Martínez elogia formação portuguesa e aborda o “impossível” de substituir Ronaldo
Roberto Martínez, o selecionador nacional analisou o percurso dos jovens jogadores, o impacto de Diogo Jota e a influência inigualável de Cristiano Ronaldo numa entrevista ao 'The Athletic'.
A poucas semanas do arranque da qualificação para o Mundial’2026, Roberto Martínez concedeu uma entrevista abrangente ao ‘The Athletic’, onde não só abordou a formação de jovens futebolistas em Portugal, como também teceu considerações sobre a importância de Diogo Jota e o estatuto de Cristiano Ronaldo.
O selecionador nacional elogiou o sistema de formação português, sublinhando que as várias etapas preparam os jovens para as equipas principais de uma forma que não se vê noutros países. “Temos campeonatos nacionais de sub-19, depois temos a Youth League na Europa, depois a Liga Revelação de sub-23, depois as equipas B e, por fim, a equipa principal. O que se vê é um jovem de 16 ou 17 anos a passar por quatro etapas até chegar à equipa principal. Assim, os jogadores chegam à equipa principal já preparados”, explicou Martínez.
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O técnico comparou a realidade portuguesa com a inglesa, onde as ligas de sub-23 e de reservas não oferecem a competitividade necessária. “No futebol inglês, é muito difícil encontrar um jovem jogador que esteja pronto para ganhar jogos na equipa principal”, atirou. Já em Espanha, o selecionador lembrou que “as equipas B ajudam muito a desenvolver o jogador num nível quase pré-sénior”, ao contrário do que acontece em Inglaterra, onde “tudo depende de o treinador escolher um período de empréstimo, com o risco de ele se adaptar ou não, e do estilo em que se quer que o jogador evolua”.
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Roberto Martínez também tocou num ponto sensível: a saída precoce de jovens portugueses para o estrangeiro, mesmo antes de se afirmarem no país. Deu o exemplo da Seleção Nacional de sub-17 que venceu o Campeonato do Mundo no ano passado, com um grande contingente do Benfica. “Têm oito jogadores do Benfica. Sendo oito jogadores de um único clube não vão ter espaço na equipa principal. É matematicamente improvável, por isso os jogadores têm de sair. Têm de ir para o estrangeiro”, admitiu.
Na mesma conversa, Martínez fez questão de destacar Diogo Jota, descrevendo-o como “uma dose extra de energia e luz nos momentos difíceis“. O selecionador recordou a sua crença inabalável: “O Diogo era o exemplo puro de acreditar no que quer que fosse possível, encontrando sempre a resposta no momento certo, no momento difícil do jogo.” Sublinhou ainda o papel decisivo do jogador: “A forma como encontrou o caminho contra a Dinamarca nos ‘quartos’ foi o fator diferenciador na campanha da Liga das Nações. Portanto, para nós, ele tornou-se um verdadeiro foco, e provavelmente uma dose extra de energia e luz naqueles momentos difíceis que se vivem enquanto equipa de futebol e Seleção nacional. Temos de usar a inspiração dele até ao fim porque ele faz parte de nós.”
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Como já é hábito, o selecionador não poupou elogios a Cristiano Ronaldo, classificando-o como “um futebolista único que mudou o jogo”. O seu compromisso com a modalidade continua a ser um exemplo, com números que o tornam “icónico“: “Vinte e um anos de serviço à Seleção Nacional 227 jogos pela Seleção. Nenhum outro jogador conseguiu isso. O número de golos. Todos esses números tornam Cristiano Ronaldo icónico.”
Martínez detalhou a mais-valia tática do capitão enquanto “camisola 9″, referindo a “movimentação, o timing do movimento, a finalização, a forma como abre espaços, a maneira como consegue influenciar a linha defensiva adversária, isso é uma grande, grande mais-valia”.
O selecionador garantiu que a atitude de Ronaldo é “tão fresca como a de um jovem de 18 anos que se estreia pela Seleção Nacional”. Contudo, foi taxativo sobre a sua substituição: “O Cristiano não pode ser substituído. Diretamente, é impossível. Mas, como em tudo, é preciso encontrar soluções e formas diferentes de ter uma equipa ofensiva que consiga produzir a mesma quantidade de golos. Os números do Cristiano não podem ser replicados pela substituição de um jogador por outro, é impossível”, rematou.