a Daniel Oliveira, Daniel Cruzeiro e toda a equipa, repetiu que não esperava o prémio. “Já disse isto cinco vezes, já sabemos”, atirou Júlio Isidro. “Mas eu não estava. Isto não vinha no programa, personalidade de entretenimento. Isto era outra coisa”, insistiu Baião. “O mais importante para mim fazer televisão, o mais importante de tudo, são as pessoas, são as equipas que nós vamos conhecendo ao longo da vida. Mas o mais importante mesmo é conseguir plantar um sorriso de quem está do outro lado da câmara e viver com alegria. Isso é o mais importante de tudo. Obrigado, obrigado Portugal, obrigado SIC!”, concluiu.