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FIFA chupa o sangue dos adeptos: Bilhetes e estacionamento a preços absurdos no Mundial 2026

Estacionamento nos estádios chega aos 300 dólares, cerveja a 15-18 dólares mais gorjeta obrigatória e água a 8 dólares

A próxima edição do Campeonato do Mundo de futebol, em 2026, promete ficar na história pelos piores motivos.

Os preços praticados para o torneio que se desenrola nos Estados Unidos, México e Canadá estão a gerar uma onda de indignação sem precedentes, com acusações de que a FIFA traiu os adeptos.

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A revenda descontrolada de bilhetes, uma prática comum nos EUA, é um dos principais problemas. A FIFA não mostrou qualquer intenção de travar este mercado, o que resultou em preços considerados “monstruosos“. Se antes um bilhete de mil dólares era um investimento para uma final, um esforço único para ver a sua seleção erguer o troféu, hoje esse valor é habitual para muitos jogos da primeira fase. E isto acontece numa competição alargada, com mais equipas e, na perspetiva de muitos, com um nível de qualidade inferior ao de edições anteriores.

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De acordo com dados do Ticketdata.com, o preço médio dos bilhetes mais baratos para toda a fase de grupos ultrapassa os 600 dólares, um valor escandaloso. Em partidas de maior interesse, os preços disparam ainda mais. Um Brasil-Marrocos em Nova Iorque custa mais de 1500 dólares, enquanto um Portugal-Colômbia em Miami, o mais caro da fase, atinge quase os três mil dólares. Para os adeptos espanhóis, o jogo mais caro é o contra o Uruguai, em Guadalajara, no México, com o bilhete mais económico a rondar os 1524 dólares.

“Um dos meus amigos fez as contas para ir ao Mundial com a Espanha”, contou um adepto espanhol a partir de Madrid ao jornal espanhol ABC, habituado a seguir a seleção em torneios anteriores. “Impossível. Muitos dias, distâncias descomunais e, claro, os preços. Vou apoiar à distância. Não sei se a FIFA conseguiu ‘democratizar’ o futebol”, atirou com ironia, referindo-se aos custos de voos, alojamento e alimentação.

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A indignação não se limita aos adeptos. A Associação de Adeptos da Europa (FSE) classificou os preços como “uma traição monumental à tradição da Taça do Mundo”. As procuradorias de Nova Jérsia e Nova Iorque, estados que partilham uma sede, abriram investigações ao processo de venda dos bilhetes. Vários autarcas das cidades anfitriãs expressaram o seu descontentamento.

O nova-iorquino Zohran Mamdani, por exemplo, tentou mitigar o problema com uma lotaria de mil bilhetes a 50 dólares, uma iniciativa que o jovem político de esquerda publicitou, de forma constrangedora, como uma forma de “aproximar o Mundial do povo”. O senador republicano Todd Young, que jogou na melhor liga universitária, criticou a FIFA por estar “desligada das pessoas normais”. Até Donald Trump, um dos grandes aliados de Gianni Infantino neste projeto, admitiu que não gastaria mil dólares no jogo de abertura da sua seleção, o Estados Unidos-Paraguai.

Javier Ansorena, correspondente do ABC em NY, escreve ainda que o assalto aos bolsos dos adeptos não termina nos bilhetes. A FIFA ficou com a gestão dos estacionamentos nos estádios, cobrando valores exorbitantes a quem não tem alternativa ao carro: 300 dólares para estacionar no estádio de Nova Jérsia, 250 em Los Angeles ou 225 em Atlanta, onde a Espanha joga. Algumas entidades locais também se juntaram a esta onda de exploração. Nem quem optar pelos transportes públicos escapa: as autoridades de Nova Iorque e Nova Jérsia elevaram o preço do bilhete de Manhattan para o estádio de 13 para 100 dólares (inicialmente, era 150, mas foi moderado após uma enxurrada de críticas). Em Boston, a situação é semelhante, com o preço a saltar de 20 para 80 dólares.

Dentro dos estádios, a carteira volta a ser atacada. As cervejas custarão entre 15 e 18 dólares. Com a gorjeta obrigatória, é impossível beber uma por menos de 20 dólares. Os adeptos ingleses estão furiosos e já apresentaram uma queixa formal. Qualquer item para comer custará cerca de 25 dólares, e uma garrafa de água, 8 dólares. A FIFA proibiu, apesar do calor do verão, a entrada de garrafas para reabastecer. Esta informação foi avançada pelo jornal espanhol abc.es.

“É tudo um abuso e tira-te a vontade”, lamentou Juan, um espanhol radicado em Nova Iorque, a quem mais custa não poder levar o filho, um verdadeiro fanático por futebol, ao Mundial no seu próprio país. “A estas alturas, estamos fartos que a FIFA e a cidade nos chupe o sangue”, confessou. A sua experiência mundialista resumiu-se a assistir a um amigável entre Marrocos e a Noruega (150 dólares por bilhete, que não foi propriamente uma oferta) e a ver os jogos pela televisão. “Esse é o nosso Mundial manhoso”, desabafou. Uma realidade partilhada por quase todos os adeptos de futebol que conhece. “A minha única satisfação é não dar dinheiro a essa máquina de fazer massa que é a FIFA, a quem não importa a afeição.”

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