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Jorge Palma, o ‘Bob Dylan português’, morre aos 76 anos

O artista exilou-se na Dinamarca em 1973 para escapar à Guerra Colonial e regressou a Portugal após o 25 de Abril, vivendo como músico de rua.

Jorge Palma, um dos nomes maiores da música portuguesa contemporânea, morreu na noite de 21 de setembro de 2026, aos 76 anos.

A família e a agência do músico confirmaram a notícia na noite de 21 de setembro de 2026, explicando que a causa da morte foi uma paragem cardiorrespiratória.

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Nascido em Lisboa a 4 de junho de 1950, Jorge Manuel de Abreu Palma mostrou desde cedo uma ligação especial à música. Começou a aprender piano e a ler partituras aos seis anos, e aos oito já fazia a sua primeira audição no Auditório do Conservatório Nacional. Em 1963, com 13 anos, conseguiu o segundo lugar num concurso musical em Palma de Maiorca, Espanha, com uma menção honrosa.

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No entanto, o fascínio pela música clássica deu lugar, em 1964, ao encanto pelo rock’n’roll, pop-rock e pela música popular anglo-americana. Foi aí que descobriu a guitarra e deixou os estudos clássicos, encontrando em artistas como Bob Dylan, Led Zeppelin e Lou Reed as suas grandes referências.

A sua aventura na música popular começou em 1967, nos Black Boys. Entre 1969 e 1971, integrou os Sindicato como teclista e cantor, tendo participado na primeira edição do Festival de Vilar de Mouros, em 1971. A carreira a solo arrancou em 1972 com o single em inglês ‘The Nine Billion Names Of God’. Para escapar à Guerra Colonial, exilou-se na Dinamarca no final de 1973, regressando a Portugal depois do 25 de Abril de 1974. Durante esse período e nos anos seguintes, Palma viveu como músico de rua em cidades europeias como Paris e Copenhaga, uma experiência que marcou profundamente a sua obra.

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O primeiro álbum, ‘Com Uma Viagem Na Palma da Mão’, chegou em 1975, reunindo canções que compôs durante o exílio. Nesse mesmo ano, apresentou-se no Festival RTP da Canção com os temas ‘O Pecado Capital’ e ‘Viagem’. A década de 1980 trouxe o seu regresso definitivo a Portugal e um período de grande reconhecimento. Álbuns como ‘O Lado Errado da Noite’ (1985), que nos deu êxitos como ‘Frágil’ e ‘Deixa-me Rir’, e ‘Bairro do Amor’ (1989) são exemplos da sua capacidade de criar canções que ainda hoje ecoam no público. Em 1991, já depois de ter concluído o Curso Superior de Piano em 1990, lançou o icónico ‘Só’, onde revisitava os seus temas apenas com piano e voz, num formato intimista que se tornou uma das suas imagens de marca.

Ao longo da sua carreira, Jorge Palma explorou diferentes sonoridades e colaborações. Fez parte de projetos como Palma’s Gang, Rio Grande e Cabeças no Ar, mostrando a sua versatilidade. Em 2015, editou o álbum ao vivo ‘Juntos’ com Sérgio Godinho, juntando duas das maiores figuras da música portuguesa. O disco ‘Voo Nocturno’ (2007) alcançou a dupla platina e popularizou o single ‘Encosta-te a Mim’, um dos seus temas mais conhecidos. O último álbum de originais, ‘Vida’, foi lançado em 2023. Já em 2024, Palma iniciou o espetáculo ‘3 Palmas na Mão’, partilhando o palco com os filhos, Vicente e Francisco Palma, num projeto que celebrava a música em família.

Jorge Palma recebeu várias distinções pelo seu contributo para a cultura portuguesa. Entre elas, destacam-se o Prémio José Afonso em 2002, dois Globos de Ouro como melhor intérprete individual (em 2008 e 2012), a Medalha de Mérito Cultural da Cidade de Lisboa em 2020, e a condecoração como Comendador da Ordem do Infante D. Henrique no mesmo ano. Em abril de 2026, foi homenageado com o Prémio Carreira nos PLAY – Prémios da Música Portuguesa, um dos últimos grandes reconhecimentos públicos do seu percurso.

Apelidado de “Bob Dylan português”, Jorge Palma era admirado pela forma como misturava rock, folk e influências da música portuguesa, criando um estilo único. As suas letras, muitas vezes pessoais, falavam de temas universais como a solidão, a busca pela liberdade e a complexidade das emoções, com uma sensibilidade rara. O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, sublinhou que Portugal se despede de “um dos maiores ícones e poetas da música nacional”, cujas canções, com o seu “lirismo imprevisível e nunca de efeito fácil ou efémero”, continuarão a “iluminar a memória de várias gerações”. Jorge Palma partiu, mas a sua música, essa, fica.

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